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Junta de Anha autoriza trasladação de urna de ex-pároco contra vontade da população

Alto Minho

Junta de Anha autoriza trasladação de urna de ex-pároco contra vontade da população

O autarca de Vila Nova de Anha, em Viana do Castelo, vai autorizar a trasladação da urna do antigo padre da freguesia para a terra natal, cumprindo um requerimento da família e contra a vontade da população.

O anúncio foi feito por Rui Matos na quinta-feira à noite, em Assembleia de Freguesia perante mais de 200 pessoas.

O autarca social-democrata explicou que se trata de uma decisão “da razão” porque, neste caso, a Junta de Freguesia “não tem coração”.

“A lei é muito clara. Tal como consta do decreto-lei 411/98 a legitimidade de requerer a traslação da urna cabe primeiro ao testamenteiro. Não havendo, passa para o cônjuge vivo e, em terceiro lugar, a qualquer herdeiro. Foi na qualidade de cabeça de casal que um dos oito herdeiros requereu a trasladação da família”, sustentou.

Em causa está a urna do antigo pároco de Vila Nova de Anha, encontrado sem vida na casa paroquial em fevereiro de 2013, que se encontra depositada num jazigo no cemitério daquela freguesia da margem esquerda do rio Lima.

Em maio passado, os oito irmãos requereram a traslação da urna do sacerdote para a Vila de Punhe, de onde a família é natural.

Rui Matos adiantou que “o mais tardar na segunda-feira” o despacho da autorização será assinado, permitindo a mudança imediata dos restos mortais do antigo pároco.

A população presente no salão de festas da freguesia manifestou o seu desagrado, tendo sido apresentadas propostas que passam por um referendo popular ou a instauração de uma providência cautelar, como forma de impedir a intenção dos familiares do antigo pároco.

Na sua intervenção, o padre atual, Alfredo Sousa, considerou que a posição da família “é imoral” depois de inicialmente “ter anuído” que o antigo sacerdote ficasse depositado no cemitério da paróquia onde prestou serviço durante 28 anos.

“Depois do esforço financeiro que a paróquia fez para construir um jazigo que teve como causa única a anuência da família é imoral o que se está a passar”, sustentou o pároco, referindo-se aos 50 mil euros angariados pela população para a construção daquela estrutura no cemitério local.

Alfredo Sousa garantiu que “há outras formas de desagrado para impedir a trasladação” que irão ser decididas numa Assembleia Paroquial “a realizar ainda este mês”.

“Estou ao lado da paróquia para tudo o que vier a ser decidido”, frisou.

Um ano antes da morte, o ex-pároco viu-se envolvido num caso de extorsão por parte de duas prostitutas cabo-verdianas, com quem travou conhecimento através da Internet.

Rui Matos garantiu que a Junta de Freguesia, a quem cabe a administração do cemitério local, “levou ao limite a tomada de uma decisão mas não tinha outra solução senão cumprir a lei e autorizar a trasladação da urna”.

“Bastava a habilitação de herdeiros e a identificação do cabeça de casal, mas pedimos mais documentação. Pedimos também que fosse anexada a autorização de todos os irmãos e foi-nos entregue. Estão reunidas todas as condições para dar provimento ao pedido”, sustentou.

“A Junta de Freguesia não procura conflitos nem quezílias, mas não viramos a cara à luta em defesa do interesse da população e estará sempre ao lado dos seus eleitores”, disse.

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