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Nas ruas “desertas” de Lisboa, taxistas arriscam por “golpe de sorte”

Covid-19

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Foto: DR / Arquivo

Com as praças “cheias de ninguém”, os taxistas continuam nas ruas de Lisboa, ainda que hoje estejam “desertas”, enfrentando a pandemia do novo coronavírus, um risco em busca de um “golpe de sorte”, numa viagem até que apareçam passageiros.

Junto à estação de comboios de Santa Apolónia, em Lisboa, o relógio continua a marcar o passar das horas, mas o tempo parece não chegar para trazer clientes à praça de táxis. Nem mesmo em dia de domingo, com o sol a brilhar na capital. O novo coronavírus transformou este e os próximos tempos em dias de família, vividos dentro de quatro paredes, deixando para mais tarde o lazer ao ar livre.

“Há uns dias para cá que não se faz complementarmente nada. Passamos aqui 12 horas para fazer dois, três serviços, porque também há pouca gente na rua e pouca gente utiliza os táxis”, afirmou à Lusa Augusto Castro, taxista há mais de duas décadas na cidade de Lisboa.

Com a viatura parada, pelas 16:00 de hoje, na praça de Santa Apolónia, onde estavam mais sete táxis à espera de serviços, tempo aproveitado por alguns motoristas para jogar as cartas e pôr a conversa em dia, Augusto Castro contou que já pondera ficar em casa, mas continua na rua para suportar os gastos diários.

Num domingo normal, faturava, “pelo menos 80, 90, 100 euros”. Agora, “faz-se 20 ou 30 euros, e é quem consegue fazer”, adiantou o taxista.

“Ontem [sábado], por exemplo, em todo o dia, fiz um serviço”, referiu Augusto Castro, acrescentando que, “durante a semana, sempre se vai fazendo mais um serviço ou outro, com as pessoas que estão a trabalhar, agora sábado e domingo foi completamente parado”.

Para evitar que o novo coronavírus se propague, os taxistas rejeitam o transporte no banco da frente e desinfetam as viaturas, inclusive os puxadores das portas.

Apesar de se manter a trabalhar, Augusto Castro confessou ter “bastante receio” de ser contagiado pela doença covid-19 e transportar o vírus para casa.

“Julgo que isto vai ser diabólico. Eu sou empregado, mas até as firmas deve ser muito difícil de conseguirem fazer face a tudo isto, se não tiverem alguma ajuda”, declarou o taxista, considerando que o setor empresarial precisa de apoio para sobreviver a estes tempos de crise, em que “está tudo arruinado completamente”.

Com a mesma resistência para continuar nas ruas de Lisboa, os taxistas da praça do Jardim Zoológico repetem as queixas de que está “muito mau” para o setor.

“Não há nada que fazer, andamos aqui de um lado para o outro, mas não se faz nada, não se vê ninguém, isto parece um deserto e não se faz nada de jeito. Por muito que a gente queira andar, chega a altura que não compensa andar”, disse Octávio Lúcio.

Adiantando que há colegas que decidiram parar, uns porque têm “medo da situação” e outros porque “não há que fazer”, o taxista explicou que o setor já andava mal, mas a covid-19 veio “acabar com o resto”.

Com a esperança que “haja algum servicito ou outro que compense”, Octávio Lúcio arriscou fazer frente ao vírus e continua a sair para trabalhar, mas não tem memória de uma crise tão grave como esta.

“Por muito que a gente se tente resguardar, é sempre difícil, as pessoas não trazem letreiros, é um risco”, expôs o taxista, referindo que, apesar de equipado de máscaras, luvas e desinfetante, “não há defesa nenhuma”.

Neste momento, a principal procura é de pessoas idosas que chamam um táxi para ajudar no transporte das compras de supermercado, “nem que seja andar 300 ou 400 metros, para não carregarem com as coisas”.

Sem ordenado fixo e com menos trabalho, Octávio Lúcio está já consciente de que vai sofrer com esta crise: “Ganhamos à percentagem, se fizermos, faz-se alguma coisa. Se não fizermos, vamos com as mãozinhas vazias para casa, o que tem acontecido agora nestes últimos dias”.

Taxista há 32 anos, José Gomes partilhou o mesmo relato que os colegas, de que “tem sido muito difícil” o impacto do estado de emergência devido à covid-19.

