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Instituição de Melgaço deu cruz a beijar a utentes. Diretora fala em “gesto de carinho”

Covid-19

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Foto: Reprodução / Facebook

Um vídeo partilhado nas redes sociais caiu como uma bomba. O Centro Social de Paderne, em Melgaço, decidiu improvisar, este domingo, uma visita pascal aos 15 utentes que estão em regime permanente no lar da instituição e ainda a quatro utentes de apoio ao domicílio.

Lurdes Gonçalves, diretora de serviços, foi quem idealizou e executou a iniciativa, conforme disse a O MINHO: “A iniciativa foi minha, era a minha vez de levar os pequenos-almoços ao domicílio e decidi levar um pouco de alegria a casa destas pessoas”, salienta, admitindo que ignorou as normas recomendadas pela Direção-Geral da Saúde.

Após quatro utentes terem beijado a cruz, improvisada por Lurdes, a visita seguiu para dentro do lar, onde outros 15 utentes também foram alvo da iniciativa da diretora.

Lurdes explica que, no domicilio, todos os utentes utilizaram uma máscara cirúrgica diferente, para poderem seguir com a veneração a “cristo ressuscitado”. Dentro do lar, a diretora aplicou álcool/gel desinfetante na cruz por cada vez que a deu a beijar.

“Fiz isto porque muitos deles não têm ninguém, a família não os pode visitar e andaram a semana toda a queixar-se de que não iam ter Páscoa este ano”, conta, acrescentando que todos são “muito católicos” e que seria “uma pena” que não tivessem este “carinho”.

Explica que, dentro do lar, não existem sintomas de covid-19, mas admite que ainda não recebeu os resultados dos testes de despistagem realizados no passado sábado.

Sobre a polémica que a iniciativa está a gerar nas redes sociais, Lurdes admite que nunca pensou que fosse criar esta reação. “A intenção era melhorar o estado anímico dos utentes, nunca pensei que as pessoas fossem levar para o lado de querer fazer mal”, acrescenta.

Já depois de ter falado com O MINHO, a instituição apagou o vídeo das redes sociais.

Autarquia indignada

A Câmara de Melgaço, concelho onde um lar local está a ser fortemente atingido pela pandemia, já veio a público repudiar a iniciativa.

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“A autarquia reforçou à instituição a necessidade de que sejam tomadas as medidas para que todas as iniciativas e atividades se pautem pelas melhores práticas de segurança que estão plasmadas no Plano de Contigência que foi entregue ao Município e que esta ação não respeita”, disse a autarquia, em comunicado.

Arrisca até 8 anos de prisão

Fonte da GNR disse a O MINHO que a instituição pode incorrer em crime de desobediência, que prevê uma pena até dois anos de prisão, que pode ser agravada em um terço.

Relativamente ao crime de propagação de doença, o Código Penal prevê, no artigo 283.º, que quem propagar uma doença contagiosa e “criar deste modo perigo para a vida ou perigo grave para a integridade física de outrem” pode ser punido com pena de prisão de um a oito anos.

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