Ex-gestor dos TUB lamenta que autocarros não entrem na UMinho (a que chama “grande poluidor”)

Baptista da Costa critica política de mobilidade da Câmara

O ex-gestor dos TUB – Transportes Urbanos de Braga, Baptista da Costa, critica a política de mobilidade urbana da Câmara Municipal dizendo que “há dez anos que não se faz um corredor de BUS, não há prioridade semafórica para o transporte coletivo e não há duplos sentidos nos traçados dos transportes públicos”.

Em conferência recente na Junta de Freguesia de São Víctor, e a cujo texto O MINHO teve acesso, o especialista em transportes lamenta, ainda, que “os circuitos urbanos 40 e 41, que servem o Hospital não tenham uma frequência de 20 em 20 minutos, sete dias por semana, indispensável para complementar a oferta já existente, nomeadamente as linhas 95 e 96”.

E tira uma conclusão: “A mobilidade urbana é determinante para a economia e o bem-estar coletivo e deve dar resposta às necessidades reais da sociedade. Um bom sistema de transportes dá acesso ao trabalho, à saúde e ao ensino. Se é verdade que a sociedade exige a redução da sinistralidade e da poluição, também é certo que a construção de um sistema regrante de transportes, que implica grandes intervenções físicas na cidade, não pode ignorar o património e deve participar na modernização da memória e valorização das preexistências”.

Autocarros fora da UMinho

Na sua alocução, lembrou que, “em 2015, no dia seguinte aos autocarros terem entrado no Hospital, havia a intenção de entrarem na Universidade do Minho. Acontece que os acessos têm lombas muito acentuadas e os autocarros não conseguem passar. Fez-se um acordo mediante o qual a UMinho retirava estas lombas e criava uma entrada a norte da Escola de Medicina, permitindo que autocarros elétricos atravessassem o Campus e dessem acesso às várias linhas, com 12 circulações por hora, que servem o Hospital. Até hoje!”.

Sublinha, a propósito, que “a Universidade representa mais de 30 mil deslocações diárias e está crescentemente fechada à cidade. Mesmo a recentemente construída ciclovia que a ligaria à Variante da Encosta é perigosa e não legível”. E pergunta: “Vamos reduzir, em S. Victor, a grave poluição provocada pelo acesso à Universidade? Sim a Universidade é um dos grandes poluidores da cidade”.

Acrescenta, ainda, em tom de aviso e aludindo a um projeto urbanístico do empresário Domingos Névoa para a zona, tido, ao que O MINHO soube, como de “grande qualidade e de grande investimento” (400 milhões de euros): “E se concretizarem as projetadas construções sobre a Estrada Velha ligando a Universidade à Quinta dos Peões, a Rua de Gualtar até aos semáforos junto ao Café Tuxo será eliminada, criando graves problemas de mobilidade, retirando os percursos lineares de transportes públicos, os percursos de peões e de bicicletas. Os carros podem e devem sair dessa rua pela projetada ligação da Rotunda do Café Tuxo ao Fojo”.

Plano de mobilidade

Batista da Costa recordou, também, que “a nova visão para mobilidade em Braga foi estruturada desde 2012. O plano, com metas, foi público em 2014 e incluído no PDM – Plano Diretor Municipal e, com ele, previa-se até 2025: Retirar 25% dos carros da cidade; construir 80 km de ciclovias; ter 10 mil utilizadores regulares de bicicleta; duplicar o número de passageiros transportados pelos Transporte Urbanos e criar uma rede regrante de transportes públicos em BRT (autocarro de transporte rápido)”.

Assinala, a propósito, que “o traçado do sistema regrante de transportes em BRT foi decidido em 2014. É o “Anel da Mobilidade” composto por duas linhas que se encontram nos extremos. Uma na Rodovia desde a Estação da CP em Ferreiros até à Estação de Serviço da Prio, no Fojo e outra desde o E’Leclerc até Novainho, em Gualtar, que cruza o Centro Histórico”.

E, prosseguindo, disse: “O traçado das linhas de transporte público é uma decisão política. A título de exemplo, recordo que Nantes, cidade pioneira na Europa no transporte público, decidiu começar por construir uma linha que promovia a coesão social em vez da que os técnicos, com estudos de procura, recomendavam”.

O MINHO contactou a Câmara Municipal, mas esta não se quis pronunciar sobre o assunto.

 
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