Lançado guião de práticas de combate à violência para as empresas

“Custo médio de uma vítima de violência doméstica para um cidadão ou cidadã é de 250 euros”
Lançado guião de práticas de combate à violência para as empresas

O guião é uma medida da Estratégia Nacional para a Igualdade e a Não Discriminação e foi desenvolvido pelo Conselho Económico e Social e foi coordenado pela investigadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Madalena Duarte.

O novo documento tem como objetivo “promover mais conhecimento sobre a necessidade de envolvimento e o modo como a violência doméstica e a esfera laboral estão conectadas e fornecer um guião que seja um instrumento de trabalho com linhas orientadoras, com medidas e ações específicas que as empresas e organizações pudessem recorrer”, disse Madalena Duarte.

A investigadora afirmou que, com base num cálculo feito pela equipa de investigadores, o “custo médio de uma vítima de violência doméstica para um cidadão ou cidadã é de 250 euros”.

“É um impacto na sociedade e isto apela à responsabilidade de todos nós. Uma vítima tem necessidade de recorrer mais vezes a unidades de saúde, para desenvolver quadros de depressão, de abstinência laboral, falta de concentração e tal traduz-se numa diminuição de produtividade desta vítima”, disse a coordenadora no lançamento do guião.

Este guião de boas práticas destina-se às empresas, para que possam desenvolver um quadro de prevenção de combate à violência doméstica dentro das próprias organizações.

À margem do lançamento do guião, a secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro, disse à Lusa que, “apesar de difícil, Portugal está num bom caminho no combate à violência e desigualdade de género”

“É um caminho difícil, os ganhos são mais lentos do que aquilo que desejamos porque na raiz mais profunda da violência contra as mulheres está a desigualdade de género. É um crime público que temos de intervir em todas as dimensões”, afirmou a governante.

Rosa Monteiro considerou que o lançamento do guião de boas práticas para as entidades empregadoras é fundamental, pois passam “a reconhecer os impactos internos da violência que não acontecem só na esfera doméstica”.

“Este é um guia muito importante porque é uma ferramenta muito concreta para que as empresas possam atuar. E este é um caminho que se tem de fazer. Tem de se trabalhar em todos os âmbitos e este universo do mercado de trabalho é fundamental”, acrescentou a secretária de Estado.

Em conferência de imprensa na Presidência de Conselho de Ministros, em Lisboa, para fazer o balanço das medidas apresentadas em agosto de prevenção e combate à violência doméstica, a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva revelou que, de janeiro e até ao dia de hoje, tinham sido mortas 33 pessoas em contexto de violência doméstica.

 
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