“É um amor eterno”. A vitória difícil do SC Braga minutos antes trouxe um ambiente mais descontraído e bem-disposto. A ambição mantém-se intacta: “queremos ver o Braga campeão”.
As Gverreiras assim se chama uma das claques femininas do clube, “a maior” dizem, enchem a sede, ali para os lados das ‘Amoreiras’, que ultimamente foi alvo de um embelezamento.
São mais de 115 mulheres e uma claque oficial do SC Braga desde há dois anos, seguindo agora para o Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) os nomes que faltam.
Dos 7 aos 82 anos, donas de casa, funcionárias públicas, desempregadas, reformadas, trabalhadoras por conta de outrem, têm a uni-las “o amor ao clube. Largamos tudo pelo SC Braga”, dizem logo a abrir a conversa com O MINHO.

Maria Eugénia é a presidente e a principal dinamizadora. Depois de sair da outra claque, As Braguinhas, ficou a matutar na ideia de criar um grupo de apoio ao seu clube do coração. Ela que já tinha, em tempos ido, pertencido às Red Girls.
“Comecei a perceber que havia muitas mulheres a gostarem do SC Braga e em 2016 fundei as Gverreiras”. Foi o suficiente para apareceram as primeiras interessadas e a bola de neve foi crescendo.
No canto da mesa, uma Gverreira lembra que “o meu amor ao clube vem desde os 13 anos. Não é de hoje”. A adesão a este grupo foi fácil até porque em casa “os dois filhos também pertencem a claques”.
Lado Nascente
Quem vai ao Estádio Municipal facilmente identifica as Gverreiras. No lado nascente das bancadas, os cânticos são audíveis por todos bem como algumas palavras dirigidas aos jogadores e aos árbitros: “tudo palavras simpáticas”, dizem, entre risos.
Maria Eugénia, entre dentes e com um largo sorriso, lá confessa: “tentei gravar o nosso apoio para partilhar mas depois vi que era melhor não!”. Vá lá saber-se porquê…
Pior pesadelo
A conversa já vai fluída quando se tenta perceber se já tinham tido alguma situação mais difícil. A resposta foi unânime: Estádio da Luz, jogo de má memória para o SC Braga.
“Até em crianças e mulheres bateram”.
Aliás, Maria Eugénia nem o jogo viu porque “um ataque com gás pimenta” levou-a ao hospital. O 6-2 final piorou o cenário.

“Quando se vendem 1700 bilhetes e só se dispõem de 1000 lugares está-se à espera de quê?” As viagens ao Sul são sempre as mais complicadas e as que mais desagradam às Gverreiras mas “o amor ao clube ultrapassa tudo”.
Melhores memórias
A primeira boa memória só podia ter a cidade vizinha e rival como protagonista: “os 5-0 ao Vitória de Guimarães”.
“Ganhar-lhes é das melhores alegrias que podemos ter”.
Outra memória: o segundo lugar em 2010/2011. “Foi por pouco. Ficamos a um ponto mas sentimos que houve outras coisas por trás”.
E como as memórias são como as cerejas, há memórias bem frescas que as Gverreiras não querem deixar passar em claro: “ganhamos o mundialito de clubes em futebol de praia e tivemos o nosso Dyego Sousa chamado à selecção”.
Um dos desejos futuros passa por estender o seu apoio tanto ao futebol de praia como ao futebol feminino.
Treinadores
“Domingos volta, estás perdoado”. É a resposta pronta quando se questiona o treinador que mais gostaram de ver passar pelo clube. As mais atrevidas atiraram outro nome: “o mais bonito foi o Paulo Fonseca”.
Já quanto a jogadores: “desde que marquem golos…”.
Os maridos não se importam “com este outro amor” e volta a ser a presidente Maria Eugénia a resumir o espírito: “o meu já me disse que me vai buscar mais depressa à polícia do que ao hospital”.
Da próxima vez que for ao Estádio Municipal de Braga ver um jogo do SC Braga não deixe de olhar para a bancada Nascente. Estão lá mais de 115 mulheres, a cantar, a gritar e a puxar pelo seu “amor eterno”: o Sporting Clube de Braga.