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Legislativas 2022

Concelhia do Chega de Barcelos em ‘guerra aberta’ com o presidente da Distrital

Retirada de confiança política

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Agostinho Mota e Filipe Melo. Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO / Arquivo

A Concelhia de Barcelos do Chega anunciou, esta sexta-feira, a retirada de confiança política à Distrital de Braga e ao seu presidente, Filipe Melo, cabeça de lista do partido pelo distrito às eleições legislativas de domingo. Contactado por O MINHO, Filipe Melo responde que a Distrital já tinha retirado a confiança política ao coordenador da concelhia barcelense, Agostinho Mota, em outubro do ano passado e que, portanto, esta se encontra atualmente apenas “em gestão”.

Numa carta aberta assinada por Agostinho Mota e enviada às redações, lê-se que “a Comissão Política Concelhia de Barcelos decidiu retirar a Confiança Política à Direção Distrital de Braga”, na sequência de “vários atropelos perpetuados pela Comissão Política Distrital de Braga, nomeadamente o seu Presidente (Filipe Melo)”.

O coordenador da Concelhia considera que a “gota de água” foi o facto de a Distrital ter ido a Barcelos em ações de campanha, “por duas vezes, sem antes comunicar e/ou reunir”, com a Concelhia.

Segundo a missiva, “a relação institucional, entre os dois órgãos do partido, já se tem vindo a degradar ao longo do tempo, principalmente após as eleições autárquicas de setembro de 2021”.

Agostinho Mota diz ainda que a Concelhia de Barcelos não foi ouvida nas escolhas de candidatos a delegados ao IV Congresso do partido, de candidatos às legislativas, nem ter sido consultada para ações de campanha.

A Concelhia considera que se trata de “atitudes e práticas políticas, que violam os mais elementares princípios éticos e democráticos e atropelos ao regulamento interno do partido”.

Contactado por O MINHO, Filipe Melo afirmou ainda não ter conhecimento da carta aberta, mas salientou que “a concelhia de Barcelos está em gestão”, desde que, em outubro do ano passado, logo após as eleições autárquicas, lhe foi retirada a confiança.

A Distrital de Braga retirou a confiança devido a “uma entrevista a uma rádio” em que Agostinho Mota, ao arrepio da “posição do presidente do partido [André Ventura] e da Distrital”, assumiu disponibilidade para uma coligação com o PSD e assumir pelouros.

“Confrontei o coordenador com essa mesma questão e ele confirnou essa ideia, de manter o que disse na entrevista, e a direção da Comisão Distrital entendeu que, se não estava alinhado com o emanado da direção nacional, não é merecedor da nossa confiança política. E numa reunião de concelhias retirámos essa mesma confiança ao coordenador. A partir desse momento, está em gestão e assim continuará até à próxima semana, porque decidimos não exonerar ninguém formalmente até ao dia das eleições. Depois das eleições, veremos”, afirma Filipe Melo.

Sobre o facto de a carta aberta ser tornado pública esta sexta-feira, último dia de campanha eleitoral e a dois dias apenas das eleições para as legislativas, em que Filipe Melo encabeça a lista por Braga, “isso só prova efetivamente que estão preocupados consigo próprios, não estão preocupados com o sucesso do partido, mas sim vir para a praça pública tentar levantar algum tipo de celeuma”.

E reforça: “Num ato de desespero estão a apontar baterias contra o próprio partido. São pessoas que não merecem estar no partido, porque não estão a olhar para o bem do partido, mas a pensar em si próprio e nos seus desmedidos egos”.

Filipe Melo conclui, ainda, que a Concelhia não pode retirar confiança política à distrital, porque, estatutariamente, tal só pode ser feito pela Direção Nacional.

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