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Alto Minho

Vereador do PSD de Valença não se revê no presidente da Câmara e renuncia aos pelouros

Política

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Foto: Divulgação / CM Valença

– O vereador da maioria PSD na Câmara de Valença, José Monte, renunciou hoje aos pelouros que desempenhava na autarquia, por discordar do rumo político seguido pelo atual presidente, mas permanecendo em funções até ao final do mandato autárquico.

“Hoje, dia 07 de janeiro, renunciei aos pelouros que me estavam confiados pelo senhor presidente. Após a saída do anterior presidente, Jorge Mendes, verifiquei que está a ser implementado um projeto político que considero não ser aquele que ajudei a construir quando, em 2005, apresentamos uma alternativa política pelo PSD aos valencianos”, refere José Monte, numa nota hoje enviada à agência Lusa.

Manuel Lopes assumiu a presidência da Câmara de Valença em novembro de 2019, substituindo no cargo Jorge Mendes, que foi eleito deputado do PSD pelo Alto Minho nas eleições legislativas de outubro desse ano.

Manuel Lopes, o número dois da lista que concorreu às eleições autárquicas de 2017, desempenhou até então as funções de vice-presidente da autarquia.

A Lusa contactou o presidente da Câmara, mas ainda sem sucesso.

Hoje, em reunião camarária, José Monte, informou o executivo da renúncia aos pelouros das coletividades, cultura, desporto, juventude, parques de estacionamento públicos, transportes, turismo, eurocidade e projeto transfronteiriços.

“Permaneço como vereador sem regime de permanência, honrando o mandato que me foi confiado pelos valencianos. Faço-o com o maior respeito institucional e pessoal, mas sem deixar de respeitar o princípio da transparência”, destaca na carta que leu durante a sessão camarária e que remeteu à Lusa.

O anterior presidente social-democrata da Câmara da segunda cidade do Alto Minho, Jorge Mendes, economista, suspendeu o mandato autárquico em agosto de 2019, e renunciou ao cargo antes da tomada de posse como deputado pelo círculo eleitoral de Viana do Castelo a que concorreu como cabeça de lista.

Em 2009, Jorge Mendes protagonizou a grande novidade das autárquicas no distrito de Viana do Castelo, ao conquistar a Câmara de Valença por 250 votos ao PS.

Atualmente, o executivo municipal é composto por sete elementos: cinco do PSD e dois do PS.

“Durante um longo tempo dei o benefício da dúvida com a esperança de que iríamos encontrar esse caminho. Contudo, acabei por constatar que, cada vez mais nos afastávamos do projeto que foi sufragado nas urnas. Penso que terá sido uma escolha consciente, que lamento profundamente porque o projeto inicial era efetivamente melhor, muito melhor”, refere José Monte na carta de renúncia hoje apresentada.

“Estou seguro de que, ao longo deste tempo, respondi com honra e responsabilidade aos desafios. Sei que me empenhei ao máximo em desenvolver os assuntos relacionados com os pelouros que tutelava, na firme certeza que todo o meu empenho foi no sentido de trabalhar e servir a causa pública, o município e os valencianos”, acrescentou.

José Monte destaca a “honra” de ter assumido as funções de vereador a tempo inteiro, mas realçou não poder “ficar indiferente às tomadas de decisão” em áreas da sua competência, ou “às constantes tentativas de limitação do exercício das suas “responsabilidades públicas”.

“Na política não me movo por cargos, posições, vaidades, aparências ou vencimentos. O que me faz lutar no campo político, algo que aprendi ao longo de 20 anos, é servir a causa pública”, observou.

“Como não sou pessoa de me acomodar, de ficar encostado ou de me arrastar pelos corredores, decidi em consciência que não me restam condições para continuar a exercer as minhas funções em regime de permanência. Continuarei a exercer o mandato, sem qualquer função executiva. Saio. Tal como entrei. Pelo meu pé.”, reforçou.

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