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Desporto

Interrupção global foi “um baque” para desportistas de elite

Covid-19

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Foto: DR

Os atletas de alto rendimento manifestam abalos emocionais desde a interrupção súbita e por tempo indeterminado das provas desportivas, que levanta mais hesitações que certezas em pleno combate à pandemia da covid-19.


​​“Ao fim de uma semana sem competições, muitos daqueles com quem trabalho já me dizem que estão com saudades da bola. Embora estejam com planos de treino definidos pelos clubes e mantenham a forma física, claramente estão a ter um baque. Não falta só aquela adrenalina de quem tem jogos todas as semanas, mas também o contacto diário com os colegas e com a bola”, reconheceu à agência Lusa o psicólogo Jorge Silvério.

Se a sensibilidade com o esférico tende a desvanecer nas próximas semanas, o especialista sublinha que as relações sociais devem ser preservadas através das novas tecnologias, efetuando “videochamadas e telefonemas com familiares e amigos” para compensar as restrições comunitárias decretadas pelo estado de emergência.

“Felizmente, há ferramentas que podem ajudar a lidar com isto. Aos atletas, tenho aconselhado a manutenção das rotinas sem que se desmazelem. Saber que têm qualquer coisa definida todos os dias é um apoio muito importante, tal como o exercício físico, que ajuda a manter a forma e a lidar com ansiedades ou eventuais depressões”, frisou.

Primeiro mestre em Psicologia do Desporto no país, área na qual se doutorou pela Universidade do Minho, Jorge Silvério trabalha a faceta anímica de mais de cem praticantes, treinadores e equipas de várias modalidades, que partilham “inquietações e problemas de motivação, confiança e controlo emocional” face aos impactos da covid-19.

“Sendo humanos, obviamente estão temerosos do que possa acontecer. Uma atleta telefonou-me de madrugada preocupada, porque estava com tosse e achava que poderia ter coronavírus, mas nada se confirmou. Além deste medo, há toda a incerteza, como o caso dos futebolistas, que não sabem se as competições serão retomadas”, observou.

Menos dúvidas enfrenta a esfera olímpica, sobretudo desde terça-feira, quando foi determinado o adiamento de Tóquio2020 por um ano, propiciando uma “nova conjuntura” que adicionará obstáculos à gestão individual de expectativas, embora tenha moderado os dilemas advindos da resistência do Comité Olímpico Internacional (COI).

“Como em tudo na vida, há coisas boas e más. O problema é que estes atletas definiram a sua vida desportiva e extradesportiva em função de um ciclo olímpico e agora têm de reequacionar tudo. Alguns deixaram o curso para trás, outros tinham a opção de serem pais ou mães e uns quantos pensavam em terminar a carreira nos Jogos”, apontou.

Sendo hábito da psicologia oferecer estratégias personalizadas, Jorge Silvério destaca o esforço mantido com a generalidade dos praticantes na desenvoltura da “tenacidade mental”, dimensão assente na perícia para ultrapassar contrariedades e que deve extravasar o contexto competitivo na mitigação da pandemia da covid-19.

“Se há pessoas habituadas a lidar com situações difíceis são os atletas e mesmo os bem-sucedidos tiveram dificuldades para ultrapassar obstáculos em certos momentos. A transposição desta qualidade que o desporto lhes deu para a vida é a lição mais importante, diria até para nós, que não somos desportistas de alto nível”, constatou.

A pausa não significa um interregno psicológico e o embaixador do Plano Nacional de Ética no Desporto sugere mesmo que alguns praticantes substituam metas imediatas por objetivos de médio e longo prazo, sem apagar do horizonte o regresso à normalidade.

“Mal a competição volte será preciso tolerância para lidar com certas dúvidas, porque eles vão surgir num outro nível físico. Tirando isso, se mantiverem este trabalho enquanto estão confinados em casa, rapidamente conseguirão retomar em termos psicológicos e conseguir os desempenhos de excelência a que se habituaram”, afiançou.

