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Futebol

Rodrigues e Manuel Pinto lembram “união” da equipa no inédito pódio do Vitória

Em 1968/69

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Foto: DR

Os ex-jogadores Rodrigues e Manuel Pinto realçam que a “união” no seio do Vitória SC ‘embalou’ o clube para alcançar um inédito terceiro lugar na época 1968/69, com o estatuto de melhor defesa do principal campeonato de futebol.

Os vimaranenses sofreram 17 golos, o mesmo número do campeão Benfica, e acabaram a temporada com 36 pontos, a três do primeiro classificado e a um do vice-campeão, FC Porto, numa época em que Rodrigues era o guarda-redes e o eixo da defesa se compunha com o malogrado Joaquim Jorge e Manuel Pinto, dois jogadores que fizeram parelha por sete épocas, chegando à seleção portuguesa de futebol.

“O balneário era magnífico. Os jogadores davam-se muito bem. Havia uma grande união no Vitória. Por isso, chegámos onde chegámos. O treinador acreditava sempre e os jogadores também”, realçou, à agência Lusa, o antigo defesa, hoje com 83 anos, acerca do clube que representou entre 1962/63 e 1973/74, prestes a comemorar o 100.º aniversário, na quinta-feira.

Campeão nacional pelo Benfica, em 1960/61, Manuel Pinto rumou a Guimarães em 1962 e começou por jogar no meio-campo, antes de pontificar mais atrás, ao lado de um jogador com o qual “refilava” muito.

“Era um bocadito complicado. Refilávamos muito um com o outro [Manuel Pinto e Joaquim Jorge]. De qualquer maneira, quando era para cerrar fileiras, os dois estávamos sempre ali prontos para ajudar a equipa. Isso era o essencial”, lembrou o terceiro jogador com mais encontros na I Divisão pelo Vitória, com 274, atrás de N’Dinga, com 286, e de Abreu, com 279.

Essa dupla teve primeiro o suporte do guarda-redes Mário Roldão, entre 1965/66 e 1967/68, e depois o de Rodrigues, guarda-redes contratado pelos vimaranenses ao Juventude de Évora, que confirma a relação de constante discussão entre os centrais.

“Ele e o Joaquim Jorge tinham dois feitios muito iguais e ‘picavam-se’ muito. Era eu, atrás, que dizia: ‘Ó Joaquim, não ligues ao Manel. O gajo é rabugento’. Depois fazia o mesmo com o Manel: ‘Ó Manel, deixa o Joaquim’. A jogarem à sua maneira é que jogavam bem. Eram dois jogadores muito bons”, lembra o antigo guardião, que defendeu as redes vimaranenses entre 1968/69 e 1978/79.

O antigo guarda-redes vinca, aliás, que os centrais foram “dois monstros” aquando do ‘nulo’ (0-0) na visita ao Benfica, na primeira volta desse campeonato em que os vimaranenses entraram para as últimas quatro jornadas no segundo lugar, um ponto abaixo do líder FC Porto e um acima do Benfica, antes de os ‘encarnados’ levarem a melhor.

Francisco Rodrigues lembra-se de uma outra visita ao Estádio da Luz, na época 1972/73, em que, apesar da derrota por 8-0, defendeu um penálti a Eusébio, com a ‘lenda’ do futebol do século XX a cumprimentá-lo no fim, e também uma receção ao FC Porto na temporada seguinte, em 1973/74, em que o empate a zero persistiu, após o recém-contratado ‘azul e branco’ Teófilo Cubillas ter falhado um penálti.

“Quando veio para o FC Porto, foi uma aquisição do ‘outro mundo’. Quando ele chega aqui [a Guimarães], este estádio ficou a ‘romper’ pelas ‘costuras’, de vitorianos e portistas. Queriam argumentar que eu coloquei uma ‘pedrinha’ debaixo da bola, mas só fui fazer aquela superstição. Atirou por cima e era um jogador com craveira fabulosa”, realçou à Lusa.

A memória de Manuel Pinto reaviva, por sua vez, um triunfo sobre o Benfica (3-2), que permitiu ao Sporting assumir a liderança e sagrar-se campeão em 1965/66, e um empate no reduto do FC Porto, de Custódio Pinto, seu irmão, na última jornada da época 1970/71, que evitou a descida de divisão, com direito a celebração ‘efusiva’ do então presidente vitoriano, Antero Henriques da Silva Júnior.

“O senhor Antero Henriques da Silva Júnior era um grande presidente. Quando o Vitória foi empatar às Antas para não descer de divisão, estávamos a tomar banho debaixo do chuveiro e ele abraçado a nós, vestido de fato e de gravata, com a água a cair-lhe em cima”, recorda.

Fora dos relvados, Rodrigues e Manuel Pinto iam ao café, jogavam às cartas, enquanto alojados em pensões que lhes asseguravam refeições e “roupa lavada”, mediante pagamento com parte do salário que recebiam sempre no mesmo dia de cada mês.

“Ao dia 08, recebíamos sempre, sempre. Todo o jogador que vinha para cá tinha a consciência de que aquele era o dia do ordenado”, atestam os ex-colegas de equipa, hoje cunhados radicados em Guimarães.

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