Uma funerária para animais nasce em Vizela

A pensar nas pessoas que não querem que o seu animal acabe incinerado num monte com outros

Hoje, os animais de companhia são considerados por muitas pessoas como elementos da família. Os donos não regateiam meios para garantir a sua saúde e o seu bem-estar e o mercado tem apresentado cada vez mais soluções, desde alimentação especializada, a hotéis, passando por serviços veterinários cada vez mais refinados e até tratamentos cosméticos e vestuário. Todavia, no fim da vida destes animais, os donos ficam, frequentemente, sem saber o que fazer.

Foto: Rui Dias / O MINHO 

Se a morte acontece no veterinário, o que é cada vez mais frequente, fica quase sempre a cargo deste profissional tratar do assunto. “A Direção Geral de Alimentação e Veterinária recomenda que os corpos dos animais de companhia mortos sejam incinerados”, explica Tiago Gomes, um dos sócios da Saudade Animal, uma empresa especializada em serviços funerários e cremação animal que vai iniciar a atividade no próximo dia 4 de outubro. Os veterinários, obviamente, cumprem com a recomendação da DGAV, porém, “como se trata apenas de uma recomendação e alguns donos não querem pagar as taxas e até têm um terreno, os corpos são devolvidos e as pessoas fazem o enterro”, salienta Tiago.

Tiago Gomes, o responsável técnico, com experiência em funerárias humanas. Foto: Rui Dias / O MINHO

Aqueles que deixam o corpo do seu animal de companhia nas mãos do veterinário raramente pensam no que lhe acontece em seguida. “Estes animais são recolhidos, tal como os que morrem nos centros de recolha municipais e são cremados em grupo”, esclarece Tiago. Alguns municípios têm fornos crematórios outros, uma vez que se trata de um investimento elevado, optam por entregar o serviço a uma empresa especializada.

Foto: Rui Dias / O MINHO
Foto: Rui Dias / O MINHO

Um gesto de despedida

Para muitos donos de animais, a ideia de que aquele que foi um bom e fiel companheiro acaba queimado num monte juntamente com outros, ou enterrado num canto qualquer da propriedade, já não é satisfatória. “Se as vidas dos animais se tornaram mais importantes para os seres humanos é natural que na hora da morte também ganhem outro valor”, aponta Tiago. É desta certeza que surgiu a ideia de criar um serviço funerário para animais de companhia.

Foto: Rui Dias / O MINHO
Foto: Rui Dias / O MINHO

Tiago já trabalhava na área dos serviços funerários, mas para humanos. “Tinha os conhecimentos técnicos e a formação necessária para me lançar”, indica. Juntou-se com mais dois amigos de infância, Simão Araújo e Pedro Duarte, que trouxeram para o projeto a experiência no mundo dos negócios e puseram de pé o projeto que está prestes a arrancar. Além de uma amizade de longa data, une-os a paixão pelos animais e a certeza de que há outras pessoas, como eles, que não querem deixar de ter um gesto de despedida para com os seus animais de companhia.

Nas instalações da Saudade Animal, os donos têm acesso, além do serviço de cremação individual, a um Jardim Memorial. Trata-se de um local onde podem ser depositadas as cinzas do animal. A cremação é feita num forno especializado para o efeito. Um investimento de cerca de 150 mil euros que garante o cumprimento das normas ambientais em termos de emissões. “Garantidamente não há emissão de cheiros nem de partículas”, assegura Simão Araújo.

Relicários, para manter as cinzas dos animais junto do peito. Foto: Rui Dias / O MINHO

O processo é transparente e pode ser acompanhado pelos donos

A transparência do processo é uma das premissas da Saudade Animal, “por isso construímos a nossa Sala de Despedida de forma que os donos possam ver o seu animal ao longo de todo o serviço”, aponta Tiago. No espaço construído para o último adeus, há uma janela que permite ver quando o animal é transportado e colocado no forno.

“A inceneração acontece sem chama, de forma lenta, 40 quilogramas por hora”, por isso os preços variam de acordo com o peso do animal, mas também com a qualidade do serviço que o dono escolher. Para um pequeno animal de cinco quilos (um gato), a cremação individual começa nos 178 euros, pode ir subir até aos 256 euros, num serviço mais completo ou até aos 656 euros, no caso de um funeral premium. Para um cão de 20 quilos (um labrador) ,o preço de um serviço mínimo individual são 218 euros, 276 euros, num pacote intermédio e 696 euros, num funeral de excelência.

A quem não tiver os meios financeiros para uma despedida deste tipo, mas, mesmo assim, quiser fazer algo especial, a Saudade Animal oferece as “patinhas de gesso”: uma impressão em gesso da pata do animal de estimação.

Grande variedade de opções

Os que escolherem serviços mais completos têm uma enorme variedade de opções. As urnas podem ser biológicas e dar origem a uma árvore, depois de postas na terra, podem ser hidrossolúveis, para serem colocadas na água, ou podem ter as mais diversas formas, com a fotografia do animal ou com as cinzas à vista. As cinzas podem ser depositadas no Jardim Memorial, ou levadas para casa. “São completamente inócuas, por isso podem ser depostas em qualquer local”, elucida Tiago que, com a sua experiência na área das empresas lutuosas humanas, vai assumir a responsabilidade técnica.

A Saudade Animal comercializa relicários – pequenas joias – onde podem ser colocadas as cinzas do animal perdido, para serem transportadas ao peito. Aos mais preocupados com as questões ambientais, a empresa oferece a possibilidade de compensar as emissões de CO2 através de um programa da Quercus que garante a plantação de uma árvore autóctone.

Nas instalações da Saudade Animal há um espaço dedicado ao acolhimento temporários de cães e gatos errantes. A ideia é que as pessoas que perderam os seus companheiros possam travar conhecimento com estes animais que precisam de uma família e se possível que os adotem.

 
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