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Viana do Castelo

Teimosia do proprietário mantém aberta única loja de discos de Viana do Castelo

José Felgueiras assumiu o negócio aos 22 anos

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Foto: DR

Mais do que um resistente, José Felgueiras admite ser “teimoso” por “insistir” em manter abertas as portas da “única” loja de discos do comércio tradicional de Viana do Castelo que, em outubro, completará 44 anos.

Numa das ruas mais movimentadas do centro da cidade, a Galáxia, que “nos períodos fortes das férias dos emigrantes ou no Natal” chegou a empregar sete pessoas, continua a resistir à era digital, mas agora apenas com o proprietário.

Foto: DR

José Felgueiras assumiu o negócio aos 22 anos, “quando saiu da tropa”, trocou o emprego numa livraria e aceitou decidiu apostar num negócio por conta própria. Hoje, aos 66 anos, a “paixão” pela música não se resume à empresa, para ganhar forma na guitarra, em jeito de blues e jazz, no conjunto que formou com amigos.

Muitas amizades nasceram na loja Galáxia. O funcionário Arlindo Fernandes, que o acompanhou durante mais de duas décadas, e que, em 2018, se viu “obrigado”, ou Vítor Coutinho, que “foi e continua a ser um dos seus melhores clientes”, com um espólio de mais de 36 mil discos em vinil e CD.

A abertura da Galáxia, relembra José Felgueiras, veio “inovar” o comércio da cidade. O negócio começou “lento” porque “não havia muita gente com gira-discos”, uma “adversidade” que contornou, passando a vender também os equipamentos.

Foto: DR

Com “saudade”, recorda a década “rica e criativa” de 80 e “os sucessos de grandes grupos da cena rock, como os Pink Floyd e Supertramp”, que vieram “incrementar bastante o comércio do vinil”, atualmente a regressar às prateleiras da loja.

Nessa época, a loja “tinha duas cabines, com gira-discos e sofás”, onde o cliente podia ouvir as novidades.

“Umas vezes compravam outras não, mas existia um convívio interessante. Nessas cabines, se calhar, até se fizeram alguns casamentos. Muitos casais namoravam ao som da música”, brincou.

Naqueles tempos, recorda, as sessões de autógrafos com artistas que estavam no ‘top’ eram um “sucesso”. “A polícia tinha que vou pôr ordem na multidão. Todos queriam entrar na loja para estar perto dos ídolos”, relembra.

As rádios da cidade eram, por essa altura, “grandes clientes” da loja. “Em meados da década, com o aparecimento das rádios pirata [designação atribuída às estações emissoras antes do processo de legalização iniciado em dezembro de 1988], eram os próprios animadores que tinham de levar os seus discos para os programas. Muitos vinham aqui comprar as novidades. Hoje são as editoras a enviar os trabalhos”, explicou José Felgueiras

A “grande transformação” que, entretanto, o setor foi conhecendo, com a chegada do mini disc, do CD e da internet, veio complicar o negócio.

“Hoje basta um ‘click’ para comprar música, nem é preciso sair de casa. A concorrência, às vezes, é de tal forma dura que, realmente, dou comigo a pensar. Será que estou aqui por teimosia?”, questionou.

Foto: DR

Mas depois vê o “reverso da medalha”, o “reconhecimento” das pessoas que “confiam” nas suas propostas e sugestões. “É o que me faz trabalhar e o que me dá vontade para continuar. Tenho clientes de muitos anos que vêm de Braga e de Espanha. Sinto que as pessoas dão valor ao meu trabalho e à minha casa. São elas que me alertam para a importância, “icónica”, no contexto da cidade”, referiu.

Muitas das casas da especialidade que conhecia, na cidade e no país, já encerraram. José Felgueiras garante não ser um homem “vaidoso”, mas reconhece que a “relação que estabelece com os clientes acaba por fazer toda a diferença”.

O espectro do encerramento não está dissipado. O ano de 2018 foi a “prova disso”. Foi necessário “cortar despesas”. Já 2019 será o ano do “tira teimas”.

Apesar da idade já pesar no prato da balança, a “falta de coragem” para encerrar “uma vida” dedicada à loja e à música faz de fiel, numa medição “ingrata” porque, do lado de “lá estão os clientes, que se transformaram em amigos, a desequilibrar tudo”.

De olhar colocado nas prateleiras que preenchem as paredes da loja fixa os cerca de 15 a 20 mil exemplares e deixa escapar: “Tudo o que está aqui é meu. Foi comprado em consciência. Escolhido com todo o cuidado. Apostas seguras, procurando ir, como sempre, ao encontro do gosto dos meus clientes”.

Não é seguidor das redes sociais. Por “falta de tempo e paciência”, José Felgueiras “raramente” utiliza aquela ferramenta para promover o negócio. “A melhor publicidade é a do boca a boca, passando a palavra”, aponta, enquanto se despede do cliente que virou amigo e que relembrou o ensaio do conjunto, naquela noite.

