Instalação com gongos de João Pais Filipe quer estimular imaginação em Braga

Patente no Mosteiro de Tibães
Instalação com gongos de joão pais filipe quer estimular imaginação em braga

A instalação “Voluta”, da autoria de João Pais Filipe, é inaugurada esta sexta-feira no Mosteiro de Tibães, em Braga, e tem como objetivo estimular a imaginação do público, que pode interagir com os gongos.

Inserida na programação da Bienal de Arte Contemporânea (BoCA), a instalação pode ser vista na Casa do Volfrâmio do mosteiro de sexta-feira a 30 de abril, sendo que João Pais Filipe apresenta, pelas 20:00 de sexta-feira e sábado, uma performance em que utiliza os quatro gongos presentes.

Todos os quatro gongos “estão ligados, mas com sons e aspetos diferentes”, e a experiência muda consoante o posicionamento do público na sala, podendo estar “no meio deles” ou à margem, explicou à Lusa João Pais Filipe.

Qualquer pessoa pode manipular os quatro objetos, dois já existentes e outros criados para esta instalação, focada na ideia “ritualística”, sendo que a espiral, aludida no próprio título, adensa esta imagética.

“Acho que pode ser uma experiência bastante intensa, mas suave ao mesmo tempo. As pessoas podem tocar os gongos e é muito interessante sentir as vibrações. É diferente sentir isto estando no meio dos gongos ou então por fora, além do aspeto visual, estando colocados como uma espécie de cruz”, explicou o criador.

Três gongos têm caras, femininas ou masculinas, e há um gongo maior, o “Cosmic Gong”, que se liga a “um lado mais cósmico e abstrato”, e grande parte da performance “depende da imaginação de cada um” na audição e na manipulação dos objetos, suspensos do teto.

Nascido em 1980, no Porto, o baterista e escultor sonoro tem trabalhado entre a música experimental, a construção de instrumentos e a participação em vários projetos, como HHY & The Macumbas, Paisiel ou Talea Jacta, entre outros.

Sexta-feira e sábado o Mosteiro de Tibães recebe também a estreia mundial da nova criação da espanhola Angélica Liddell, dramaturga, encenadora e atora que recebeu o Leão de Prata na Bienal de Veneza de 2013.

“Lo Frío Y Lo Cruel”, apresentado pelas 21:00 dos dois dias, após a performance de João Pais Filipe, é uma nova colaboração entre a BoCA e a criadora, que esteve em 2017 a orientar uma oficina que acabou por gerar o espetáculo “Scarlet Letter”.

Aqui, o ponto de partida é “O Frio e o Cruel”, publicado pelo filósofo francês Gilles Deleuze (1925-1995) e que explora a filosofia na obra do autor austríaco Leopold von Sacher-Masoch (1836-1895), em particular “a parte filosófica das perversões”, pode ler-se na apresentação da nova obra.

O objetivo é, depois, “apresentar as relações entre pai e filho, ou seja, entre quem vai morrer e Deus”, com Liddell a partilhar o palco com Renata Portas, Liliana Mota e Camilo Sousa, num espetáculo produzido pela Bienal com o apoio do programa PICE, da Acción Cultural Española.

 
Total
0
Shares
Artigo Anterior
Barras de caminha, âncora e esposende fechadas devido a forte agitação marítima

Barras de Caminha, Âncora e Esposende fechadas devido a forte agitação marítima

Próximo Artigo
Um projeto desenvolvido numa escola de braga que ajuda à inclusão digital de idosos

Um projeto desenvolvido numa escola de Braga que ajuda à inclusão digital de idosos

Artigos Relacionados