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Braga

Um dos segredos mais bem guardados da arquitectura está a ser reconstruído em Ponte de Lima

Capela desenhada pedra por pedra por Tiago do Vale, arquitecto natural de Ponte de Lima, mas com atelier em Braga, que tem recebido vários prémios nos últimos anos

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Foto: Facebook de Tiago do Vale

É um dos segredos mais bem guardados da arquitectura da região do Minho. A reabilitação de uma pequena capela, em Ponte de Lima, está a gerar burburinho nos meios arquitectónicos.

Desenhada pedra por pedra por Tiago do Vale, a capela, privada, poderá estar concluída até ao final do ano.

O arquitecto natural de Ponte de Lima, mas com atelier em Braga, revelou a O MINHO que “é um projeto que nos tem encantado porque desenhamos, obsessivamente, pedra a pedra e esperamos que possa ser usufruída em breve”.

É uma capela “privada de pequeníssima escala, muito próxima daquelas capelas românicas minhotas que todos conhecem, embora seja própria do seu tempo, mas inserida nessa tradição. Espero que esteja concluída ainda este ano”.

Sem querer adiantar mais detalhes ‘para não estragar a surpresa’, Tiago do Vale é considerado um especialista em reabilitação e tem um gosto especial pelas estruturas religiosas: “gostava de experimentar um projeto de maior dimensão”.

Mas diga-se já que a sua ambição é outra: “desde estudante que gostava de desenhar uma escola de arquitetura porque facilmente identificamos o que está bem e o que está mal e era o exercício perfeito para um recém-licenciado”.

Arquiteto de Ponte de Lima triplamente distinguido em competição de Nova Iorque

O Chalé das Três Esquinas, o Espigueiro-Pombal do Cruzeiro e a Casa de Gafarim foram os mais recentes projetos premiados a nível internacional, neste caso nos Muse Design Awards, provando que “a arquitetura portuguesa continua a estar bem cotada internacionalmente”.

Natural de Ponte de Lima

Foto: Facebook de Tiago do Vale

Apesar de ter nascido em Esposende e ter vivido o primeiro par de anos em Viana do Castelo, é na vila limiana que Tiago do Vale viveu toda a sua infância e juventude até embarcar para a Universidade.

Na infância, a primeira paixão foi a astronomia, “tinha interesse pela física e pela matemática”, e depois o design de transportes. “Eu sempre fui muito curioso. Há um bocado o mito que para a arquitetura é preciso ter interesse pelas artes e pelo desenho mas a verdade não é bem assim: é preciso ter interesse um bocadinho por tudo, ter uma curiosidade de largo espectro. E isso eu sempre tive”.

O gosto por desenhar e conceber coisas esteve sempre presente bem como o gosto de desmontar objetos. “Tinha uma paixão pelo design, pela ideia de fazer essa síntese entre a técnica e o uso ou o desenho. Interessava-me, especialmente, pelo design automóvel ou de transportes”.

O clique deu-se por volta dos 15/16 anos: “foi o lado mais pragmático a dizer-me que aquilo não era carreira em Portugal e se calhar, foi esse pragmatismo que começou a trilhar o caminho para a opção da arquitetura que era muito mais razoável”.

Coimbra

Assim como os pais e a irmã, Tiago também escolheu Coimbra para tirar o curso. Na cidade dos estudantes, o percurso académico foi “pouco convencional”.

Envolveu-se nos órgãos de gestão da universidade, foi senador, membro da Assembleia, delegado dos serviços de Acção social e vice-presidente da Associação Académica: “acabei por ter uma experiência em vários aspectos utilizáveis no mundo do trabalho e que me permitiu uma integração nesse mundo com menos ruturas e menos choques”.

Primeiro emprego: Arcos de Valdevez

Estava, no segundo ano da Faculdade, quando foi trabalhar para um gabinete de arquitectura, em Arcos de Valdevez. “A prática era estritamente profissional, estava sob a coordenação de um arquitecto, mas concebi projectos de muitos tipos desde o urbanismo até ao mobiliário urbano já com bastante autonomia”.

Portanto, “o meu contacto com o trabalho foi por um lado mais precoce e por outro mais suave e progressivo do que aquele choque normal de acabar o curso e ir para o mundo do trabalho”.

