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Braga

Empreiteiro de Braga insulta economista a quem reclama dívida de 95 mil euros

Ambos vice-presidentes do SC Braga

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Foto: O MINHO

O julgamento de uma alegada dívida de 95 mil euros que envolve dois administradores e vice-presidentes da SAD do SC Braga ficou marcado na segunda-feira por insultos (impublicáveis em jornal) de Manuel Rodrigues, contra Hernâni Portovedo.

A situação levou a que interviesse o advogado Raposo Subtil, que representa o economista Hernâni Portovedo, chamando à atenção o empreiteiro Manuel Rodrigues pela linguagem utilizada, que este causídico considerou “muito imprópria numa sala de audiências”.

Raposo Subtil advertiu Manuel Rodrigues “não ser assim que se trata um pai de família e que ainda por cima nem sequer está presente para se defender”, recordando “não valer tudo numa ação judicial”, com o empreiteiro a denotar nervosismo durante toda a audiência.

Os dois vice-presidentes e administradores da SAD do SC Braga discutiram durante esta segunda-feira, no tribunal da comarca bracarense, uma alegada dívida de 95 mil euros, relacionada com a fatura que Manuel Rodrigues apresentou oito anos após as obras na casa de Hernâni Portovedo, que por sua vez garante estarem pagas, com um documento já assinado por Manuel Rodrigues.

A situação é insólita, pois além de serem ambos membros dos dois órgãos colegiais do SC Braga, Hernâni Portovedo é quem diretamente assume a responsabilidade pelas contas do clube, bem como de uma empresa, a Bragaparques, cujo presidente do conselho de administração é o próprio Manuel Rodrigues, empreiteiro que agora anda de candeias às avessas com o ex-sócio, Domingos Névoa.

Como O MINHO noticiou, Hernâni Portovedo já afirmou “estar a ser perseguido” por Manuel Rodrigues, tudo por culpa, segundo o economista, dos conflitos do empreiteiro com o empresário Domingos Névoa, por estes dois terem conflitos a sério, devidos à propriedade da Bragaparques, das maiores empresas de estacionamento portugueses, que Rodrigues e Névoa estão a discutir no Tribunal de Braga.

A Onirodrigues, uma empresa de Manuel Rodrigues, exige 95 mil euros a Hernâni Portovedo, o diretor financeiro do Bragaparques, que por sua vez desmente qualquer dívida. Mas o empreiteiro insiste que a sociedade comercial Rodrigues & Névoa executou obras e trabalhos, forneceu materiais, mão-de-obra e equipamentos de construção civil, na remodelação e amplificação daquela sua habitação.

Hernâni Portovedo garante: “Nada devo e estou a ser perseguido, tentando colocar a minha honra em causa, pois nunca fiquei a dever nada a ninguém, tanto mais que o senhor Manuel Rodrigues é comigo administrador da SAD e ambos vice-presidentes do SC Braga, mas até à data em que me enviou a carta com a tal fatura, em 2020, nunca me exigiu qualquer pagamento, pois sabia ser falso”.

Hernâni Portovedo juntou entretanto ao processo um documento assinado pelos dois sócios da empresa Rodrigues & Névoa, Manuel Rodrigues e Domingos Névoa, em que ambos declaram ter recebido 38 mil euros para pagamento das obras, “por isso não há qualquer dívida”, afirmou O MINHO o economista, referindo que o documento dos sócios é muito anterior, “tem vários anos”, à recente fatura.

“O senhor Manuel Rodrigues fez uma interpretação abusiva, quando assim me incluiu num litígio em que eu não sou parte”, revelou Hernâni Portovedo, afirmando “não ser a primeira vez que pessoas individuais sofrem consequências devido ao litígio entre os sócios da Bragaparques, desde uma funcionária vítima de assédio laboral, a um irmão de Manuel Rodrigues, com um filho deficiente, a quem tentou privá-lo da sua habitação, passando pelo seu advogado de longa data, Severino Santos, todos já temos pago conflitos alheios”.

Ainda segundo Hernâni Portovedo, “neste caso, porque somos, eu e o senhor Manuel Rodrigues, administradores do SC Braga, também o clube é prejudicado com esta falsa acusação”, afirmando que o empreiteiro “está a tentar instrumentalizar a Justiça para ver se consegue condicionar o meu livre testemunho”, no julgamento principal, que opõe Manuel Rodrigues e Domingos Névoa.

Manuel Rodrigues não quis comentar o caso a O MINHO, mas o outro sócio, Domingos Névoa, disse “ser uma falsa dívida, porque está tudo pago desde a ocasião e trata-se de uma situação de má fé, porque sabe que nada lhe é devido, vindo oito anos depois com a dívida fantasma, pois se existisse teria entrado em contas pelo menos aquando das partilhas das empresas do grupo, mas não existe”.

“É um processo de cobrança de falsa dívida só para prejudicar um funcionário, neste caso o seu diretor financeiro, apenas para tentar colocar em causa o seu bom nome”, acrescentou Domingos Névoa, segundo o qual “não é assim que se tratam os nossos funcionários, sejam eles quais forem, muito menos com mentiras como esta, até porque a grande riqueza das empresas são os próprios funcionários”.

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