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Quebra de tráfego aéreo nos aeroportos portugueses atinge pico de 87%

Covid-19

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Foto: voltaaomundo.pt / DR

O tráfego aéreo diário nos aeroportos portugueses tem vindo a cair nos últimos dias, dada a pandemia de covid-19, e atingiu uma quebra homóloga de 87% na quarta-feira, segundo dados da organização europeia Eurocontrol.


Dados da Organização Europeia para a Segurança da Navegação Aérea (Eurocontrol), esta quarta-feira, consultados pela agência Lusa indicam que o tráfego aéreo diário nos aeroportos do continente – Lisboa, Porto e Faro – está a cair acentuadamente desde meados deste mês, quando os países começaram a adotar medidas mais restritivas para tentar conter a propagação do surto do novo coronavírus.

Se no passado dia 16 de março se registou uma quebra de 16,6% no tráfego aéreo diário em comparação com o mesmo dia de 2019, esta diminuição passou a ser de 39% no dia seguinte e de 52,4% três dias depois.

No passado domingo, as quebras homólogas já eram de 63% e continuaram a acentuar-se na segunda-feira (76,8%) e na terça-feira (78,8%), até atingir um pico de 87% na quarta-feira.

Esta última percentagem compara com uma queda de cerca de 80% na média europeia.

Segundo os dados da Eurocontrol, também na quarta-feira, a TAP foi uma das companhias na Europa com maior quebra homóloga no tráfego aéreo diário, de 93,3%, apenas ultrapassada por companhias como a Vueling (94%), Ryanair (95%), Brussels Airlines (98%) e easyJet (100%).

No que toca aos aeroportos, o do Porto registou na quarta-feira uma redução de tráfego diário de 90,9%, seguido pelo de Lisboa (88,7%) e pelo de Faro (83,3%).

A tendência verificada em Portugal tem sido, também, registada a nível europeu, estando atualmente – e segundo os números de quarta-feira –a ser realizados cerca de 5.800 voos por dia na Europa, número que compara com perto de 22 mil realizados no mesmo dia de 2019.

A nível mensal, neste mês de março (desde o início até agora) registam-se já quebras homólogas de 23% no tráfego aéreo nos aeroportos portugueses, bem como uma redução de 29,4% nas operações feitas pela TAP, em comparação com o mesmo período de 2019, segundo a Eurocontrol.

A Associação de Linhas Aéreas Europeias (A4E), que representa 16 grandes grupos de aviação, entre os quais TAP, Air France-KLM, Ryanair e easyJet e mais de 70% do setor europeu, explica em resposta escrita enviada à Lusa que “os voos operados ontem [quarta-feira] representam cerca de 20% dos níveis normais”, notando que esta tem sido uma tendência que se agravou nos últimos dias.

“As companhias aéreas estão, atualmente, focadas em preservar a sua liquidez e em repatriar passageiros retidos no estrangeiro”, ressalva a associação, lembrando que cerca de 178 países do mundo já estabeleceram restrições às viagens.

Ao mesmo tempo, estão a ser realizadas “operações aéreas de carga ou fretadas para garantir o fluxo de bens, […] que são particularmente importantes para a entrega de equipamentos médicos”, adianta a A4E.

Também hoje, a Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA) estimou perdas superiores a 70 mil milhões de euros (76 mil milhões de dólares) nas receitas com passageiros para as companhias aéreas europeias em 2020, que são das mais afetadas do mundo pela pandemia de covid-19.

A seguir ao continente asiático, que deverá registar perdas de 81 mil milhões de euros (88 mil milhões de dólares), a Europa é a obtém maior quebra nas receitas com passageiros, num total de perdas de 207 mil milhões de euros (225 mil milhões de dólares) na indústria em todo o mundo.

A A4E adianta, na resposta dada à Lusa, que as rotas mais afetadas “começaram por ser as da China, mas agora o impacto é global”, o que acaba por “atingir todas as companhias aéreas”.

“Já estamos numa grande crise”, lamenta a associação, recordando já ter solicitado aos ministros dos Transportes da União Europeia medidas como a salvaguarda de níveis mínimos de operação, a criação de pacotes de estímulo e de apoio ao setor aeronáutico e regras mais flexíveis no que toca aos direitos dos passageiros.