Antes de se fixar em Braga, ainda passou por Aveiro, pelo gabinete de um professor de Coimbra, mas a crise económica de 2008 fez Tiago do Vale repensar o caminho que estava a trilhar.

“O gabinete em Aveiro tinha poucas encomendas, eu tinha alguns contactos e estavam a alinhar-se algumas oportunidades aqui no Norte. Pareceu-me mais natural, e já que era o momento de aproveitar a crise, decidir vir, ficar mais perto das minhas raízes e Braga é uma escolha natural, tem um mercado de boa dimensão, é uma cidade economicamente agitada”.

Sem tema específico

Tiago do Vale é conhecido pelos trabalhos que vai fazendo na área da reabilitação mas “a verdade é que o gabinete trabalha todo tipo de programas, com todo o tipo de escalas. Não acreditamos muito na especialização”.

É que “na arquitetura não se é melhor arquitecto por se ser especialista só num tipo de arquitetura. Todas áreas e o seu conhecimento acabam por se alimentar umas às outras.

O arquiteto limiano não tem dúvidas em dizer que “hoje há mais encomendas” associadas ao aumento da construção. “Há ainda um grande hiato a preencher entre a arquitetura e a forma como ela é comunicada à sociedade, não é uma profissão que seja completamente compreendida”.

Os ‘culpados’ estão identificados: “há um certo mito, que tem a ver com uma tradição forçada no após 73, que havia técnicos não arquitetos a fazer arquitetura e isso ficou um pouco enraizado na cultura portuguesa. É um obstáculo que ainda não foi completamente ultrapassado”.

Futuro

Daqui a 20 anos, Tiago do Vale gostava de dizer que a “paisagem arquitetónica” está melhor mas “não tenho a certeza. Gostava que se compreendesse o papel que a arquitetura tem na qualidade de vida das pessoas, o impacto que tem na psicologia do ambiente. Era preciso cultivar esta ideia que a arquitetura é uma questão de saúde pública e que fosse mais fácil integrar este contributo na sociedade”.

Isso passaria pela “educação do cidadão comum”, nas escolas, “aprendendo a importância que a arquitetura tem na nossa qualidade de vida”. Um papel que seria extensível “aos arquitectos” que “como classe, precisam de mostrar o seu contributo para uma melhor sociedade”.

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Braga

Sónia Fertuzinhos confirmada pelo PS como cabeça de lista em Braga

Eleições legislativas

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Foto: DR/Arquivo

A deputada socialista Sónia Fertuzinhos vai encabeçar a lista do PS pelo círculo eleitoral de Braga nas próximas eleições legislativas, confirmou hoje à agência Lusa fonte oficial deste partido.

Por problemas com a lista saída da Federação de Braga dos socialistas, o processo de escolha de deputados acabou por ser avocado para hoje em Comissão Política do PS, reunião que começou pouco depois das 21:00, em Lisboa.

Após Sónia Fertuzinhos, a lista de Braga apresenta em segundo lugar o secretário de Estado José Mendes e a líder da Juventude Socialista, Maria Begonha, em terceiro. O presidente da Federação, Joaquim Barreto, surge na quarta posição.

O secretário nacional do PS para a Organização, Hugo Pires, vai em quinto lugar na lista deste distrito, tendo sido indicado pela quota do secretário-geral do PS, António Costa.

Pelos estatutos do PS, as federações escolhem dois terços dos nomes em cada lista, cabendo o restante terço ao secretário-geral do partido.

No círculo eleitoral de Braga, nas eleições legislativas de 2015, o PS elegeu oito deputados e parte para as eleições de outubro próximo com a expectativa de conseguir no mínimo nove mandatos.

Em outro processo que foi polémico no PS, o da Guarda, após a cabeça de lista, a secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, surge o deputado Santinho Pacheco e já não o demissionário presidente desta federação, Pedro Fonseca.

Antes da Comissão Política Nacional desta noite, a partir do final da tarde esteve reunido o Secretariado Nacional do PS, o órgão partidário de direção e que é liderado pelo secretário-geral, António Costa.

