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Guimarães

Maria João foi ao The Voice. Não virou cadeiras, mas comoveu com vivência junto de refugiados

Primeira mestre em educação não formal de adultos em Portugal é de Guimarães

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Foi por um triz que Maria João Faria não conseguiu virar as cadeiras do júri do The Voice, programa de caça-talentos da RTP. A interpretação de “Dog Days Are Over”, tema de Florence & The Machine, não foi suficiente para convencer os quatro elementos a dar-lhe o passaporte para a fase seguinte.

No entanto, seria o trabalho desenvolvido junto de refugiados a comover os presentes começar pela apresentadora Catarina Furtado: “se toda a gente tivesse esta preocupação como a Maria João tem, o mundo seria mais justo”, disse pouco antes da vimaranense entrar em palco.

Marisa Liz elogiou o timbre e depois de saber a área onde estava a trabalhar deu-lhe os parabéns. “Não desistas se é isso mesmo que queres”. Diogo Piçarra pediu aplausos e referiu: “não desistas desse teu trabalho que é de louvar”.

É então que António Zambujo quer saber mais sobre o projeto: “o meu trabalho de mestrado foi sobre integração de refugiados”, explicou as actividades que fez e resumiu: “somos um país que acolhe bem os refugiados”. Catarina Furtado voltou a saudar efusivamente e o fadista acrescentou: “era bom que fosse assim no mundo inteiro”.

“És um orgulho e só espero que influencies muita gente a fazerem um bocadinho daquilo que fazes”, disse-lhe Marisa Liz e nas despedidas, abraçada a Maria João, Áurea segredou-lhe: “parabéns, é incrível aquilo que tu fazes”.

Atitude passiva

Ainda existe uma atitude passiva, na região do Minho, em relação aos refugiados. Maria João Faria desenvolveu um estudo, no âmbito da tese de mestrado, junto de famílias de refugiados, em Guimarães.

“Penso que ainda existe muito a mentalidade e a atitude passiva em que não se discrimina, mas também não existe aquela proximidade e preocupação em conhecer a realidade”, referiu a investigadora contactada por O MINHO, ainda que “na generalidade, os refugiados sejam relativamente bem recebidos e integrados”.

“Obviamente” que as questões políticas têm influência no acolhimento dos refugiados. “Portugal ainda acolhe, mas para que o acolhimento possa ser mais efetivo, devemos deixar de lado o egoísmo e o preconceito. Existe receio ou preconceito em ajudar a integrar estas pessoas que passaram e passam por situações em que não imaginamos sequer o sofrimento”.

A nível mais local, nas autarquias, nos gabinetes de apoio aos migrantes, dever-se-ia questionar sobre “a forma como podemos ajudar estas famílias. Existem associações, lojas sociais, apelos no Facebook de voluntários que ajudam diariamente refugiados. Basta parar para refletir e termos de fato vontade de ajudar”.

Maria João Faria foi a primeira mestre em educação não formal de adultos em Portugal com refugiados. “No último ano do mestrado é-nos dada a oportunidade de escolher um público-alvo para fazermos o nosso estágio, que tem a duração de aproximadamente nove meses. Escolhi então os refugiados”.

Os primeiros contactos surgiram através da Segurança Social que indicou duas famílias. “O trabalho de intervenção foi sendo feito nas residências dessas famílias e em algumas cidades portuguesas”.

Uma das famílias é oriunda do Congo e a segunda, um casal cujo marido é do Bangladesh e a esposa da Ucrânia.

Dificuldades

Maria João Faria reconhece que, na fase inicial sentiu “algumas dificuldades sobretudo por parte da segunda família, oriunda da Ucrânia, que demonstrou alguma resistência em ser ajudada e em compreender a minha função”.

Segundo a investigadora “a família tinha um historial complicado, pois já haviam sofrido de racismo e discriminação em três países onde não conseguiram integrar-se”.

Por isso, foi necessário conquistar a confiança “com pequenos gestos”, que passaram por aulas de português, à recolha de brinquedos e alimentos, ou à organização de almoços de convívio com outras famílias refugiadas”.

Para além da comunicação verbal, também o problema da cultura religiosa se levantou: “dada a variedade na cultura religiosa das famílias (islâmica, católica evangélica e ortodoxa), senti alguma dificuldade em realizar algumas visitas guiadas em que estivesse incluída a visita a santuários ou monumentos religiosos católicos”.

IntegrArte

A experiência com refugiados levou à criação de um projeto comunitário intitulado: IntegrArte. “Não é mais do que inserir a arte como uma estratégia de inclusão de pessoas refugiadas na nossa sociedade”.

