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Alto Minho

Vacas alimentadas com girassóis de Viana do Castelo dão queijo “especial” em Barcelos

Plantação em Carreço vai alimentar 200 vacas

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Foto: iStock

A primeira plantação de girassóis em Carreço, Viana do Castelo, tem mais de um hectare e vai alimentar cerca de 200 vacas de uma exploração de Barcelos para dar um queijo com “textura especial” produzido para épocas festivas.

“O queijo que fizermos para o Natal ou para a Páscoa já será com o leite produzido por vacas alimentadas pelos girassóis de Carreço. É um leite com características únicas por causa do óleo de girassol, o que resulta num queijo com uma textura especial. É um queijo de cura longa que fabricamos simples ou enriquecido com pinhão ou amêndoa”, explicou Miguel Lemos, de 54 anos, proprietário de uma exploração agropecuária em Chorente, Barcelos, no distrito de Braga.

A plantação de girassóis em Viana do Castelo, no Alto Minho, foi semeada em junho, como resultado de uma parceria entre o empresário e a Elisabete Fontainhas, proprietária de 20 hectares de terrenos na veiga de Carreço.

Do “teste” feito em 13 mil metros quadrados de campo nasceram “70 a 80 mil plantas de cinco variedades de girassol”. Vão começar a ser colhidas em meados deste mês e, segundo as estimativas de Miguel Lemos, é esperada “uma produção de 40 toneladas de alimento seco” para as 60 vacas leiteiras da exploração do empresário.

As contas de Miguel apontam para uma produção de cerca de 30 mil litros de leite, que será transformado “numa pequena queijaria artesanal”, em aproximadamente 3.500 quilos de queijo “especial”.

“Com uma alimentação à base de silagem de girassol conseguimos produzir mais queijo, com menos litros de leite, ao contrário do que acontece com a silagem de milho. Por outro lado, por causa da gordura da planta de girassol, o queijo ganha uma textura muito boa e é muito versátil, em termos gastronómicos”, garantiu.

Ligado desde sempre à lavoura, Miguel Lemos “tornou-se profissional” da agricultura em 1990, após a formação em zootecnia e cuidados veterinários.

Há cinco anos começou a apostar na plantação de girassóis para alimentar as 200 cabeças de gado bovino da Quinta da Pegadinha, que lhe dão, por mês, 75 mil litros de leite, 30% dos quais para fabrico de queijo.

Os cinco hectares que planta com aquela cultura são insuficientes para aumentar a produção do queijo “especial” que lançou há quatro anos. Precisa de mais girassol, mas não tem campos disponíveis para o cultivar.

Já Elisabete Fontainhas, solicitadora de 42 anos, tem terrenos de sobra, porque a vacaria que explora e onde chegou a ter 150 animais está localizada numa zona com limitações legais. Elisabete tem agora apenas 50 animais para reprodução.

Impossibilitada de expandir o negócio por “condicionantes impostas pelo Plano Diretor Municipal (PDM) de Viana do Castelo, a aposta em novas culturas foi a “alternativa” que encontrou para rentabilizar cerca de 20 hectares de terreno, na veiga de Carreço.

“Que tenha conhecimento, na freguesia de Carrelo esta é a primeira plantação de girassóis. No concelho de Viana do Castelo, com esta dimensão, penso que também será a primeira plantação”, afirmou.

Além da “sustentabilidade” do negócio familiar, Elisabete decidiu avançar com a plantação de girassóis “para fazer ver à sociedade a importância dos agricultores”.

“Dizem que os agricultores só poluem, mas esta aposta demonstra que se os agricultores deixarem de trabalhar a terra ficará tudo cheio de silvas e mato”, reforçou a solicitadora.

Em pleno verão, a plantação de girassóis não passou despercebida aos frequentadores da praia de Paço. O acesso ao mar faz-se por entre campos agrícolas. Ao verde tradicional dos milharais associou-se, este ano, o amarelo da planta associada ao amor e à felicidade.

Nos últimos meses, os girassóis serviram de cenários a inúmeras sessões fotográficas, vídeos de casamentos ou mesmo a ‘selfies’.

“Chegam a fazer fila para tirar fotos”, brincou Elisabete que espera ver evoluir a parceria com o empresário de Barcelos.

“Se tudo correr bem para o ano poderemos estar a ver muitos mais girassóis nestas paragens”, referiu.

Com um ciclo de cultura a variar entre os 80 e os 100 dias, as plantas começam a ser colhidas por uma máquina automotriz, a mesma utilizada na colheita do milho.