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Futebol

“Neste momento, não olhamos a ‘ses’”

Vítor Oliveira

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Foto: DR

Declarações após o jogo Gil Vicente-Tondela (3-2), da 32.ª jornada da I Liga de futebol, disputado na terça-feira no Estádio Cidade de Barcelos, em Barcelos.

Vítor Oliveira (treinador do Gil Vicente): “A vitória foi justa, difícil e até podíamos ter sido penalizados no final. Tivemos 60 minutos de muita qualidade, mas depois esquecemo-nos de um aspeto fundamental: o futebol é um jogo coletivo.

Quando começámos a individualizar e a pensar mais com o umbigo do que com a cabeça, pusemo-nos a jeito. O mais importante era a seriedade que tinha de haver nestes jogos, porque está muita coisa envolvida para as equipas que lutam pela manutenção.

Nos últimos 25 minutos, não encarámos o jogo com a seriedade que seria exigida à nossa equipa, que chegou onde chegou porque mostrou sempre um grande sentido coletivo. Quando isso não aconteceu, demos barraca e mostrámos que somos fracos.

Vamos conversar sobre isso. Depois de 70 minutos de muito bom nível, em que fizemos três golos e até podíamos ter feito mais, acabámos com o credo na mão. Não nos entendemos, corremos disparatadamente sem nexo e o Tondela podia ter empatado.

Neste momento, não olhamos a ‘ses’. As coisas têm de ser como são e ganha quem marca mais golos. O Tondela entrou pressionado pela posição que ocupa na tabela, cometeu muitos erros, mas, se viesse cá tranquilo, também os cometeria”.

Gil Vicente volta a vencer e sobe ao nono lugar

Natxo González (treinador do Tondela): “Se demos uma hora de avanço? É verdade. O Gil Vicente foi muito superior no primeiro tempo. Mostrou ser uma equipa tranquila, feliz com o seu próprio jogo, com dinâmicas muito boas e sem qualquer responsabilidade.

O Tondela tinha muita necessidade de pontuar e não geriu isso muito bem. Pelo contrário, esteve com medo e o jogo desenrolou-se nesta toada até ao 3-0. Depois, veio ao de cima o orgulho, mas que não pode servir de consolo. Estamos todos muito dececionados.

Quando sentes que está tudo perdido e estás com o orgulho ferido, adotas outra atitude e arriscas mais nos duelos. Só que tínhamos de fazer isto desde o início e não apenas quando estávamos a perder. Precisamos de somar pontos e desta forma é impossível.

Esta situação é inquietante, mas, vendo a evolução da equipa, não me surpreende. Temos um objetivo difícil e estimulante pela frente. Há dois jogos decisivos e temos de somar pontos. Temos de pensar positivo, ainda que seja melhor não dizer o que sinto por dentro.

[Estreias absolutas de Jota e Telmo Arcanjo] É um prémio. Do que estava a ver no relvado, pior não iam fazer do que outros companheiros com maior trajetória no futebol. É um bom exemplo, pode ser decisivo para encarar o futuro e tenho de felicitá-los”.

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Futebol

“O Vitória fez o suficiente para fazer um ou dois golos”

31.ª jornada

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Foto: DR / Arquivo

Declarações dos treinadores após o jogo Benfica – Vitória SC (2-0), da 32.ª jornada da I Liga portuguesa de futebol:

Ivo Vieira (treinador do Vitória SC): “Aquilo que o Vitória fez na primeira parte, as oportunidades que teve… Tivemos dois golos e o Benfica marcou um. Na segunda parte, o Benfica entrou a controlar, nos primeiros 15 ou 20 minutos, depois conseguimos equilibrar. O Benfica voltou a ser eficaz. O Vitória fez o suficiente para fazer um ou dois golos.

O jogo tem vários momentos. Gosto que a minha equipa tenha mais bola, mas muitas vezes, consoante o adversário, temos de jogar em transição e, noutros momentos, o ataque organizado. Jogar em contra-ataque, como o Benfica nos obrigou a recuar as linhas, foi uma das coisas que tivemos de fazer hoje.