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Desporto

Darque Kayak Clube retira a inscrição de atletas de paracanoagem após ameaças

Do campenato nacional

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Foto: Divulgação

A Darque Kayak Clube informou este fim de semana que decidiu retirar a inscrição dos seus dois atletas de paracanaogem federados da prova do campeonato nacional de regatas em linha KS1, para que os mesmos não sejam expostos a novas ameaças à sua integridade física, a comentários depreciativos ou injúrias.

Segundo o clube, três atletas portadores de deficiência intelectual, dois técnicos da DKC e um técnico de uma escola para deficiência, foram alvo de um comportamento por parte de um canoista (jovem e alheio à DKC) em maio, ao que tudo indica de ameaça de atropelamento, ao imprimir fortes acelerações e arranques bruscos em direção aos mesmos quando estes saiam do treino de água e se dirigiam ao Centro de Canoagem com os respetivos kayaks em plena passadeira. Foi reportado a quem de direito.

O Darque Kayak Clube, alega que a motivação desta ameaça contra os estes atletas e tecnicos prende-se provavelmente ao facto de quererem impedir que estes atletas participem na prova de paracanoagem, categoria KS1, destinada a atletas com deficiência intelectual no campeonato nacional de regatas em linha do dia 21 de julho de 2019, diz o DKC, em comunicado.

“Tem-se sentido nos últimos tempos a presença deste e outros canoistas alheios à DKC, nas horas, dias e locais de treino destes atletas portadores de deficiência intelectual, bem como à quase dois anos atletas, técnicos e dirigentes tem sido alvo sistemático de comportamentos de ameaças, injúrias e até de ofensas à integridade física”, pode ler-se no texto.

Leia o email enviado à organização do evento:
“Agradecendo a vossa pronta resposta, é nosso entendimento não estarem reunidas as condições mínimas de segurança para a participação dos nossos dois atletas de paracanoagem na categoria KS1, nomeadamente na categoria de deficiência intelectual.

Assim, sem medidas de segurança (ou acréscimo), é nosso entendimento que se poderá repetir o episódio de ameaças à integridade física grave e mesmo ameaças à vida por parte de canoista (s) federados, assim como episódios reiterados de violência no desporto tais como comentários depreciativos, ameaças, injurias…,

Pelo perfil dos nossos atletas não parece razoável submetê-los a tais comportamentos, nem parece razoável manchar uma prova que por si só, pelos seus intervenientes deveria ser mais nobre e consensual e não serem objeto desta componente negativa que está a viver uma parte da náutica de Viana.

Para preservar a integridade física e moral dos atletas portadores de deficiência mental, dos técnicos e dirigentes, bem como não prejudicar o espírito que deverá ser nobre da paracanoagem decidiu-se retirar a inscrição destes dois atletas do campeonato nacional de regatas em linha 2019 KS1”.

Lamentando o sucedido e esperando melhores dias para que exista algum esforço para repor os mais nobres valores da ética desportiva e do desporto sem violência

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Viana do Castelo

Prédio Coutinho: VianaPolis pode ter manipulado as contas nos últimos nove anos

Segundo reportagem da RTP

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Foto: O MINHO

O programa ‘Sexta às Nove’ da RTP apresentou uma reportagem tem a empresa pública ‘VianaPolis’ como protagonista. Segundo o programa, as contas terão sido manipuladas nos últimos nove anos.

A empresa que existe apenas para demolir o ‘famoso’ prédio Coutinho em Viana, apresenta anualmente resultados líquidos zero, “através de uma operação contabilística que alegadamente escondeu prejuízos”, revela o ‘Sexta às Nove’.

Confrontada com estes dados pela estação pública, a VianaPolis nega qualquer manipulação e garante que as contas passaram sempre pelo crivo do Ministério das Finanças.

Mas há mais revelações. 34 milhões de euros terão sido o valor gasto pela VianaPolis para tentar demolir o prédio Coutinho. “Só em indemnizações aos moradores foram 15,9 milhões. Mas o impasse mantém-se com vários processos pendentes em tribunal”.

O Sexta às 9 analisou os relatórios e contas da VianaPolis publicados na última década e concluiu: “os resultados líquidos são sempre nulos, o que levanta a suspeita de manipulação de contas para ocultar prejuízos”.

O Ministério das Finanças garantiu ao programa que este mecanismo contabilístico foi autorizado.

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Viana do Castelo

Já viu o filme promocional da Romaria d’Agonia?

A Nossa Senhora d’Agonia, em Viana do Castelo, é a maior romaria do país. Em 2019, realiza-se entre 16 e 20 de agosto. Imagens: VianaFestas

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Festas de Viana do Castelo realizam-se, em 2019, entre 16 e 20 de agosto.

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