E sendo Maria João uma pessoa ligada à educação, “acredito que a educação e a cultura podem ajudar na mudança de mentalidades e a melhorar o mundo”, o projeto teria que integrar as duas componentes.

O ‘IntegrArte’ foi realizado nas residências das famílias e em várias cidades portuguesas.

“Criei um atelier de língua portuguesa para que estas famílias aprendessem a ler e a escrever em português pela via não-formal, através do alfabeto analógico. Diariamente, conciliando com horários de trabalho e das aulas das crianças, auxiliei na questão oral e escrita destas famílias, para que assim tivessem uma melhor integração na nossa sociedade”.

A gastronomia foi outro ponto de união: não só “para incitar uma maior proximidade com a sociedade portuguesa e dar a conhecer a cultura e as tradições portuguesas” mas também para que as famílias pudessem mostrar a sua cultura.

Há ainda um atelier de jogos, que “teve também um forte impacto neste projeto”, realizado em parceria com Alberto Pereira da Associação Cidade Curiosa de Braga e com o projeto Integration Game desenvolvido por Nuno Pedro Fernandes, onde foram desenvolvidas várias sessões de jogos de tabuleiro com estas famílias.

A música não podia faltar com quem Maria João tem uma relação muito próxima, com a criação de um atelier, “em que as famílias escreveram uma letra com os três idiomas. As famílias criaram também a melodia para essa letra, e assim se criou um tema musical”.

Moreira de Cónegos

Maria João Faria começou o seu percurso escolar em Moreira de Cónegos onde esteve até ao terceiro ciclo e conciliando a música, aulas de guitarra e canto. O Secundário foi em Vizela e na área de Línguas e Humanidades.

No final do ensino secundário, concorreu para o curso Ciências Musicais na Universidade do Minho, contudo “não passei numa das provas e como adorei desde sempre a áreas das letras e a área social, falaram-me do curso de Educação na Universidade do Minho, achei que poderia aliar, no futuro, a música e qualquer tipo de arte à educação e vice-versa”.

Neste momento realiza um estágio profissional como animadora sociocultural na Santa Casa da Misericórdia de Vizela, no Lar Torres Soares e no futuro, “gostaria de continuar a trabalhar com refugiados, mais especificamente no auxílio à integração e empoderamento deste público”.

Escolha dos refugiados

Antes de iniciar o estágio, na fase em que estava a decidir o tipo de público e intervenção que iria desenvolver, a orientadora, Clara Costa Oliveira, sugeriu a intervenção com refugiados.

“Nunca me tinha ocorrido intervir com este público, pois até então, ninguém do mestrado de EAIC tinha elaborado um projeto de mestrado com refugiados. Decidi agarrar o desafio, pois considerei o tema tão pertinente e ao mesmo tempo carente de intervenção por parte de profissionais desta área”.

Conheceu de forma mais aprofundada a situação e a crise dos refugiados em Portugal e no mundo, bem como a situação geopolítica e socioeconómica destes países.

“A questão cultural e religiosa, teve também um forte impacto na minha intervenção pois trabalhei com três religiões e nacionalidades diferentes, consequentemente aprendi imenso sobre a religião destas famílias e as suas tradições”.

Não se arrependeu: “foi das melhores experiências da minha vida”. Na edição deste domingo do The Voice não virou cadeiras mas espera-se que “tenha influenciado, um bocadinho”, as pessoas que a viram e ouviram.

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Ave

Guimarães cancela todos os eventos desportivos

Covid-19

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Multiusos de Guimarães. Foto: Divulgação / CM Guimarães

A Câmara de Guimarães anunciou hoje o concelamento de todas as atividades e eventos desportivos em curso e agendados, casos da Gala do Desporto, a Liga Mini, os Jogos da Comunidade e a Meia Maratona Cidade de Guimarães – Corrida dos Conquistadores.

Em comunicado, a autarquia realça que “esta decisão decorre na linha das medidas de prevenção determinadas pelo presidente do Município, Domingos Bragança, anunciadas a 10 de março, como o encerramento dos pavilhões Multiusos e INATEL e Academia de Ginástica, a restrição dos pavilhões escolares a uso externo, a suspensão de todos os eventos, atividades e projetos municipais de grande escala, a suspensão de todas as feiras no território concelhio, o cancelamento das visitas de lazer, turismo ou âmbito cultural ao edifício da Câmara Municipal e ainda o encerramento de todos os equipamentos culturais”.