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Braga

Ministro da Educação destaca papel desportivo da Universidade do Minho

Instituição ganhou a Medalha de Honra ao Mérito Desportivo

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Foto: DR/Arquivo

O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, condecorou hoje a Universidade do Minho (UM) com a Medalha de Honra ao Mérito Desportivo pelos serviços prestados em prol do desporto universitário.

O ministro que tutela também o Desporto elogiou a aposta da universidade minhota no desporto, considerando que o seu complexo é também um “salão nobre” da UM.

“O estudo e o desporto não são duas caras concorrentes da mesma moeda, mas coincidentes, que constroem a cidadania que tem que ser responsável, sadia e ativa”, afirmou o ministro, em Braga, após a entrega do galardão na cerimónia de encerramento do Europeu de Futsal Universitário.

O responsável governativo, que destacou que a UM foi pioneira na criação do estatuto do estudante/atleta, frisou ainda que se celebrou “também a aposta forte numa carreira dual, em poder compatibilizar carreiras desportiva e académica”.

Nas instalações desportivas da UM são praticadas mais de 70 modalidades e realizam-se, todos os anos, aproximadamente 150 eventos desportivos de caráter competitivo, recreativo e cultural.

Em 2013, a UM conquistou o título de melhor instituição do ensino superior europeia em desporto universitário atribuído pela Associação Europeia de Desporto Universitário (AEDU) e, na última década, conquistou quatro vezes o segundo lugar e uma vez a terceira posição nesta categoria.

Em 2017, foi considerada pela AEDU a universidade mais ativa da Europa, no âmbito do Desporto Universitário.

A UM conquistou, desde 2006, mais de 70 medalhas em campeonatos europeus universitários.

O Europeu de Futsal Universitário, que decorreu em Braga nos últimos dias e que envolveu 28 equipas de 12 países, foi conquistado pelos espanhóis da Universidade de Málaga.

A equipa masculina da Universidade do Minho ficou em terceiro lugar, a do Instituto Politécnico de Leiria em sexto e a da Universidade de Coimbra em 17.º.

Na competição feminina, também ganha por uma universidade espanhola, de Múrcia, a Universidade do Minho, a única portuguesa em competição, foi eliminada nos quartos de final.

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Braga

Vila Verde: Doença rara paralisou José Manuel. Precisa de 9 mil euros para adaptar carrinha

José Manuel Carvalho, natural de Braga, mas a residir em Vila Verde, sofre de Esclerose Lateral Amiotrófica

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A família de José Manuel Carvalho, que padece de uma doença rara, lançou um pedido de ajuda para adaptar uma carrinha de forma a garantir maior qualidade de vida a este antigo eletricista, natural de Merelim São Pedro, Braga, e residente em Soutelo, Vila Verde, que sofre de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA).

Para esse efeito, têm sido levadas a cabo várias iniciativas de angariação de fundos, como foi o caso de uma prova de automobilismo organizada por “Os Brutos”, no passado sábado, de forma a ajudar ao pagamento da viatura que a família está prestes a adquirir.

Imagem: DR

O MINHO falou com Rita Ribeiro, filha de José Manuel. A soutelense explica que, para a compra de uma nova carrinha que possa ser adaptada, e pela qual já deram algum valor de entrada, será necessária a venda da própria viatura da família, dado o preço elevado. Mas não chega para as despesas.

“Para a compra da carrinha e da sua transformação são necessários 25 mil euros no total, mas o nosso principal objetivo é angariar nove mil euros para a transformação”, explica Rita, acrescentando que, desde o início da doença, diagnosticada em agosto de 2017, a mãe deixou de trabalhar para cuidar do pai, que ficou incapacitado de realizar os trabalhos que fazia como eletricista por “conta própria”.

Atualmente, José Manuel já não fala e está completamente paralisado.

José Manuel padece de ELA bulbar, ou seja, viu-se afetado numa fase inicial na fala e na garganta. Acabou por perder a capacidade de comunicação verbal, tendo a doença tolhido, ao longo do último ano, também a mobilidade dos membros, estando atualmente paralisado.

“Aguenta-se cerca de três segundos em pé sozinho”, explica a filha.

