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Braga

Pagamento de “portagens” no acesso ao Bom Jesus de Braga divide visitantes

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A perspetiva de cobrança de “portagens” aos automóveis que entrem no recinto junto à Basílica do Bom Jesus, em Braga, está a dividir opiniões entre os visitantes.

A Confraria do Bom Jesus, que instalou à entrada do recinto um “pórtico” que indicia o pagamento de portagens e “anunciou” o valor de um euro por cada automóvel, refere agora que este mês e no próximo ninguém paga e sublinha que ainda está a estudar “as melhores soluções” para limitar o acesso de veículos.

“Já temos de pagar 50 cêntimos para urinar [em instalações sanitárias de acesso condicionado], agora parece que querem cobrar um euro por automóvel, daqui a pouco teremos certamente de pagar uma taxa qualquer pelo ar que respiramos ou por cada Avé, Maria que rezamos”, criticou José Dias, um bracarense que se confessa visitante habitual daquela estância.

As críticas são corroboradas por Alberto Martins, de Barcelos, que foi surpreendido com a “praça de portagens” recentemente instalada à entrada do recinto da basílica, quando entrava de carro cheio para uma visita ao Bom Jesus.

“Se isto for para pagar, não volto cá”, referia.

Por um diapasão diferente afina Francisco Pereira, de Leiria, que dizia entender a eventual cobrança da entrada e que sublinha que essa é uma prática que já não é nova no país.

“Já paguei cinco euros para entrar na Mata do Buçaco, sei que se paga para entrar no [Parque Nacional da Peneda] Gerês, há vários sítios onde se paga. É claro que ninguém gosta de pagar, mas toda a gente gosta de chegar e encontrar um património construído e natural bem cuidado”, refere.

Em 2014, a Confraria do Bom Jesus começou a cobrar pelo estacionamento de autocarros junto à basílica, num valor que varia entre os 10 e os 15 euros, consoante a lotação do veículo.

Recentemente, foi instalado à entrada do recinto da basílica um “pórtico” que indicia o pagamento de portagens e “anuncia” o valor de um euro por cada automóvel.

“Os visitantes podem estar descansados, que a taxação não está para breve. Neste mês e no próximo, ninguém vai pagar. Depois, logo se vê”, refere o presidente da Confraria.

Varico Pereira admite que há o objetivo e a necessidade de “controlar a afluência do tráfego” e que “ainda estão a ser estudadas as melhores soluções”.

Sublinha que o Bom Jesus já está na lista indicativa portuguesa dos candidatos à classificação de património da Humanidade pela Unesco e lembra que o sucesso da candidatura passará, obrigatoriamente, pela elaboração de um “plano de gestão” da basílica e recinto e mata envolventes, com uma área superior a 25 hectares.

Diz ainda que “a primeira reação” das pessoas é sempre contestar um qualquer pagamento, mas manifesta-se convicto de que, com calma e com ponderação, “tudo se resolverá a contento de todos”.

“Se se cobrar um euro por automóvel e se o automóvel levar cinco pessoas, estamos a falar de 20 cêntimos por pessoa”, argumenta.

Na última década, a Basílica do Bom Jesus conheceu obras e restauros no valor de 18 milhões de euros, mas ainda são necessários mais dois milhões de euros para concluir as intervenções.

Tudo, como salienta Varico Pereira, em nome de um Bom Jesus “mais bonito, mais acolhedor e mais atrativo”.

 

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