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Futebol

“A equipa sentiu os ‘fantasmas’ antigos, mas teve muito ‘coração'”

Bino Maçães

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Foto: Imagem Vitória SC (Arquivo)

Declarações após o jogo Vitória SC-Santa Clara (1-0), da 27.ª jornada da I Liga portuguesa de futebol, disputado no Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães:

Bino Maçães (treinador do Vitória SC): “[Havia uma dificuldade] claramente mental, que ficou provada na segunda parte. A primeira parte foi muito do Vitória. Chegámos ao golo e tivemos as melhores oportunidades. Na segunda parte, com o golo anulado, a equipa sentiu os ‘fantasmas’ antigos, mas teve muito ‘coração’. Defensivamente, fomos irrepreensíveis. Na primeira parte, houve um remate do Rui Costa defendido pelo Varela. Na segunda parte, há um remate ao lado. De resto, não houve mais ocasiões do Santa Clara. A equipa teve grande entrega e grande atitude. É uma vitória merecida pelo que fizemos.

Mais importante do que ser o meu primeiro triunfo, é a tranquilidade que isto pode devolver aos jogadores e aos adeptos. Para os adeptos, depois de um período tão longo sem vitórias, um triunfo fá-los mais alegres, pelo menos no dia de hoje. Quanto a mim, é sempre importante ganharmos. Sabíamos o que íamos encontrar nesta fase e sabemos o que temos de fazer. Não há tempo e urge trabalhar muitos aspetos, mas ficou provada a garra da equipa.

Tem a ver com a cabeça [dos jogadores] e com as dinâmicas [o facto de a equipa ter perdido muitos duelos individuais diante do Santa Clara]. Tivemos dificuldade em responder à dupla largura do Santa Clara, pois só tínhamos o lateral para responder ao lateral e ao extremo contrários. Permitimos que houvesse mais bola e mais jogo de frente do Santa Clara. Não é fácil mudar esta dinâmica neste período. Quem entrou acrescentou a frescura de que a equipa estava a precisar. Isso fez-nos perceber que há muita gente com quem podemos contar para a densidade de jogos que aí vem.

[A redução de 18 para 16 equipas na I Liga portuguesa de futebol a partir de 2022/23] não é algo sobre o qual me tenha debruçado. O parecer que o Vitória der na devida altura vai ser aquele que todos vamos seguir”.

Daniel Ramos (treinador do Santa Clara): “[Houve] eficácia por parte do Vitória, porque, nas poucas oportunidades, conseguiu concretizar uma e ter uma outra boa situação [para marcar]. Pelo contrário, houve falta de eficácia da nossa parte e faltou-nos fechar jogadas. O nosso caudal foi mais do que suficiente para conseguirmos mais do jogo. Poderíamos ter criado mais oportunidades.

Ficou aqui vincado o porquê de estarmos na posição em que estamos. Temos uma boa ideia de jogo, com a equipa a impor e a querer. Ficou evidenciado que fomos melhor equipa do que o Vitória e o resultado não traduz o que aconteceu no campo. Temos a noção de que, cada vez mais nesta ponta final, a eficácia e os momentos de decisão podem fazer a diferença.

Estávamos a perder, a precisar de encontrar mais espaços entre linhas [a propósito da substituição realizada após o intervalo]. O Anderson Carvalho estava ‘amarelado’ e a entrada de Costinha verteu-se de forma positiva no jogo. Houve bom jogo posicional da equipa e também boa procura dos espaços, porque o Vitória esteve muito tempo fechado e abdicou de atacar. Foi pena que o golo não tenha sido validado, porque estava a traduzir o que estava a acontecer no jogo. Foi difícil aquele golo anulado de ‘forma pesada’. Isso fez a equipa ressentir-se, porque não entendeu a razão pela qual o golo foi anulado.

Às vezes, precisamos de arriscar mais. Temos jogadas fantásticas na aproximação à baliza, mas faltou-nos fechar mais jogadas. Perante o aglomerado de jogadores do Vitória a fechar os cruzamentos e as segundas linhas de finalização, precisávamos de outras formas de finalização: mais remates de meia distância e mais agressividade a atacar alguns espaços. Tivemos muita bola muito perto da baliza do Vitória. Com essa bola, deveríamos ter atirado mais à baliza.

Toda a gente diz que temos de aumentar o tempo útil de jogo e depois vemos alguns jogos em que algumas equipas querem [mais] e outras não querem.

Sou completamente contra a redução [de 18 para 16 equipas na I Liga], por razões óbvias. Parece-me que quem tomou essas decisões deve estar nos gabinetes e não no terreno. O interesse dos treinadores é competir e jogar, mesmo sacrificando em alguns momentos a época. Depois vamos despedir treinadores, reduzir o número de clubes que se pode mostrar a alto nível, mais jogadores e treinadores para os fundos de desemprego e menos clubes a ter acordos com ‘sponsors’. A redução pode dar mais tempo entre jogos, mas há mais aspetos negativos”.

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