Ao todo, as transportadoras aéreas na Europa geram 2,6 milhões de empregos diretos e 12,2 milhões de empregos indiretos.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou perto de 480 mil pessoas em 182 países e territórios, das quais mais de 22.000 morreram.

Para tentar conter o surto, os governos da UE estão a adotar medidas como o confinamento dos cidadãos e o fecho ou controlo de fronteiras, tendo ainda sido adotada uma suspensão das viagens (nomeadamente as aéreas) não essenciais.

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Tribunal rejeita providência cautelar da IL para travar nomeação de Centeno para BdP

Da Iniciatica Liberal

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Mário Centeno. Foto: DR / Arquivo

O Supremo Tribunal Administrativo rejeitou hoje a providência cautelar da Iniciativa Liberal para travar a nomeação de Mário Centeno para governador do Banco de Portugal, manifestando-se incompetente para apreciar este “ato político”.

“Sendo a nomeação do Governador do BdP feita por resolução do Conselho de Ministros sob proposta do ministro das Finanças um ato político, não estando em causa qualquer dimensão de legalidade da mesmo e já que a situação jurídica a atender tem de ser necessariamente a que está em vigor no presente momento, é este STA [Supremo Tribunal Administrativo] incompetente em razão da matéria para conhecer da presente providência”, refere a decisão deste tribunal a que a agência Lusa teve acesso.

O deputado único da Iniciativa Liberal (IL), João Cotrim Figueiredo, anunciou em 08 de julho que iria interpor uma providência cautelar para que fosse impedida a nomeação de Centeno como governador do Banco de Portugal antes da conclusão do processo legislativo parlamentar sobre o tema.

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Organismo que investiga acidentes defende “zonas interditas” a meios aéreos

Para evitar a colisão com linhas elétricas

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Foto: Eduardo Ferreira / DR

O organismo que investiga acidentes defende a fixação de “zonas interditas” aos meios aéreos de combate a incêndios, para evitar a colisão com linhas elétricas, que, na última década, em Portugal, originaram 15 acidentes e três mortos.

A recomendação do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), consta do relatório final à investigação do helicóptero que colidiu com linhas de alta tensão, em 05 de setembro de 2019, quando combatia um incêndio em Sobrado, concelho de Valongo, causando a morte ao piloto, Noel Ferreira, e ao qual a agência Lusa teve hoje acesso.

O GPIAAF diz que “a investigação evidenciou, à semelhança de outros acidentes com aeronaves em combate a incêndios, que este tipo de operação aérea – autorizado fora dos normais padrões internacionais de segurança que regulam a navegação aérea, pelas suas características específicas de condições adversas, motivação, foco no objetivo e auxílio à equipas no solo – conduz à tomada de riscos adicionais, cuja avaliação e controlo ficam unicamente no piloto”.

“Em particular, tal resulta frequentemente numa aproximação excessiva às linhas aéreas de transporte de energia, com resultados muitas vezes fatais, mesmo quando estas estão devidamente assinaladas, como era o presente caso. Desta forma, a investigação deixa patente a necessidade de uma reavaliação contratual das missões e dos seus objetivos primários, quando em operação próxima daqueles obstáculos, fixando zonas interditas” lê-se no relatório.

As conclusões da investigação conduziram à emissão desta recomendação de segurança às entidades, públicas e privadas, envolvidas na contratação dos meios aéreos de combate a incêndios em Portugal, “no sentido de definirem contratualmente com os operadores aéreos limites de operação em relação aos cabos de transporte de energia elétrica”.

“Recomenda-se à FAP [Força Aérea Portuguesa] que defina e estabeleça contratualmente com os operadores aéreos, limites de operação de combate aos incêndios, por forma a que esta seja interdita próximo de cabos de transporte de energia elétrica, particularmente os de média, alta e muita alta tensão em que o WPS (corta-cabos) é ineficaz, fixando uma envolvente limite a uma distância considerada como segura pela respetiva análise de risco ao tipo de aeronave”, lê-se no relatório.

