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Viana do Castelo

Reportagem. A “chieira” de ser mordoma “já não é só de Viana, é do mundo”

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Foto: CM Viana do Castelo / Divulgação

A “chieira”, que no Minho significa orgulho de ser mordoma no desfile que esta sexta-feira percorre Viana do Castelo, durante a Romaria d’Agonia, deixou de ser um sentimento só das vianenses e “já é de todas as mulheres do mundo”.

“A “chieira” é do mundo completamente. Nós chegamos a toda a parte do mundo com as nossas cores, o nosso ouro, a nossa vaidade em ser vianenses”, afirmou hoje à Lusa Maria João Matos, uma das 630 mordomas que hoje participam no desfile da mordomia, número emblemático das festas da capital do Alto Minho.

Este ano, pela primeira vez, a Comissão de Festas da Senhora d’Agonia criou uma plataforma ‘on-line’ para facilitar o processo de inscrição a todas as interessadas em participar num dos números mais emblemáticos da romaria.

Natural de Afife, freguesia do litoral do concelho, Maria João Matos, de 33 anos começou a participar no desfile aos 14 anos, a idade a partir da qual é permitida a participação no desfile.

A enfermeira, no IPO do Porto, “já contagiou” as colegas de trabalho com “o orgulho e a vaidade” de ser mordoma.

“Sentir ’chieira’ é sentir a tradição. A mistura das cores, o ouro e poder transportar esse orgulho em ser vianense para bem longe”, explicou “ansiosa” pelo início do desfile, indiferente ao calor intenso que se fazia sentir e à espera de quase uma hora para a partida.

A concentração das mulheres, envergando os diferentes trajes das freguesias do concelho começa nos jardins do edifício onde, até 2011, funcionou o antigo Governo Civil de Viana do Castelo.

É daquele local que partem para percorrer as principais ruas da cidade, deixando um rastro de cor desde a vermelha, verde e amarela dos típicos e garridos do traje à Vianesa, o primeiro do país a conseguir a certificação.

Outra mordoma da Afife, Margarete Couto, de 36 anos está sentada à sombra de uma das árvores do jardim a “aliviar” o calor que se faz sentir, aumentado pelo traje “centenário” que enverga.

Trocou a aldeia natal por Lisboa para trabalhar, mas, desde os 14 anos, só faltou dois anos ao desfile. Este ano, a explicadora trouxe duas jovens, irmãs, da Cova de Santa Iria, que desafiou, durante as explicações, a participarem na tradição.

“Elas pensavam que isto era uma tradição exclusiva das mulheres de Viana, mas não Viana abraça toda a gente e recebe toda a gente com muito carinho”, explicou Margarete.

Para trajar as duas raparigas, explicou, “toda a aldeia se juntou”.

“As pessoas emprestaram os fatos com mais de 100 anos e o ouro. Depois expliquei-lhes um pedacinho de história desta tradição para que sentissem a nossa cultura”, referiu, orgulhando-se de já ter trazido às festas pessoas da Bélgica, da França, entre outros países.

A explicanda, Rita Conceição, de 14 anos, está “incrédula”. Ao lado a irmã mais nova e mais tímida, observa. Só Rita quer falar e diz tratar-se de “experiência única”.

“A nossa explicadora, como é de Viana, convidou-nos a vir desfilar. Achamos que era uma oportunidade única e decidimos aceitar o desafio” disse a jovem, confessando: “Nunca tinha visto tanto ouro junto, tanta gente, tanta cor. Estou a gostar muito”, disse.

Além dos típicos e garridos trajes à Vianesa, os primeiros do país a conseguir a certificação, não faltam também os fatos de noiva mais sóbrios, de cor preta. Neste número, algumas das mulheres chegam a carregar dezenas de quilos de ouro, reunindo as peças de famílias e amigos num único peito, simbolizando a “chieira” e outrora o poder financeiro das famílias.

O traje assume-se como um símbolo tradicional da região, nas suas várias formas, consoante a ocasião e o estatuto da mulher. Em linho e com várias cores características, onde sobressai o vermelho e o preto, era utilizado pelas raparigas das aldeias em redor da cidade de Viana do Castelo.

As características deste traje, como o seu colorido e a profusão de elementos decorativos, permitem identificar facilmente a região de origem, no concelho, motivo pelo qual se transformou, segundo os especialistas, “num símbolo da identidade local”.

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Viana do Castelo

Cerca de 300 fiéis apoiam padre contestado (a quem apagaram as luzes da igreja) em Viana

Padre não foi bem recebido numa nova paróquia

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Foto: DR

Cerca de 300 pessoas de Subportela, em Viana do Castelo, participaram neste domingo na homenagem de apoio ao pároco da freguesia que, este mês, foi impedido pelos fiéis de Santa Leocádia de Geraz do Lima de tomar posse daquela paróquia.

Em nota enviada à Lusa, a organização da homenagem a padre Adão Lima explicou que a comunidade paroquial decidiu “unir-se para celebrar e agradecer ao padre Adão Lima pelos 17 anos como pároco” em que, além da “obra distinta” que “ergueu” naquela zona, criou “emprego a 58 pessoas”.

O padre Adão Lima é pároco nas paróquias de Deão e Subportela.

