Governo prepara cursos sobre tétum e crioulo e rejeita ressentimento histórico

Governo prepara cursos sobre tétum e crioulo e rejeita ressentimento histórico
Foto: Lusa

O Governo português vai criar programas de investigação, cursos e cátedras sobre tétum e crioulo, anunciou o ministro dos Negócios Estrangeiros, que defendeu “reconciliação e não ressentimento”, durante o debate pedido pelo Chega sobre reparações históricas.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros e o Ministério da Educação estão a “desenvolver esforços para criar nas faculdades de letras portuguesas programas de investigação, cursos e até cátedras de tétum, crioulo, línguas timorense, cabo-verdiana, guineense e são-tomense”, afirmou Paulo Rangel, no final do debate de urgência sobre as declarações do Presidente da República “em relação à reparação histórica das ex-províncias ultramarinas”.

“Estas línguas são um tesouro cultural da nossa história comum, têm uma enorme influência da língua portuguesa que está por investigar, por estudar e por divulgar. É este o sinal que queremos deixar aos portugueses, à Assembleia da República e aos povos irmãos falantes de português”, disse o governante.

Paulo Rangel comentou que o executivo “não se revê nem adota a terminologia utilizada” pelo Chega, sublinhando: “A verdade histórica exige que não falemos de ex-províncias ultramarinas, mas de ex-colónias”.

Na sua intervenção, reiterou que o Governo português não promoverá “qualquer processo ou programa de ações específicas com o propósito de reparar outros Estados pelo passado colonial português”, mas admitiu que “onde seja justo um pedido de desculpas”, Portugal fá-lo-á.

No início do debate, o líder do Chega tinha instado o executivo a esclarecer se o Governo iria abrir algum processo de reparações.

“São muitos os que querem que essas reparações se baseiem no ressentimento. O Governo português, os governos portugueses, não cultivam nem instigam o ressentimento. Cultivam o respeito mútuo e a reconciliação com a História, lá onde ela se imponha e justifique”, referiu o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.

“Portugal não tem medo da sua história. Lutará sempre pela isenção, imparcialidade e verdade histórica”, destacou.

Rangel recordou o pedido de desculpas, feito pelo anterior primeiro-ministro, António Costa, pelo massacre de Wiriamu, Moçambique, ou o memorial no antigo campo de concentração do Tarrafal, Cabo Verde. Por outro lado, realçou a “generosidade” de Angola, que autorizou a reabilitação de dois talhões de cemitérios de Luanda onde estão sepultados soldados portugueses que lutaram na guerra colonial e a construção de memorial.

“É assim que vemos: reconciliação e não ressentimento”, salientou. E descreveu a relação de Portugal com as suas ex-colónias como “especialíssima, de excelência”, “de igual para igual” e “sem complexos nem tabus”.

Rangel recordou que a cooperação de Portugal com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e Timor-Leste ascende a 1.200 milhões de euros, em áreas como educação, saúde, cultura, infraestruturas, defesa e língua.

“Não deixaremos que possa ser prejudicada por os que não querem uma relação sã, justa e orientada para o futuro”, garantiu.

Na reta final do debate, o líder do Chega considerou que esta discussão em plenário tornou evidente que o parlamento “tem vergonha da história” e que esses deputados são “verdadeiramente os traidores à nossa pátria”.

 
Total
0
Shares
Artigo Anterior
Webcam instalada no farol de esposende mostra foz do cávado em direto

Webcam instalada no farol de Esposende mostra foz do Cávado em direto

Próximo Artigo
João cura mariano é o novo presidente do supremo tribunal de justiça

João Cura Mariano é o novo presidente do Supremo Tribunal de Justiça

Artigos Relacionados