José Manuel com a família, antes de lhe ter sido diagnosticada a doença. Foto: Cedida a O MINHO

Rita adianta que, numa primeira fase, foram alvo da solidariedade dos amigos e da própria Junta de Freguesia de Soutelo, que confirmou o caso a O MINHO, de forma a renovar o piso inferior de uma moradia para que ficasse adaptada a José Manuel e às suas necessidades. Para além do casal, na mesma habitação, reside ainda outro filho, de onze anos.

Conta solidária: IBAN PT50 0036 0389 99106009100 67

A filha do casal explica que os primeiros sintomas da doença foram detetados ainda em dezembro de 2016, mas que apenas meio ano depois lhe foi diagnosticada esta doença rara, que afeta a comunicação entre cérebro e músculos. Acrescenta ainda que este tipo de transformações na viatura são comparticipados pelo estado, mas que esse apoio ainda demorará cerca de dois anos a ser “libertado”.

O MINHO contactou Filomena Borges, responsável pelo departamento de comunicação da Associação Portuguesa de Esclerose Lateral Amiotrófica (APELA), que confirmou estas “demoras” do Estado nas comparticipações aos utentes que sofrem desta doença que afeta a comunicação entre cérebro e músculos.

A responsável daquela associação explica que existem, atualmente, cerca de 800 casos identificados com ELA em Portugal, surgindo 200 novos casos a cada ano, e que a Segurança Social, através do Estado, disponibiliza apoios para garantir o direito à mobilidade, como é o caso de adaptar viaturas, mas também à comunicação. Acrescenta, todavia, que estes processos são “muito demorados e os doentes que submetem estes pedidos” nem sempre chegam a usufruir deles em vida, dada a “imprevisibilidade da doença” que não tem ainda qualquer cura.

Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)

Filomena Borges sumariza as caraterísticas da ELA, apontando que esta doença surge quando os “neurónios motores responsáveis deixam de transmitir informação entre o cérebro e os músculos, porque morrem precocemente, paralisando o doente”.

“É uma doença profundamente incapacitante, sem causas definidas e sem cura, que, em proporções imprevisíveis, vai tomando conta do corpo da pessoa”, acrescenta.

José Manuel. Foto: Cedida a O MINHO

É uma doença sem reabilitação possível, mas com a possibilidade de assegurar qualidade de vida, através de fisioterapia, terapia da fala, psicologia, entre outros métodos clínicos.

Explica que a doença pode manifestar-se inicialmente com dificuldades em mover os membros ou de falar e deglutir, afetando ainda a pressão respiratória. “Esta doença, por ser incapacitante, acaba por ser não só da pessoa que a tem mas também da própria família, dos cuidadores informais”.

Associação Portuguesa de Esclerose Lateral Amiotrófica (APELA)

A APELA é uma Instituição Particular de Segurança Social (IPSS) que surge no sentido de “tentar apoiar as pessoas com ELA e os seus familiares”, como explica Filomena Borges. Para além dos serviços clínicos, disponibiliza ainda serviço social e de nutrição nas cidades de Porto e Lisboa, existindo já algumas colaborações com unidades de saúde local em outras regiões do país.

De acordo com a responsável, a APELA tenta ainda consciencializar o corpo clínico do país para esta doença, mas não só.

“Tentámos sensibilizar o poder político para esta doença de forma a agilizar certos processos – uma desburocratização – como é o caso da Segurança Social, para que os utentes possam mais rapidamente ter uma comparticipação e não ficarem vários anos à espera”, explica.

“Temos também a função de informar a sociedade civil sobre esta doença”, acrescenta.

Segundo dados da mesma associação, existem atualmente cerca de 800 portugueses diagnosticados com Esclerose Lateral Amiotrófica, surgindo cerca de 200 novos casos a cada ano.

A nível mundial, de acordo com informação disponibilizada pela CUF, os dados variam muito segundo o tipo de estudo e a população em causa mas estima-se que existam três a cinco casos de Esclerose Lateral Amiotrófica por cada 100 mil pessoas a nível global.

Ice Bucket Chalenge

No verão de 2014, uma ação de consciencialização para esta doença tomou proporções virais um pouco por todo o mundo. Trata-se do “Ice Bucket Chalange” onde as pessoas se filmavam enquanto viravam um balde de água gelada pelo próprio corpo. Essa ação permitiu uma primeira consciência global sobre a ELA.

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