Há sempre uma réstia de esperança, mas temos de ser conscientes. É muito difícil conseguirmos o quinto lugar [acesso à Liga Europa]. É um objetivo que não conseguimos. Assumo essa responsabilidade. Outro que falhámos foi a Taça de Portugal. Mas conseguimos chegar à ‘final-four’ da Taça da Liga e fizemos uma boa campanha na Liga Europa”.

Nelson Veríssimo (treinador do Benfica): “Foi um jogo difícil. Como estávamos à espera. Sabíamos que em alguns momentos iria ser um jogo equilibrado, onde sentimos dificuldades em algumas saídas. Em alguns momentos da segunda parte, estivemos em cima do jogo. Acabámos por fazer um bom jogo mais pela segunda parte. A primeira foi mais dividida.

Temos um plantel recheado de bons jogadores, muito competitivo. Hoje, Florentino teve a oportunidade de entrar. Todos os jogadores estão à procura de entrar. Houve outros jogadores que ficaram no banco e que também têm qualidade.

O trabalho psicológico é muito simples. É olhar para o que falta do campeonato e estabelecer objetivos. Não vi no passado e agora necessidade em motivá-los. Eles sabem o clube que representam e o que isso significa. Sinceramente, não sinto os jogadores desgastados. Sinto, sim, a falta dos nossos adeptos tanto em casa como fora.

Foi necessário tirar o Weigl fruto do momento do jogo. Senti que era necessário sair. Temos jogadores que têm qualidade para entrar e dar uma resposta positiva. Foi isso que aconteceu.

Hoje estava a torcer para ganhar a Vitória de Guimarães. Amanhã [hoje] vou ver o jogo [FC Porto – Sporting] pelo jogo, como alguém que gosta de futebol e o resultado será o que for.

Enquanto matematicamente for possível, acreditamos que seja possível ser campeão. A única coisa que podemos controlar é o nosso jogo. E o resto não depende de nós. É no jogo que tem de estar o nosso foco.

Quero dedicar esta vitória ao nosso presidente e nome de todo o grupo de trabalho”.

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Futebol

Gil Vicente volta a vencer e sobe ao nono lugar

32.ª jornada

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Foto: Twitter

O Gil Vicente igualou na terça-feira a melhor série de invencibilidade na temporada, ao impor-se na receção ao Tondela, por 3-2, num duelo da 32.ª jornada da I Liga de futebol, que agudizou o espetro da descida para os ‘beirões’.

No Estádio Cidade de Barcelos, Rúben Ribeiro (28 minutos), Rúben Fernandes (57) e Bozhidar Kraev (64) ofereceram o terceiro triunfo seguido aos ‘galos’, que alcançaram a manutenção com vitórias recentes sobre Rio Ave (1-0) e Vitória de Guimarães (2-1), sendo que Yohan Tavares (73) e Philipe Sampaio (84) reduziram para os viseenses.

Ao repetir um ciclo registado entre novembro e dezembro de 2019, o Gil Vicente consolidou o nono posto, com 42 pontos, enquanto o Tondela, 15.º, foi ‘apanhado’ pelo Portimonense, tendo os mesmos 30 pontos dos algarvios e do Vitória de Setúbal, o primeiro clube abaixo da zona de salvação.

Seguros na tabela e sem horizontes europeus, os pupilos de Vítor Oliveira procuraram ter bola desde cedo e não deixar os destinos do jogo ao acaso, disfarçando o ritmo lento e os movimentos denunciados em zonas de criação ao nono minuto, quando o voo ágil do guarda-redes Babacar Niasse negou um canto direto de Rúben Ribeiro.

Os gilistas esbarravam em linhas compactas erguidas pela formação de Natxo González, que se deixava dominar pela sofreguidão nas incursões ao último terço, como atestou Philipe Sampaio aos 24 minutos, ao rematar torto isolado na área minhota, após corte incompleto de Alex Pinto, na sequência de um cruzamento de Fahd Moufi.