“Há pessoas, e acho em parte bem que estão a zelar pela segurança delas próprias e dos outros, então ficam em casa e não saem. Vê-se os transportes da Carris praticamente vazios também e os táxis então nem se fala, dependendo de um golpe de sorte”, avançou o taxista, junto à praça do Jardim Zoológico, onde se sente a falta do corrupio de pessoas.

Prevendo que, “depois de o vírus passar, nada vai ser como antes, até ao nível das pessoas se cumprimentarem, vai ser totalmente diferente”, José Gomes considerou que os próximos meses serão “muito difíceis, não só no setor dos transportes públicos, mas a todos os níveis”.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 308 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 13.400 morreram.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Em Portugal, há 14 mortes e 1.600 infeções confirmadas.

Portugal encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de quinta-feira e até às 23:59 de 02 de abril.

Além disso, o Governo declarou na terça-feira o estado de calamidade pública para o concelho de Ovar.

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PJ apreendeu mais de duas toneladas de cocaína

Crime

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Foto: Ilustrativa / PJ

A Polícia Judiciária (PJ) apreendeu mais de duas toneladas de cocaína e deteve três homens por suspeita de integrarem uma organização criminosa transnacional dedicada à introdução de grandes quantidades de droga na Europa por via marítima.

Em comunicado, a PJ diz que a operação ‘Ice Cream’, desenvolvida nos últimos dias, envolveu a Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes e a Autoridade Tributária e Aduaneira.

No decurso da operação, foram apreendidas mais de duas toneladas de cocaína (cerca de 2.300Kg) e detidos três homens, com idades compreendidas entre os 34 e os 50 anos, “fortemente indiciados de integrarem uma organização criminosa transnacional, dedicada à introdução de grandes quantidades de cocaína no continente europeu”, por via marítima.

“Esta ação foi o culminar de uma investigação de âmbito internacional, desenvolvida pela Polícia Judiciária durante vários meses e que contou com a colaboração da Policia Federal do Brasil”, acrescenta a PJ.

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Ordem dos Médicos favorável ao uso de máscaras pela população

Covid-19

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Foto: DR

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, mostra-se favorável à utilização de máscaras de proteção pela população e reiterou o apelo à realização de testes ao contágio pelo novo coronavírus a todos os profissionais de saúde.

“A utilização de máscara serve para evitar que eu passe a infeção a outra pessoa”, disse Miguel Guimarães, recomendando a utilização deste equipamento de proteção individual para “toda a gente que frequente locais públicos”, incluindo nos hospitais, centros de saúde e superfícies comercias, como, por exemplo, supermercados.

O bastonário da Ordem dos Médicos falava durante uma ‘comemoração virtual’ do Dia Mundial da Saúde, uma iniciativa promovida pela Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, onde realçou que o uso de máscaras de proteção poderia “ser uma atitude que melhoraria o combate” contra a pandemia da doença provocada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2).

Miguel Guimarães enalteceu também a importância de “testar todos os profissionais de saúde que têm mais exposição” à covid-19, de “15 em 15 dias”, acrescentando que devia ser “uma imagem de marca” de Portugal na mitigação da pandemia.

Em consonância com o bastonário da Ordem dos Médicos, a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, sublinhou que “é preciso testar continuamente e sem tréguas” os profissionais de saúde.

Ana Rita Cavaco explicitou que há “2.000 enfermeiros em casa” – em isolamento por prevenção, uma vez que poderão estar infetados – e que não estão a ser testados.

“Destes 2.000 haveria muitos que estariam negativos [os resultados dos testes à presença do novo coronavírus] e poderiam estar a ajudar os colegas, e outros estariam positivos” e não poderiam continuar a trabalhar, prosseguiu.

Nesta iniciativa estiveram também presentes o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro da Silva, a membro da direção nacional da Ordem dos Farmacêuticos, Ema Paulino, a bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento, o bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários, Jorge Cid, a representante do Fórum das Tecnologias da Saúde, Melissa Cravo, e a bastonária da Ordem dos Psicólogos, Isabel Trindade.

Isabel Trindade aproveitou a intervenção de cinco minutos para referir que “a saúde física está em risco, mas a saúde psicológica também”.

A bastonária da Ordem dos Psicólogos realçou que a utilização de máscaras “faz todo o sentido”, mas, no entanto, não se pode “dizer à população para utilizar máscaras se a população não tem acesso” a estes equipamentos.

