Os países da NATO deverão comprometer-se com um aumento do investimento em defesa, fixando-o em 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB), durante a cimeira de Haia, nos Países Baixos, em junho, segundo fontes da organização contactadas pela Lusa.
A percentagem ainda está abaixo dos 5% de investimento do PIB exigido pelos Estados Unidos da América (EUA), mas as negociações deverão balizar entre os 3% e os 3,5% do PIB e avança esta semana com uma reunião ministerial no quartel-general da NATO, em Bruxelas, na Bélgica.
As mesmas fontes referiram à Lusa que um investimento de 3,5% do PIB em defesa é até hoje o valor mais consensual entre os 32 países do bloco político-militar e o que está mais próximo do que exigiu Washington através do Presidente republicano Donald Trump.
A concretizar-se em junho, será um aumento de 1,5% em relação ao investimento mínimo acordado e que sete países ainda não atingiram, entre eles, Portugal, Espanha, Itália, Canadá e Croácia.
Portugal, por exemplo, tinha delineado o objetivo de chegar aos 2% do PIB em defesa em 2030, mas o executivo do social-democrata Luís Montenegro atualizou no ano passado essa meta para 2029.
Em janeiro passado, durante uma visita a Lisboa do secretário-geral da NATO, Mark Rutte, Montenegro admitiu que Portugal poderia antecipar para antes de 2029 a meta dos 2% do PIB em despesas militares.
Espanha é o país que mais preocupa a organização. De acordo com uma estimativa feita pela NATO, em 2024, Madrid investiu 1,28% do PIB em defesa. O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, viajou até Madrid no final de janeiro recebeu do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, a certeza de que Espanha iria manter os 2% do PIB para 2029 e uma crítica.
“Segurança é muito mais do investir em defesa”, revelou na altura um comunicado divulgado pelo Governo espanhol após o encontro entre Sánchez e Rutte.
No entanto, durante a cimeira de Haia, deverá ser feito um apelo mais forte para que os países revejam os calendários, de modo a diminuir as discrepâncias entre os Estados-membros, adiantaram as mesmas fontes.
Na reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO, que arranca quinta-feira em Bruxelas, deverão começar a ser discutidos os novos compromissos, que incluem a “partilha de esforços” entre os 32 países da NATO.
Hoje, numa conferência de imprensa para fazer uma antecipação da reunião ministerial, Mark Rutte revelou que em Haia vai ser pedido “aos aliados que invistam consideravelmente mais do que 3%” do PIB”, sem avançar, no entanto, com uma meta concreta.
A cimeira de Haia é aguardada com expectativa, uma vez que é a primeira desde que Donald Trump regressou à Casa Branca (presidência norte-americana). Durante o seu primeiro mandato (2017-2021), Donald Trump foi um ávido crítico da NATO e chegou a ameaçar abandonar a organização.
O Presidente dos Estados Unidos é da opinião de que a balança está desequilibrada, com Washington a investir muito mais do que generalidade dos países europeus.
Fontes da NATO contactadas pela Lusa, algumas de países europeus, consideraram que Donald Trump não está longe da verdade e que durante décadas o braço europeu da Aliança Atlântica perdeu força e criou uma sobredependência de Washington.
Dos 32 Estados-membros da NATO, 23 são também da União Europeia e as fontes que falaram com a Lusa disseram estar com expectativa das iniciativas anunciadas pela Comissão Europeia para relançar a base industrial de defesa do bloco comunitário e para aumentar a aquisição de armamento e equipamentos militares.
Na cimeira também deverão ser definidas as capacidades que estão em falta. No último ano, a NATO fez um levantamento das capacidades que cada país tem, e de quais é que necessitam.
O objetivo é colmatar falhas em vários países e incentivar as sinergias na Aliança Atlântica, numa altura em que a Rússia está há vários anos com uma economia de guerra e a canalizar o investimento para a invasão ao território ucraniano.
A reunião de quinta e sexta-feira será um ‘pontapé de saída’ para os compromissos que os países da NATO querem firmar na cimeira de junho.
O assunto será alvo de nova discussão em maio, durante uma reunião em Antália, na Turquia, para acertar pormenores e chegar a um valor final de investimento do PIB em defesa.