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Guimarães

Vitória, Cristiano, Jorge Mendes e Nuno Espírito Santo doam equipamento a Guimarães

Covid-19

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Foto: DR / Arquivo

O Vitória de Guimarães ajudou os cuidados intensivos do Hospital Senhora da Oliveira, em Guimarães, no âmbito da pandemia da covid-19, numa parceria com outros agentes do futebol, confirmou hoje à Lusa fonte oficial do clube.

A iniciativa do emblema da I Liga portuguesa, em conjunto com o treinador Nuno Espírito Santo, que iniciou a carreira de guarda-redes em Guimarães, em 1993, e orienta hoje os ingleses do Wolverhampton, com o jogador Cristiano Ronaldo, da Juventus (Itália), e com o empresário Jorge Mendes, garantiu uma central de monitorização para a nova unidade cuidados intensivos do hospital.

O Hospital Senhora da Oliveira, explicou fonte oficial da instituição do hospital à Lusa, garantiu, com esta ação, oito monitores fixos, oito monitores de transporte e “uma ligação à monitorização central” para a unidade de cuidados intensivos criada no âmbito da pandemia.

“Com este equipamento, um médico pode monitorizar os estados de oito doentes ao mesmo tempo”, explicou.

Os materiais oferecidos, realçou ainda a fonte do hospital, são uma “enorme mais-valia face aos meios atualmente existentes, permitindo otimizar os cuidados médicos prestados aos doentes”.

A iniciativa quadripartida garantiu também equipamento de proteção individual aos profissionais do hospital.

O Hospital Senhora da Oliveira serve, de forma direta, mais de 240.000 pessoas, dos concelhos de Guimarães, Vizela, Fafe, Cabeceiras de Basto e Mondim de Basto.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 1,2 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 68 mil e recuperaram mais de 238 mil.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Em Portugal, que se encontra em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março e até às 23:59 de 17 de abril, já se registaram 311 mortes, mais 16 do que na véspera (+5,4%), e 11.730 casos de infeção confirmados, mais 452 face a domingo (+4%), segundo a atualização de hoje da Direção-Geral da Saúde (DGS).

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Guimarães

95 condutores sem justificação para entrar em Guimarães voltaram para casa

Covid-19

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Foto: O MINHO

Decorreu este domingo uma megaoperaçao levada a cabo pelo posto territorial da GNR de Guimarães, não só de fiscalização mas também de aconselhamento de condutores e passageiros face às regras de confinamento impostas devido à pandemia de covid-19.

A operação decorreu em quatro locais – eixos de entrada e saída do concelho – e serviu também para mentalizar os ocupantes das viaturas a ficarem em casa durante este domingo.

Foto: O MINHO

O MINHO falou com o capitão Orlando Rodrigues, comandante da GNR de Guimarães que liderou a operação rodoviária, de onde não resultaram condutores ou passageiros detidos.

Mas 95 condutores tiveram de acatar uma ordem de regresso, um acatamento, por não terem justificação válida para circular na estrada. Motivos de lazer não foram tolerados pelas autoridades.

“A nossa intenção era sensibilizar as pessoas para que fiquem em casa, não só os condutores mas também os passageiros”, explicou o comandante, revelando que foram fiscalizadas 804 viaturas e 1.026 passageiros.

Foto: O MINHO

“A maior parte ia às compras, às farmácias ou prestar assistência a familiares, mas mesmo a esses foi aconselhado que evitassem ao máximo as deslocações durante este período”, acrescentou o capitão Rodrigues.

“Apelámos também às pessoas para que se restrinjam às regras que estão a ser veiculadas pelas autoridades e pela comunicação social”, disse ainda.

Algumas viaturas seguiam com vários passageiros, pelo que lhes foi aconselhado a evitarem esse tipo de deslocação. “Quem ia às compras, foi recomendado que evitasse levar passageiros, até porque isso já foi várias vezes veiculado”, explicou a autoridade policial.

Foto: O MINHO

A operação dividiu-se em quatro pontos: rotunda de Silvares, junto à saída da A11, nas freguesias de Infantas e de Ponte (EN 101) e ainda na EN 105, na rotunda que dá acesso a Vizela.

De acordo com as restrições à circulação aprovadas por decreto do Governo sobre o Estado de Emergência, para além de motivos profissionais, só é permitida a circulação para aquisição de bens e serviços, por motivos de saúde, a estações e postos de correio, agências bancárias e agências de corretores de seguros ou seguradoras, para atividade física de curta duração e apenas sozinho e para passear animais de companhia.

Vão ser também proibidas deslocações para fora do concelho de residência no período da Páscoa, entre 09 e 13 de abril.

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