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Opinião

Psicólogos contestam medidas para ano letivo e alertam para o impacto na saúde mental das crianças

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Foto: DR / Arquivo

Laura Sanches, Zulima Maciel e Ana Rita Dias, são três amigas Psicólogas Clínicas que estão preocupadas com as medidas a tomar no próximo ano letivo e receiam mesmo do impacto que as mesmas poderão ter na saúde mental das crianças, pelo que se uniram para abrir discussão sobre o tema e contaram com o apoio e assinatura de vários psicólogos e outros profissionais de saúde mental, cujos alguns estão representados no final deste artigo.


Somos um grupo de psicólogos e profissionais ligados à saúde infantil e juvenil, bastante preocupados com a saúde mental e o bem-estar das crianças, que tem sido o grupo mais sacrificado durante esta pandemia. Não por causa do vírus que já se sabe que é maioritariamente de evolução benigna neste grupo etário, mas por causa das medidas sanitárias que têm sido tomadas, sem grande consideração pelo seu bem-estar e sem evidência científica da sua real necessidade.

Laura Sanches, Zulima Maciel e Ana Rita Dias. Fotos: DR

Está previsto que a escola presencial regresse em setembro, com muito agrado nosso, mas com algumas medidas que, embora não todas oficiais, ainda nos preocupam e dessas vamos destacar quatro principais: as medidas de distanciamento entre as crianças, a redução dos intervalos, o uso de máscaras e a entrada dos pais sobretudo ao nível dos jardins-de-infância e creches.

1. Sobre o distanciamento entre as crianças

A escola não serve apenas para aprender e trabalhar as capacidades cognitivas. Um ponto muito importante da escola é a socialização. Quando afastamos as crianças e lhes transmitimos a mensagem de que elas precisam de se manter afastadas, estamos a bloquear um instinto natural das crianças de procurarem o contacto físico e de se manterem próximas umas das outras. Isto cria-lhes tensão e uma pressão grande que facilmente se torna num elemento de ansiedade que sabemos ser tão prejudicial ao seu desenvolvimento e, consequentemente, à sua aprendizagem. Por sua vez, as medidas de distanciamento irão fomentar o uso de ecrãs durante os intervalos, algo que irá alimentar um problema que já existe nas nossas escolas e que sabemos ter consequências muito nefastas para o desenvolvimento de crianças e jovens.

2. Sobre a redução dos intervalos

Os intervalos são momentos importantes de socialização e constituem pausas essenciais para uma boa aprendizagem e para potenciar os tempos de atenção/concentração, frisando-se a importância de estes intervalos serem fora da sala de aula. A saber-se a importância de potenciar os momentos ao ar livre, é insensato e paradoxal diminuir-se os intervalos. Estes devem continuar a acontecer, de preferência ao ar livre e com horários desfasados entre turmas, para que não haja tanta aglomeração entre alunos.

3. Sobre a proibição da entrada dos pais

Permitir a entrada dos pais na escola, quando vão deixar ou buscar os filhos, não é um capricho. Uma criança que entra num lugar novo fica sempre num certo estado de alerta, principalmente quando essa entrada implica a separação das suas figuras de apego, as suas referências. A única forma de desactivar esse alerta é o contacto com as figuras de apego. E enquanto ele não for desactivado, a criança não está disponível para estabelecer novas relações seguras, que, por sua vez, são essenciais para que o seu dia na escola seja vivido da melhor forma e até para que consiga aprender realmente. Isto é muito importante em todo o processo de adaptação dos mais novos, que pode durar dias, semanas ou meses e que acontece sempre outra vez, depois de um período de afastamento. Mas também dos mais velhos, depois de tudo o que aconteceu este ano, com um período de afastamento tão prolongado e carregado de tensão por vários motivos. Permitir a entrada dos pais na escola é fundamental para que esta não se torne um mundo completamente estranho e separado da família, em que a criança nunca se sentirá realmente segura.

É muito importante que os pais possam ver diariamente os professores e educadores e que sejam eles a entregar-lhes a criança, porque é isso que lhes permite fazer a ponte. O instinto da criança diz-lhes que não devem ficar com estranhos, que devem procurar sempre as pessoas com quem se sentem seguras. Então, para que os professores deixem de ser estranhos para elas, é preciso que os pais façam essa ponte, que lhes mostra que podem construir uma ligação com aquela pessoa, e isso faz-se de forma simples, falando com a pessoa, mostrando que ela é de confiança e que já temos uma relação com ela.

