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Viana do Castelo

Uso da bicicleta podia ajudar a poupar até 40 mil euros por dia em cidades como Braga

Viana é a cidade minhota onde a bicicleta é mais usada nas deslocações diárias

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Foto: DR

Viana do Castelo é a cidade minhota onde a bicicleta é mais usada nas deslocações diárias, com 0,64% das deslocações a serem feitas por este meio. Segue-se Famalicão (0,26%), Braga (0,17%) e, por último Guimarães (0,13%). O uso da bicicleta podia ajudar a poupar milhares de euros por dia em combustível, emissões de CO2 e custo com a qualidade do ar, além dos benefícios para a saúde.

A análise é do projeto “BooST – Impulsionar a Bicicleta em Cidades Principiantes”. Este projeto concentra-se em cidades-principiantes no uso da bicicleta como meio de transporte e visa disponibilizar conhecimentos técnicos específicos que permitam dar o primeiro impulso na utilização da bicicleta. Integram o BooST as Universidade do Porto e de Aveiro, o Centro de Investigação do Território Transportes e do Ambiente (CITTA) e a Unidade de Investigação em Governança, Competitividade e Políticas públicas (GOVCOOP).

As informações têm por base os Census de 2011. O BooST e traça cenários em que avalia os benefícios do aumento do uso da bicicleta, tendo por base a redução de custos no consumo de combustível, emissões de CO2 e qualidade do ar. 

Os principais meios de transporte nas deslocações pendulares, nas quatro maiores cidades minhotas, são os mesmos, embora com flutuações: a pé surge em primeiro lugar, depois o carro e em terceiro lugar a o autocarro. Em Braga e Guimarães, anda-se mais a pé, 18,20% e 18,22%, respetivamente, comparados com os 14,95% de Famalicão e os 15,15% de Viana do Castelo.

Viana do Castelo, que já é a cidade que mais usa a bicicleta, poderia poupar 1.296,17 € euros por dia, no consumo de combustível, se alcançasse o cenário ITDP 2021 (Institute for Transportation & Development Policy), que estabelece um aumento de 0,2 pontos percentuais por ano. Quer dizer que, nos Census 2021, a utilização da bicicleta pelos vianenses, nos movimentos pendulares diários, teria de estar acima de 2,5%.

No mesmo cenário, a cidade de Braga, em que, de acordo com os Census 2011, a utilização da bicicleta nas deslocações diárias corresponde a 0,17%, poderia obter uma poupança diária em combustível de 2.777,71 euros. 

No caso de Guimarães, o custo diário das deslocações pendulares (residência/local de trabalho ou estudo/residência), por dia, foi calculado em 132.798,02 euros, custo do combustível, 6.133,52 euros, custo das emissões de CO2 e 6.529,06 euros, custos para a qualidade do ar. No cenário ITDP, a poupança em combustível, em relação ao cenário atual, seria de 2.199,86 euros, em emissões de CO2 de 104,36 euros e na qualidade do ar de 70,97 euros.

Num cenário absolutamente otimista, em que a quota modal da bicicleta atingisse 35,5%, em Guimarães, a poupança diária em consumo de combustível chegaria perto dos 40 mil euros. A esta economia juntar-se-ia 1.825,30 euros de redução de custos de emissões de CO2 e 1.243,23 euros de redução de custos com a qualidade do ar.

A cidade de Braga, que tem um consumo diário de combustível, nas deslocações pendulares, de 169.859,58 euros, no cenário mais otimista admitido pela BooST, em que a bicicleta atingiria uma quota modal de 28,7%, poderia poupar 39.260,99 euros. A este valor somar-se-ia ainda a poupança de 1.863,27 euros, em emissões de CO2 e 1.253,17 euros nos custos com a qualidade do ar.

Na página do projeto BooST é possível usar uma ferramenta para traçar outros cenários e avaliar os resultados. O projeto contabiliza também os ganhos em saúde com o uso da bicicleta.

Uma vez que o projeto BooST parte da informação recolhida nos Census 2011, agora que se sabe que os resultados preliminares dos Census 2021 vão sair dia 28 de jullho, será interessante avaliar até que ponto é que a bicicleta ganhou, ou não, adeptos, para as deslocações diárias.

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