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Cávado

‘Vice’ da Câmara de Barcelos nega ter recebido dinheiro para empregar jurista

Caso do envelope com 10 mil euros

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Domingos Pereira à saída do tribunal de Braga. Foto: O MINHO

Domingos Pereira, atual vice-presidente da Câmara de Barcelos, negou esta quinta-feira no seu julgamento, em Braga, a tese da acusação do Ministério Público, segundo a qual o autarca teria alegadamente recebido e mantido durante dois anos e meio um envelope, com dez mil euros, que teria sido entregue pela mãe do jurista José Figueiredo para o filho ser contratado para os quadros da autarquia.

O autarca detinha o pelouro dos Recursos Humanos quando, em janeiro de 2016, uma antiga comerciante barcelense, Maria José Figueiredo, lhe terá feito chegar um envelope com notas no total de dez mil euros, supostamente para Domingos Pereira empregar o seu filho na Câmara.

Mas o antigo presidente da Câmara, Miguel Costa Gomes, retirou todos os pelouros a Domingos Pereira, no dia 06 de maio de 2016, incluindo o dos Recursos Humanos, tendo o envelope sido apreendido em julho de 2018 pela Polícia Judiciária de Braga, em casa do autarca, numa investigação que se relacionava com outros casos sob suspeita, daí nascendo o processo agora em julgamento.

Os dois filhos do autarca testemunharam que o envelope foi ficando em casa, com conhecimento de todos, aguardando que a ofertante, Maria José Figueiredo, o fosse buscar de volta, porque Domingos Pereira nunca aceitaria contribuir para a contratação de José Figueiredo, com quem teve “dissabores”.

O mesmo jurista, num mandato anterior, “nunca se adaptou bem às funções de secretário do vice-presidente da Câmara Municipal de Barcelos”, além de que segundo as funcionárias inquiridas no julgamento “tinha muito mau feitio e não gostava nada de trabalhar”, como disse a administrativa Maria da Conceição, classificando-o como “um menino da mamã”.

Nem o próprio Domingos Pereira, nem os seus dois filhos conseguiram dar uma explicação ao Tribunal Coletivo porque razão, decorridos mais de dois anos e meio, o envelope nunca foi devolvido a Maria José Figueiredo.

Um dos três juízes até questionou porque não depositou, por exemplo, esses mesmos dez mil euros, destinado à antiga comerciante de Barcelos, na Caixa Geral de Depósitos, como se faz em casos semelhantes, ou enviando uma carta registada declinando aquela “oferta”.

Domingos Ribeiro Pereira, que é proprietário de uma farmácia e de uma ótica, ambas em Barcelos, afirmou nunca ter recebido nada de ninguém, uma versão corroborada por um dos vereadores do seu tempo, o economista José Carlos Sousa Brito.

Também a inspetora tributária e aduaneira Maria Elisabete Barreto da Silva, testemunhou perante o Tribunal Coletivo, garantindo que Domingos Pereira seria incapaz de se deixar corromper.

“Caso contrário, pelas minhas funções profissionais, não teria integrado o movimento cívico” que levou à eleição de Domingos Pereira para a vice-presidência da Câmara de Barcelos, em 2021.

“O doutor Domingos Pereira é incapaz de aceitar um euro que seja, isso tenho a certeza absoluta. Muito pelo contrário, ele pagou toda a campanha do seu próprio bolso”, salientou a inspetora.

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