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Barcelos

Barcelos: Pesar pela morte de Domingos da Calçada, que dedicou a sua obra ao Vale do Neiva

Escritor morreu no sábado, aos 90 anos

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Foto: DR

A Câmara de Barcelos aprovou, por unanimidade, um voto de pesar pela morte de Domingos da Calçada, poeta e contista, que faleceu no último sábado, aos 90 anos.

Homem do Vale do Neiva, cujos hábitos e costumes retratava nos seus livros, foi galardoado com a Medalha de Mérito Cultural do Município de Barcelos, em 2014.

“O desaparecimento de Domingos de Castro Barbosa Maciel representa uma profunda perda, dor e tristeza para a família, mas também para Barcelos e para os barcelenses”, escreve a Câmara no voto de pesar.

Domingos de Castro Barbosa Maciel nasceu na freguesia de Durrães, em 18 de fevereiro de 1931 e faleceu, na sua residência, na mesma localidade, em 21 de janeiro de 2022.

Aí frequentou a escola primária, tendo feito provas de exame na Escola Gonçalo Pereira, em Barcelos.

No Porto, foi aprendiz de caixeiro, no célebre “Passeio dos Carapuceiros” que, nos princípios do século XX, se situava no lado esquerdo da rua dos Clérigos. Prosseguiu a sua atividade comercial, como trabalhador e gerente, enquanto desempenhava o ofício de perito-avaliador de propriedades rústicas e urbanas.

Dedicou-se, desde há muito, à recolha de elementos de temática popular na região do Vale do Neiva. Tais registos, escritos numa linguagem pura, plena de rusticidade e de termos caídos em desuso, encontram-se publicados na coleção “Seroeira”, editada pela Casa do Povo de Durrães: “Rumores d’Águas Passadas”, em 2001, “Tempos Difíceis”, em 2003, e “Em busca da Pataqueira”, em 2007.

Esta coletânea perfaz, no seu conjunto, sessenta e seis contos de temática marcadamente rural, remontando aos finais do século XIX e primeira metade do século XX.

Em 2013, a Editora Calígrafo publicou alguns desses melhores contos em “Gente do Vale”.

Com a chancela da mesma editora publicou, em 2015, “Muitos Pecados-Poucas Virtudes”, em 2016, “O Rasto da Memória: novos contos e crónicas do Vale do Neiva”, A Voz das Sombras”, em 2018 e “Divagações: Mão-Cheia de Recordações – Memórias de gente simples”, em 2021.

Publicou ainda “Os Doze Pares de França ou a Floripes de Palme”, na “Barcelos Revista”, Vol. I, nº 1, 1982 e é coautor da monografia “O Vale do Neiva”, dada à Estampa em 1982.

Dedicou-se à poesia, tendo, em 1988, publicado “Outonias” e, em 2014, a Tertúlia Barcelense. Publicou ainda outro livro de poesia, “Poemas Tardios”.

Participou na coletânea “Pedras no Rio do Tempo”, editada pela Câmara Municipal de Barcelos, em 1994, como autor convidado, com o conto “O Lamosa”.

Tem para publicação o livro “Recordações Tripeiras – Os Carapuceiros dos Clérigos”.

A Câmara Municipal de Barcelos atribuiu-lhe a Medalha de Mérito Municipal-Grau Prata, em 2014.

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