“Este ano fizemos um ensaio e funcionou bem. Estamos a estudar os comportamentos das cinco variedades que semeamos para ver a que melhor se adapta a esta zona, próxima do mar, sujeita a ventos fortes, a testar o terreno e a resistência da planta por não ser utilizada rega”, explicou Miguel Lemos.

Cerca de 50% da alimentação diária das 200 vacas leiteiras da exploração de Miguel Lemos é garantida pela selagem de girassol. O resto é milho, cereais e pasto.

“O girassol é muito rico em gordura e, essa gordura, tem muito Ómega 6 e 9 e Vitamina E. São os principais fatores que ajudam na transformação do leite em queijo. Além disso, o óleo da planta ajuda a ter mais rendimento, porque com menos litros de leite conseguimos fabricar mais queijo. É um queijo forte, mais elástico e versátil que acompanha bem um vinho ou uma sobremesa. Pode ir ao forno e dá umas ótimas francesinhas”, especificou.

Em termos ambientais, explicou Miguel, “é uma cultura mais benéfica, por reduzir as pragas e doenças dos solos, por atrair insetos, de fácil maneio e baixo risco”.

A produção de forragem para os animais, para garantir a produção do queijo Pegadinha, é apenas a primeira fase do projeto empresarial que Miguel Lemos tenciona pôr em prática. Para o futuro, a intenção passa por produzir sementes de girassol e óleo para conservar o queijo.

Reportagem por Andrea Cruz, da agência Lusa 

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Ponte de Lima

Jovem morre na A27 em Ponte de Lima

Sentido Viana do Castelo-Ponte de Lima

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Foto enviada a O MINHO

Uma jovem morreu, este domingo à noite, na sequência de um despiste de um automóvel na A27, na zona de São Pedro de Arcos, quando seguia no sentido Viana do Castelo – Ponte de Lima.

A vítima, natural de Moreira do Lima,  freguesia daquele concelho, tinha 22 anos, segundo disse a O MINHO fonte dos bombeiros. Ficou presa nos escombros da viatura, que capotou.

Ao local da ocorrência acorreram 15 operacionais, apoiados por seis viaturas, divididos entre Bombeiros de Ponte de Lima, VMER e SIV do Alto Minho e militares do destacamento de trânsito da GNR.

O alerta foi registado pelo Centro de Orientação de Doentes Urgentes do INEM cerca das 20:43.

Desconhecem-se ainda as causas do sinistro.

O corpo da vítima foi transportado para o Instituto de Medicina Legal de Viana do Castelo.

Última atualização: 23h33

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Viana do Castelo

Viana voltou a bater forte, fortemente. As imagens do segundo dia de música e ruas cheias

Fotorreportagem de Vasco Morais

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Fotos: Vasco Morais / O MINHO

O segundo e último dia do festival Viana Bate Forte, em Viana do Castelo, voltou a juntar muitos milhares de pessoas, este sábado, para os concertos de Ana Moura, no Palco da Liberdade, seguida dos Wet Bed Gang. No Palco da República atuaram os Kappa Jotta, Dino D’Santiago e o DJ Patife. O Palco da Erva contou com os vianenses Pedaço Mau, Phoenix RDC e Vítor Hugo.

Foto: Vasco Morais / O MINHO

Foto: Vasco Morais / O MINHO

Foto: Vasco Morais / O MINHO

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Foto: Vasco Morais / O MINHO

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Foto: Vasco Morais / O MINHO

Foto: Vasco Morais / O MINHO

Foto: Vasco Morais / O MINHO

Foto: Vasco Morais / O MINHO

Foto: Vasco Morais / O MINHO

Foto: Vasco Morais / O MINHO

A 4.ª edição do Festival Viana Bate Forte voltou a trazer duas noites de música e muita animação à capital do Alto Minho.

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Alto Minho

Proximidade e língua levam crianças galegas a creches de Cerveira

Ano letivo

em

Foto: DR/Arquivo

A proximidade e a aprendizagem da língua portuguesa estão entre as razões apontadas pelas famílias da Galiza ouvidas pela Lusa para justificar a frequência das suas crianças de creches em Vila de Cerveira.

“Escolhemos a creche em Vila Nova de Cerveira pela proximidade e porque consideramos muito importante que a nossa filha, desde cedo, aprendesse outra língua”, disse hoje à Lusa, Andreia Rodriguez.