Pensamos que, cumprindo os pais todas as normas de segurança (desinfecção, troca de sapatos e máscara enquanto circulam na escola), não há grande fundamento para este impedimento.

4. Sobre o uso das máscaras

O uso prolongado de máscara pelos adultos nas creches e jardins-deinfância também não facilita o processo de adaptação, porque as expressões faciais são uma parte fundamental da comunicação nãoverbal e daquilo que nos faz ou não sentir segurança na presença da outra pessoa. Stephen Porges usa o termo “neurocepção” para falar de um mecanismo inconsciente que nos faz avaliar constantemente a segurança do ambiente externo e interno e essa avaliação passa, em grande parte, pela comunicação não-verbal. Essa comunicação não é apenas facial, também passa pelos olhos, pelo tom de voz e pela prosódia do discurso, coisas que a máscara ainda nos permite perceber, mas que podem ser insuficientes para uma criança pequena. Sem ver totalmente a cara da pessoa com quem nos relacionamos, é bem mais difícil recolher essas pistas de segurança, e quando nem sequer conhecemos essa pessoa, como irá acontecer na adaptação à escola para muitas crianças, então isto torna-se praticamente impossível.

Por outro lado, a evidência científica até ao momento remete para uma prevalência muito reduzida desta nova doença (covid-19) em crianças (cerca de 2%), sendo que, quanto mais nova for a criança (sem problemas de saúde prévios), menor é o risco. Os estudos realizados até ao momento chegam cada vez mais ao consenso de que a criança tem um papel quase nulo na transmissão do vírus, sendo geralmente essa transmissão feita de adulto para criança (embora, mesmo assim, maioritariamente benigno para a criança). Segundo vários pediatras europeus, o uso de máscaras em creches, jardins-de-infância, 1.º e 2.º ciclos por crianças sem patologia grave subjacente não é nem necessário, nem apropriado, nem razoável. Mais ainda: isso limitaria ainda mais a socialização entre pares. Na esmagadora maioria dos países que optaram por tornar obrigatório o uso de máscaras nas escolas, esta norma só se aplica a partir dos 13 anos. E alguns países como a Suíça e a Dinamarca optaram mesmo por não as tornar obrigatórias para os adultos nas creches e, ainda assim, a Dinamarca não registou um aumento dos casos que fosse associado às escolas, que estão a funcionar desde 15 de Abril. A Noruega, que reabriu as escolas a 20 de Abril, também não registou nenhum impacto causado por esta reabertura, sendo um dos países em que também não são obrigatórias as máscaras nas escolas.

Quando nos concentramos apenas na comunicação oral, algo que é forçado pelo uso continuo de máscaras, estamos a estimular o uso do hemisfério esquerdo em detrimento do direito, algo que sabemos estar bastante mais associado a sentimentos de agitação, ansiedade e até de depressão.

O uso prolongado de máscaras em crianças – até porque antes dos 12 anos de idade a expressão verbal ainda não é tão preponderante – pode conduzir facilmente a uma condição de stress crónico que interfere no humor, na atenção/concentração, no comportamento e na aprendizagem.

Conclusão:

As investigações ligadas às experiências adversas na infância mostram bem como o stress que estas provocam está ligado a uma série de complicações de saúde na vida adulta: a obesidade, diabetes tipo II, perturbações de ansiedade e depressão e até problemas cardiovasculares, a principal causa de morte na sociedade ocidental.

Atendendo a que, felizmente, as crianças constituem um grupo de baixo risco, não é de todo razoável que se apliquem medidas tão restritivas e limitadoras de um desenvolvimento integral harmonioso e saudável, pelo que é urgente proporcionar às crianças um regresso à escola dentro da maior normalidade possível, reforçando as medidas de higiene das mãos, as actividades ao ar livre e acautelando que crianças com sintomas da doença fiquem em casa, criando também condições para que os pais possam ficar com elas.

