Braga: Padre propõe fotos dos entes falecidos no altar em vez de idas ao cemitério

Para evitar aglomerados nos dias 1 e 2 de novembro
Braga: padre propõe fotos dos entes falecidos no altar em vez de idas ao cemitério
Padre João Torres. Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

O pároco de Priscos, Tadim e Guisande, freguesias do concelho de Braga, está a apelar aos paroquianos para que, no Dia de Todos os Santos e Dia dos Fiéis Defuntos, dadas as restrições nos cemitérios, que levem para a celebração das missas uma fotografia dos seus entes queridos falecidos. Os retratos serão colocados no altar e permanecerão na igreja até ao final do mês.

Em declarações a O MINHO, o pároco João Torres explica como surgiu a ideia para esta campanha intitulada ‘A falta que um rosto nos faz’: “As pessoas precisam de um sítio que as faça lembrar alguém que ainda está dentro delas, mas que já partiu. E normalmente vão ao cemitério no Dia de Todos os Santos e Fiéis Defuntos. A ideia desta campanha que lancei é que as pessoas levem um retrato de um familiar falecido para o local onde vamos celebrar a eucaristia e, assim, de certa forma, não estando no cemitério, poderia recordar o seu falecido num espaço religioso”.

As eucaristias em Tadim e Priscos estão a realizar-se em pavilhões e em Guisande numa tenda gigante.

“As pessoas levam o retrato do seu familiar, entregam a uma pessoa da equipa de acolhimento e esses retratos ficam todos ao pé do altar. É uma forma de a pessoa durante aquele tempo litúrgico recordar o seu familiar, evitando a ida ao cemitério”, afirma o padre, salientando que assim as pessoas “estão cumprir as normas da DGS, não estão aglomeradas como no cemitério e podem estar em família também”.

No final da missa, as fotos serão levadas para a respetiva igreja onde permanecerão durante o mês de novembro, que para os católicos é o “mês das almas”.

João Torres realça outro ponto que lhe parece importante: “Que façamos recordar aos outros aqueles que já fizeram parte da nossa família e da nossa terra. Ajuda a que as pessoas não percam a memória coletiva”.

“Estes rostos que vão passando nesta vida ensinaram-nos alguma coisa, enfrentaram as dificuldades da vida e também é importante nestes tempos que vivemos difíceis perceber que, se calhar, o avô, a avó, o tio já viveram tempos mais difíceis e conseguiram ultrapassá-los. Isto também nos faz falta”, acrescenta João Torres, considerando que o feedback dos paroquianos tem sido “muito bom”.

“Agora vamos ver se têm a coragem de levar o retrato. Porque acho que, de certa forma, podemos achar que esta iniciativa é uma espécie de evocação mortífera e deprimente, mas não é, é precisamente o contrário, é um verdadeiro testemunho de fé na ressurreição e na vida eterna que celebramos no Dia de Todos os Santos e Fiéis Defuntos”.
A

ludindo ao filme de animação ‘Coco’, inspirado na tradição mexicana do Dia dos Mortos, o padre conclui: “Colocar o retrato de alguém que amamos é fazê-lo voltar a viver no nosso seio”.

 
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