“Estar a assustar mais as pessoas do que aquilo que elas já estão, não sei se do ponto de vista da saúde psicológica não vai ser pior”, afirmou, acrescentando que é preciso fazer com que as pessoas tenham acesso às máscaras.

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Misericórdias pedem a hospitais que deixem de devolver idosos infetados a lares

Covid-19

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Foto: O MINHO / Arquivo

O presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) pediu hoje que os hospitais deixem de devolver idosos infetados aos lares por estes não terem condições nem recursos, e propôs a definição de instalações próprias para esse acolhimento.

Para Manuel Lemos, devolver um idoso com covid-19 ao lar significa “pôr a raposa dentro do galinheiro”, porque os lares não têm condições nem estrutura” para tal e o “vírus propaga-se”.

Referindo que a entrega aos familiares também não é solução, Manuel Lemos propôs a criação de instalações específicas para acolher idosos que testem positivo para covid-19, seja selecionando um lar por concelho ou distrito para o efeito, ou montando um hospital de campanha.

O importante, referiu, é que nesses locais estejam disponíveis todos os recursos humanos e de equipamentos necessários para o tratamento dessas pessoas, e haja uma via aberta para os hospitais.

“Deixar ficar pessoas positivas nos lares de idosos sem se reforçarem os recursos de saúde não é digno e é preciso dizê-lo”, afirmou Manuel Lemos.

O presidente da UMP disse que defende, há muitos anos, a necessidade de mudar a situação dos lares, mas o Estado “não tem tido condições de fazer alterações significativas, à semelhança do que se fez em França, por exemplo, na forma de acolher os idosos”.

“Deixar as pessoas num lar sem profissionais de saúde é uma situação anómala que tem de ser resolvida muito rapidamente, as misericórdias, as instituições sociais nenhuma tem condições para cuidar dos seus idosos” doentes, afirmou.

Faltam condições para prestar assistência médica e até estruturas adequadas para respeitar o distanciamento social, sublinhou, referindo que a lei determina que nos lares devem existir apenas 25% de quartos individuais, sendo os restantes duplos ou triplos.

Por lei, disse, os lares não têm capacidade para funcionar como unidades de saúde, uma vez que está determinado que têm um enfermeiro para 40 utentes, o que considerou insuficiente para tratar pessoas doentes.

Manuel Lemos defendeu também que, neste momento, deviam estar a ser feitos “testes em massa” para “dar tranquilidade às pessoas e aos profissionais” e em caso de testes positivos deviam estar a ser distribuídos “EPI em massa”, referindo-se aos equipamentos de proteção individual.

Sobre a entrega de EPI, disse que as instituições andam há um mês a ouvir o Governo dizer que “é para amanhã”, mas que “não há meio de avançar”.

Sem precisar, referiu que “há muitíssimos” lares em que não foi feito qualquer teste e que naqueles em que se realizaram isso aconteceu sobretudo devido à ação das autarquias.

As orientações da Direção-Geral da Saúde (DGS), hoje emitidas, que limitam a admissão de novos utentes nos lares à submissão prévia a um teste de despiste merecem o acordo de Manuel Lemos, que deixa, no entanto, o alerta de sempre: “É preciso é que os testes cheguem às instituições”.

Sobre a nomeação de cinco secretários de Estado para coordenar a resposta à pandemia, Manuel Lemos disse esperar que sirva para “racionalizar um bocadinho esta intervenção”, com efeitos na distribuição de EPI.

O presidente da UMP manifestou ainda a disponibilidade do setor social para trabalhar com o Estado e lembrou que os hospitais das misericórdias podem ajudar a aliviar o Serviço Nacional de Saúde, acolhendo doentes de outras patologias.

A pandemia de covid-19 provocou já 345 mortos em Portugal, onde a DGS confirmou 12.442 casos de infeção desde o início de março.

Dos infetados, 1.180 estão internados, 271 dos quais em unidades de cuidados intensivos, e há 184 doentes que já recuperaram.

Portugal está em estado de emergência desde 19 de março, e até 17 de abril, depois de o prazo constitucional de 15 dias para esta situação ter sido prolongado na quinta-feira.

A nível mundial, a pandemia de covid-19 fez já mais de 80 mil mortos e infetou cerca de 1,4 milhões de pessoas.

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