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Futebol

Aos 47 anos, Vitor só abandona a baliza do SC Vianense quando for campeão

Vítor é um dos jogadores mais velhos no ativo nos campeonatos portugueses. A três anos de fazer 50, o histórico guarda-redes da AF Viana “está pronto para trabalhar arduamente para ser titular” na época que vai começar

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Vítor Correia. Foto: Divulgação / Arquivo

“Ser campeão pelo SC Vianense”. É o sonho de Vitor Correia e um dos motivos que o levou a aceitar, aos 47 anos, renovar o contrato com o clube centenário do Alto Minho. O guarda-redes é um dos jogadores mais velhos no ativo nos campeonatos portugueses mas “está pronto para trabalhar arduamente para ser titular” na época que vai começar. O segredo da longevidade pode estar numa vida mais regrada, nunca fumou, e na ausência de lesões graves.

Foi com 15 anos, no Vila Fria, clube da Associação de Futebol de Viana do Castelo, que Vitor começou nas andanças do futebol. “Eu sou natural de Darque mas aos 9 anos, a minha família mudou-se para Vila Fria”. Podia ter ido para qualquer posição, “tinha jeito para o futebol”, mas o treinador mandou-o para a baliza. Até hoje.

No entanto, há dois momentos na sua carreira em que deixou os postes e tentou alvejar a baliza contrária. “Em Valença joguei a ponta de lança contra o Amares e depois no Âncora-Praia, também, fui avançado contra o Neves”. Dizem as crónicas da altura que se ‘safou’ bastante bem.

Pé partido

A carreira de Vitor é marcada pela isenção de lesões graves. Um pé partido e uma ou outra lesão muscular polvilham a carreira do guarda-redes. “Estava na terceira divisão quando parti um pé num aquecimento de um jogo mas joguei até ao final da partida”, recorda.

Foto: DR

Se na época de 2017/2018 foi o único totalista do campeonato distrital, na época seguinte não fez nenhum jogo e a explicação é simples: “houve um problema com o treinador de guarda-redes, e o treinador pediu-me se dava uma ajuda. Para além disso, disse-me para continuar a trabalhar normalmente mas não deu para jogar e resignei-me”.

Não quis ser profissional

A verdade é que mesmo não tendo sido, ainda, campeão pelo SC Vianense, Vitor acumula títulos nos distritais, nomeadamente, quando representava o Âncora Praia e o Valenciano.

Aliás com a equipa do concelho de Caminha disputou a extinta 3.ª divisão.

Dois anos antes recusou um convite para o futebol profissional do Vianense e foi para o Neves.

“Foi uma decisão pessoal mas não quis deixar de trabalhar”. A conciliação dos treinos com o trabalho já é feita ‘com duas luvas na mão’, “hoje é uma rotina e se não a tiver sinto falta”.

A idade e o Inverno foram dois dos motivos de hesitação não ir aos treinos. “Sim, já me passou pela cabeça não ir aos treinos. Chego cansado do trabalho, no Inverno há vento, chuva e frio mas acabo sempre por vir”.

Quase… campeão e Taça do Minho

Troféu “O Minhoto” (2014). Foto: DR

A entrar na quarta época consecutiva no clube vianense, onde já tinha estado desde 2001 até 2010, o sonho de Vitor quase que se concretizava na última temporada. Foi aos três minutos dos descontos, da última jornada, que o Limianos marcou e tirou o título ao Vianense. “Nunca tive uma época em que estivéssemos até ao último minuto a disputar um título. Ser virtualmente campeão até aos 90+3 e perder o campeonato marca qualquer um”.

No currículo tem ainda uma Taça do Minho quando o Valenciano, onde jogava, derrotou o Ninense na final e Vitor defendeu três penaltis no desempate por pontapés de grande penalidade. Um feito que mais nenhuma equipa de Viana obteve. Foi nessa época que ganhou o Troféu “O Minhoto”.

Ainda na pré-época e sem conhecer muito bem os adversários que irá contar, o guarda-redes só avança prognósticos “depois do campeonato começar. Aí é que se irá perceber quem são os favoritos”.

Pessoalmente, promete o mesmo “empenho de sempre. Eu sempre trabalhei no limite” e se calhar, é por isso, que os mais novos o veem como exemplo. “Estou na luta para ser titular porque sempre lutei pelo meu espaço dentro das equipas por onde passei”.

Desde que começou a treinar, “as coisas têm mudado. Há novas regras, a forma como se vê o jogo é diferente e, sem dúvida, que os treinadores influenciem muito o jogo”.

Épocas difíceis e Amilton

No entanto, a carreira do guardião não foram ‘só rosas’. Já teve épocas difíceis, “com pagamentos em atraso, jogadores vindos de outros clubes com dificuldade de adaptação e até vários grupinhos dentro do balneário”.

A verdade é que Vitor diz “gostar de me dar bem com toda a gente a começar com os meus colegas de posição. É com eles que tenho que me dar bem em primeiro lugar”.

Quanto a ‘nomes’ de outros futebóis que se cruzaram com o guarda-redes, o primeiro nome que salta para a conversa é Amilton. “Veio à experiência para o Valenciano e no final do primeiro treino disse ao presidente para assinar logo com ele. Jogava muito bem com os dois pés”. Amilton que, depois, se destacaria no Desportivo das Aves.

Também Leandro Pires (dos sub-23 dos Aves), Tiago (ex-Atlético de Madrid) ou Sérgio Lomba (ex-Gil Vicente) e tio de Pedro Neto foram mais alguns companheiros que partilharam balneário com o guarda-redes que acabará a carreira quando for campeão pelo SC Vianense, o clube do coração.

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