A investigação acrescenta que, “atendendo a esta nova gestão contratual [dos meios aéreos de combate a incêndios ao serviço da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil – ANEPC] pela FAP, será o momento para fazer os necessários ajustes operacionais com base em experiências de eventos de segurança passados e aproveitando a oportunidade para fazer diferente”.

O GPIAAF revela que, ao longo dos anos, a indústria desenvolveu tecnologia, métodos e barreiras para mitigar este tipo de acidentes, para que o piloto não seja a única defesa para evitar as colisões com cabos, mas deixa um aviso.

“Nenhum destes sistemas funcionará, se a missão obrigar o piloto a voar propositadamente para junto dos cabos para efetuar uma largada de água sobre um incêndio. Desta forma, o treino das tripulações no reconhecimento das situações de risco potencial e como evitar a exposição a esse risco é uma ferramenta essencial ao dispor dos operadores”, vinca este organismo público.

Em complemento a este treino essencial, “atendendo à dura realidade nas consequências dos eventos nacionais com a envolvente conhecida”, os investigadores defendem que “será tempo de alterar as regras de operação, eliminando, tanto quanto possível, as condições inseguras e potenciadoras do risco”.

“Nos últimos 10 anos, ocorreram 15 eventos em Portugal envolvendo colisão com cabos, dos quais resultaram 3 mortos e 4 feridos graves”, refere o relatório.

O GPIAAF recomendou ainda à EASA (regulador europeu do setor da aviação) “que sejam emanadas regras que exijam a aplicação retroativa de soluções técnicas disponíveis no mercado para aumentar a resistência à colisão dos tanques de combustível para aeronaves de asa rotativa, em especial nos helicópteros usados em operações comerciais”.

Este organismo recomendou também ao operador Helibravo que estabeleça um procedimento operacional para tornar obrigatório o uso de capacete de proteção pelos pilotos envolvidos nas atividades de combate aos incêndios, o que não aconteceu no acidente de Sobrado.

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Bombeiros voluntários querem novos equipamentos de proteção individual

Imediatamente

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Foto: DR / Arquivo

A Associação Portuguesa dos Bombeiros Voluntários pediu hoje que sejam reforçados e substituídos imediatamente os equipamentos de proteção individual usados pelos bombeiros no combate aos incêndios rurais, que muitas vezes estão com “excesso de utilização”.

Em comunicado, a Associação Portuguesa dos Bombeiros Voluntários (APBV) refere que tem acompanhado de perto os recentes acidentes no combate a incêndios envolvendo equipas de bombeiros voluntários, sublinhando que “independentemente das circunstâncias em que ocorreram” vão ser “certamente clarificadas nas investigações” que estão a ser feitas a pedido do Ministério da Administração Interna.

Esta associação diz que há muito vem alertando para “a necessidade de reforço e de substituição dos equipamentos de proteção individual utilizados pelas equipas dos bombeiros voluntários empenhadas no combate aos incêndios rurais, que em muitas situações estão com excesso de utilização”.

Segundo a APBV, as corporações de bombeiros voluntários não recebem equipamentos de proteção individual desde 2014 e encontram-se “sem capacidade de reposição”, levando a que muitos dos equipamentos usados em combate tenham neste momento “seis anos de utilização e centenas de lavagens”.

A APBV refere ainda que na semana passada enviou um ofício ao ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, a dar conta desta necessidade, mas até ao dia de hoje não obteve qualquer resposta.

No final da reunião do Centro de Coordenação Operacional Nacional, que decorreu hoje na Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), a secretária de Estado da Administração Interna disse que está a decorrer um concurso para serem distribuídos mais de 10.000 equipamentos de proteção individual aos bombeiros.

“Ao longo dos últimos anos temos distribuído diferentes equipamentos de proteção individual por todas as corporações de bombeiros do país. Temos neste momento um concurso a decorrer para garantir o reforço dessa distribuição”, disse Patrícia Gaspar, esperando que a distribuição deste material possa ser feita com “a máxima brevidade possível”.

No sábado, um bombeiro morreu quando estava a combater um incêndio na serra da Lousã (Coimbra) e na segunda-feira quatro bombeiros sofreram ferimentos, um deles com gravidade, durante um fogo em Castro Verde (Beja).

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