Sem um domínio avassalador, o Gil Vicente deu expressão ao ascendente territorial aos 28 minutos, socorrendo-se de um momento de brilhantismo de Rúben Ribeiro, que fletiu da esquerda para o meio e fugiu à marcação de João Pedro para celebrar o quarto golo nas últimas cinco rondas, fruto de um disparo cruzado fora do alcance de Niasse.

O Tondela defendia com muitos jogadores atrás da linha da bola e mostrou pouca audácia até ao descanso, à exceção de um livre de Richard Rodrigues por cima, aos 43 minutos, submetendo-se ao poderio dos ‘galos’, que resguardaram o controlo do jogo e esboçaram nova ameaça aos 31, num falhanço de Sandro Lima junto à marca de penálti.

Os ’beirões’ quiseram mostrar uma alma renovada no reatamento e o guarda-redes Denis sacudiu as intenções de Jonathan Toro logo aos 46 minutos, mas vergaram-se à eficácia minhota, evidenciada no cabeceamento do capitão Rúben Fernandes aos 57, assistido pelo companheiro de setor Ygor Nogueira, a partir do canto de Rúben Ribeiro.

O extremo tinha obrigado Babacar Niasse a aplicar-se momentos antes e voltou a destacar-se aos 64 minutos, servindo o remate de pronto de Bozhidar Kraev, que ia abrindo caminho a uma das vitórias mais folgadas da temporada gilista, não fosse tamanha descompressão espicaçar uma reta final eletrizante dos tondelenses.

Os avisos de Ronan (68 minutos) e Tomislav Strkalj (72) fizeram adivinhar o golo de Yohan Tavares aos 73, num canto amortecido por Philipe Sampaio, que aproveitou uma defesa incompleta de Denis para faturar aos 84 e devolver emoção até ao apito final, sem que os ’beirões’ extraíssem os dividendos necessários na fuga à despromoção.

Ficha de Jogo

Jogo no Estádio Cidade de Barcelos, em Barcelos.

Gil Vicente – Tondela, 3-2.

Ao intervalo: 1-0.

Marcadores:

1-0, Rúben Ribeiro, 28 minutos.

2-0, Rúben Fernandes, 57.

3-0, Bozhidar Kraev, 64.

3-1, Yohan Tavares, 73.

3-2, Philipe Sampaio, 84.

Equipas:

– Gil Vicente: Denis, Alex Pinto, Ygor Nogueira, Rúben Fernandes, Edwin Banguera, Soares, Claude Gonçalves (João Afonso, 90+1), Samuel Lino (Hugo Vieira, 67), Bozhidar Kraev (Vítor Carvalho, 77), Rúben Ribeiro (Yves Baraye, 77) e Sandro Lima (Lourency, 67).

(Suplentes: Bruno Diniz, Rodrigão, João Afonso, Lourency, Hugo Vieira, Fernando Fonseca, Vítor Carvalho, Yves Baraye e Ahmed Isaiah).

Treinador: Vítor Oliveira.

– Tondela: Babacar Niasse, Fahd Moufi (Ricardo Valente, 67), Philipe Sampaio, Yohan Tavares (Jota, 75), Filipe Ferreira, Richard Rodrigues (Tomislav Strkalj, 67), João Pedro (Telmo Arcanjo, 75), Pepelu, Jhon Murillo, Jonathan Toro (Rúben Fonseca, 84) e Ronan.

(Suplentes: Diogo Silva, Jota, Jaquité, Pedro Augusto, Tiago Almeida, Tomislav Strkalj, Rúben Fonseca, Ricardo Valente e Telmo Arcanjo).

Treinador: Natxo González.

Árbitro: Jorge Sousa (AF Porto).

Ação disciplinar: Cartão amarelo para Edwin Banguera (41), João Pedro (51), Ygor Nogueira (71), Pepelu (81), Jhon Murilo (87) e Ricardo Valente (90+1).

Assistência: Jogo realizado à porta fechada devido à pandemia de covid-19.

(notícia atualizada às 01h14)

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