Viana: Fiéis desligam luzes e abandonam igreja à entrada de novo padre

O impasse na tomada de posse do padre na paróquia de Santa Leocádia de Geraz do Lima, com cerca de dois mil habitantes e situada a cerca de 20 quilómetros da cidade de Viana do Castelo, arrasta-se desde maio de 2019 na sequência da morte do pároco anterior, João Cunha, e da nomeação, pela diocese, do sucessor, o padre Adão Lima.

Os fiéis da nova paróquia entendem que “o padre Adão Lima é uma pessoa materialista, com grandes sinais de riqueza, autoritário, inacessível, não dialogante e um mau exemplo para a comunidade”.

Desde o início do diferendo, tanto o pároco em causa como a diocese, recusam fazer comentários sobre o assunto.

Hoje, um grupo de paroquianos de Subportela preparou uma homenagem “surpresa” ao padre Adão Lima.

“Sempre demonstrou para com todos, desde os de mais tenra idade, até aos de idade mais avançada, muita amizade e consideração. Como pastor que é, compartilha connosco todos os sofrimentos, lágrimas e amarguras, mas também as alegrias e os sorrisos, cuida e conhece cada um de nós, qual pastor cuida e conhece o seu rebanho. Que continue a ser para cada um de nós o pastor, o guia e o amigo de sempre. Saudações destes paroquianos que tanto o estimam”, refere a organização da manifestação de apoio hoje realizada.

O grupo constituído por cerca de dez paroquianos de SubPortela recordou que, “em 17 anos, o padre Adão Lima, ergueu, com a população, o centro social paroquial de Deão e o centro social e paroquial de Subportela”.

“Os centros de dia, os serviços de apoio domiciliário e a estrutura residencial para pessoas idosas, dão respostas a 170 pessoas idosas de Deão, Subportela, Santa Leocádia, Santa Maria e Moreira de Geraz do Lima, Deocriste, Barroselas, Portela Susã, Vila Franca, Mujães, Mazarefes, Lanheses”.

A organização adiantou que “também a creche, em Deão, acolhe 30 crianças”.

“O padre Adão gostou muito da nossa homenagem. Ficou muito feliz com esta manifestação de apoio, por estar a viver um momento triste”, disse a organização.

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Viana do Castelo

Carlos Meira desiste da corrida à liderança do CDS

Congresso do CDS

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Foto: Imagens CDS

Carlos Meira anunciou este sábado que desiste da candidatura à liderança do CDS-PP, não levando a sua moção a votos.

O antigo presidente da concelhia de Viana do Castelo não declarou apoio a qualquer um dos restantes candidatos.

Apenas pediu “união” para o partido, abdicando da corrida. A decisão surge pouco tempo depois do candidato Abel Matos Santos também ter desistido, manifestando apoio ao candidato Francisco Rodrigues dos Santos.

A votação das moções de estratégia global decorrerá no final da apresentação das moções, até às 02:30, no 28.º Congresso do CDS-PP, que decorre até domingo no Parque de Exposições de Aveiro.

Restam três candidatos: Francisco Rodrigues dos Santos, Filipe Lobo d’Ávila e João Almeida.

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Viana do Castelo

Garranos das serras de Arga e de Santa Luzia estudados em Paris e no Japão

Projeto de preservação

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Foto: DR / Arquivo

O projeto de preservação dos cavalos ibéricos [garranos] levado a cabo pela Câmara de Viana do Castelo foi apresentado, esta quinta-feira, em Paris, durante uma conferência dedicada à equitação, que decorreu na Universidade da Sorbonne.

A preservação dos animais autóctones integra um projeto mais vasto, que associa a Universidade da Sorbonne (França), a Universidade de Kyoto (Japão) e a Universidade de Coimbra, “parceiros científicos” que vão continuar a desenvolver trabalho de investigação em Viana.

O projeto “Percursos do Homem e do Garrano”, financiado pelo programa financeiro Norte 2020, foi desenvolvido pela autarquia ao longo dos últimos anos, com o objetivo de “valorizar esta raça autóctone e aumentar a visitação turística das áreas classificadas”.

“Pretendeu-se contribuir para o reconhecimento do garrano como raça autóctone e as serras de Arga e de Santa Luzia como espaço privilegiado para a sua observação e incrementar a informação das populações locais sobre o valor cultural e natural do garrano, através de ações de educação ambiental e de divulgação”, dá conta a autarquia em nota enviada a O MINHO.

“A projeção da importância do garrano nas suas múltiplas dimensões necessita de estudos científicos profundos e contínuos, de um debate alargado, dacriação de redes de cooperação interinstitucionais e da aposta em ações de divulgação,sensibilização e demonstração que promovam as qualidades e apetências da raça”, aponta a mesma nota.

Os garranos são animais de pequena estatura, com peso aproximado de 290 quilos, de perfil de cabeça reto ou côncavo, cabeça fina e grande, principalmente nos machos, onde se destacam amplas narinas. O pescoço curto é bem musculado, a garupa é forte e larga e os membros são pequenos e fortes. A pelagem é castanho-escura, sendo a crina e a cauda pretas e muito densas. Embora não apresente manchas, pode ter tons mais claros no focinho, ventre e membros.

Sendo o garrano um cavalo pequeno, apresenta uma sólida estrutura e andamento curto, transmitindo uma elevada segurança, típica de um animal habituado a enfrentar caminhos íngremes e pedregosos. Tal como outros cavalos de pequena estatura, o garrano apresenta um andamento artificial, denominado de andadura.

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