Residente no concelho vizinho de Tomiño, a família Rodriguez atravessa todos os dias o rio Minho, através dos cerca de 500 metros da ponte internacional que liga a localidade galega até à vila situada no distrito de Viana do Castelo para que a filha, de um ano, frequente a creche da Santa Casa da Misericórdia.

A Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) dispõe ainda de jardim de infância. Nas duas respostas estão 81 crianças dos três meses aos seis anos, sendo que 11 são galegas.

Em Vila Nova de Cerveira não há rede pública de creches e jardins de infância, mas Câmara local apoia as duas IPSS concelho. Além das respostas da Santa Casa, que recentemente foi cofinanciada pelo município nas obras de beneficiação das estruturas, a autarquia apoia ainda a creche do centro social e paroquial de Campos, que funciona num dos polos da zona industrial, em instalações municipais.

A filha de Andreia Rodriguez está na sala dos mais pequenos da creche da Santa Casa da Misericórdia, também pelo “horário alargado” que lhe dá “mais liberdade” do que o praticado pela rede galega, onde “pagaria menos”, por ter convenção com o Estado.

“Em Vila Nova de Cerveira fica-nos mais caro, mas preferimos a qualidade”, destacou.

Quando chegou à creche da santa casa já levava “boas referências” de outras famílias galegas.

“Conhecíamos outros casais amigos que tinham colocaram os seus bebés em Cerveira e tinham ficado muito satisfeitos. Gostei muito das condições da creche e a forma como os funcionários cuidam a infância”, referiu.

Em 2008/2009, Adele, filha de Francisco Pereira, foi das primeiras crianças galegas a frequentar aquela instituição. Agora tem 11 anos e frequenta o sexto ano de escolaridade, também num agrupamento de Vila Nova de Cerveira, apesar de a família continuar a residir do outro lado do rio internacional.

A falta de vagas na aldeia de Goián, concelho de Tomiño, onde a família reside levou-o à creche da Santa Casa, “a cerca de cinco minutos de distância”, explicou Paco, como é conhecido, de 69 anos.

Técnico de máquinas, aposentado, Paco apontou o contacto com o português como outro dos fatores que pesou na decisão.

“Há estudos psicológicos que demonstram que uma criança que cresce a aprender outro idioma desenvolve-se melhor”, observou.

A diretora, Cristina Malheiro, destacou que, “de ano para ano, a procura por parte de famílias galegas tem vindo a aumentar” porque “nem a distância nem a língua” são “barreiras” num relacionamento “antigo e muito forte” entre as duas localidades.

“As famílias acabam por se relacionar entre elas. Criam-se laços entre os próprios adultos e frequentam a casas uns dos outros. Até porque os galegos não procuram só a creche como a piscina e outras ofertas que temos na vila”, reforçou.

A creche e o jardim de infância funcionam todo o ano, “sem paragens em agosto”, e 07:30 às 18:30 (hora portuguesa).

Criada há 13 anos, a creche de apoio às empresas instaladas na zona industrial de Campos, foi construída pela Câmara de Vila Nova de Cerveira, mas é gerida pelo centro social e paroquial da freguesia.

Tem capacidade para 75 crianças até aos três anos, sendo que este ano têm três bebés galegos. Uma delas é a filha de 18 meses de Sílvia Fontan.

Silvia vive em Tomiño e trabalha em Vila Nova de Cerveira, “pertinho” do equipamento onde a filha mais velha também frequentou o pré-escolar.

Além da proximidade, a “confiança” nos serviços da creche determinam a escolha.

A diretora, Severina Ribeiro, explicou que a creche foi para responder às necessidades dos trabalhadores das empresas instaladas nos dois polos industriais criados pela autarquia na freguesia de Campos.

“Todos os anos temos procura de famílias galegas, mas essa procura está muito dependente da dinâmica da zona empresarial porque os nossos meninos são filhos dos trabalhadores das empresas da zona industrial”, explicou.

Segundo Severina Ribeiro, “o horário de funcionamento da creche, entre as 05:30 às 19:00, para acompanhar os turnos das fábricas e a localização, no Centro de Apoio às Empresas, no polo II da zona industrial” são os fatores apontados pelos encarregados de educação.

Para o presidente da Câmara de Vila Nova de Cerveira, Fernando Nogueira, este relacionamento reflete a “grande de confiança” que existe entre as populações das duas localidades.

“É uma confiança que se traduz na qualidade dos serviços prestados nesta área educativa no município de Vila Nova de Cerveira e, no excelente relacionamento entre os municípios de fronteira, como é o caso tão peculiar da eurocidade Cerveira-Tomiño”, reforçou o autarca.

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