Não podemos deixar que as medidas sanitárias se sobreponham à necessidade de preservar a saúde mental das nossas crianças e jovens. Porque, se o fizermos, teremos com certeza em mãos uma outra pandemia no campo da saúde mental, com resultados bem mais dramáticos, provavelmente.

Signatários:

Laura Sanches, psicóloga clínica
Zulima Maciel, psicóloga clínica
Ana Rita Dias, psicóloga clínica
Cátia Pereira, psicóloga social
Ana Elizabete Guerreiro Caetano, psicóloga clínica
Ana Helena Costa, psicóloga educacional
Bruno Gomes, psicólogo educacional
Carolina Rodrigues, psicóloga clínica
Cátia Martins, psicóloga clínica
Diana Gaspar, psicóloga clínica
Dora Isabel Dias Maltez, psicóloga clínica
Eugénia Amaro, psicóloga clínica
Maria Andresen, psicóloga clínica
Inês Gonçalves, psicóloga clínica
Isa Silvestre, psicóloga clínica
Daniel Sampaio, médico psiquiatra

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Vânia Mesquita Machado

Versos à desgarrada, sem poesia e sem piada. Tal como é a pandemia

Opinião de Vânia Mesquita Machado

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Artigo de Vânia Mesquita Machado

Humanista. Mãe de 3. De Braga. Pediatra no Trofa Saúde – Braga Centro.

Notas prévias:
1)Sou Pediatra, e quem me conhece sabe que gosto de praticar medicina de proximidade.

2)Tenho saudades de não precisar de usar máscara para mostrar o meu sorriso, de abraçar os meninos…de me poder expressar mais humanamente, sem o ar de bicho papão.

3)Se todos colaborassem, talvez a pandemia amainasse, e voltássemos ao antigamente de há meses que já parecem anos.
Ninguém sabe como a pandemia vai evoluir.
A incerteza, faz parte da vida.

4) Quem me conhece também sabe que não tenho medo, e que sou otimista.
Não estou preocupada com a temida segunda vaga, e a vida não pode ficar em stand-by.

5) Mas…

O covid-19 é novo e o seu comportamento incerto.
Já se sabe muito sobre o vírus, a comunidade científica está imparável na luta contra a praga viral, embora falte muito para o podermos dar como conhecido e inofensivo.
Não temos a desejada vacina ( a que surgiu não vou comentar), mas em breve teremos, não existe ainda cura, mas sabemos que a grande maioria evolui favoravelmente.
As crianças e os jovens têm geralmente sintomas leves, a doença de evolução moderada sabemos tratar…
E o que é grave é, nestas idades, mesmo muito raro.
Infelizmente, as pessoas mais velhas foram escolhidas pelo covid-19 como alvos: a doença pode evoluir desfavoravelmente e matar.
Assim como grupos de risco.

6) Sei que não disse nenhuma novidade.
Mas vou exprimir o que penso sobre o regresso ao antigamente antes da ciência “dominar” este novo vírus:
Acho uma irresponsabilidade total.

7) Aviso também que bloqueio em redes sociais quem me insultar.

8 ) E que dispenso aplausos à janela, dentro de meses.
Então, aqui vai, em jeito de poesia tosca à desgarrada ( para aligeirar, embora o tema seja sério, imaginem uma guitarra meio desafinada para disfarçar a rima sem métrica…)

“Estou cansada
(mas não desisto)
Insisto
Em gritar
no silêncio surreal
Das mentes adormecidas
Pelo calor estival.
A ameaça viral, é real.
E usamos máscaras
E fardas e viseiras
No hospital
– Não por ser carnaval,
– Nem por nos agradar
Contribuir para a poluição ambiental.
Com o aumento de lixo não degradável
Infelizmente indispensável,
(estou plastificada ao observar um menino suspeito de infeção)
Confesso que muito me irrita depois
Ver também a praga maldita
De máscaras usadas
espalhadas por aí
( já chegavam as beatas,
entre outras marcas de humanos, que comem bebem e usam o chão do nosso planeta como caixote do lixo, sem qualquer preocupação)
Estou cansada
(Mas não desisto)
E insisto
em tentar acordar
As mentes adormecidas
Pela alegre anestesia
do tempo de verão
Espécie de histeria coletiva
Que convida
a não se pensar
Em absolutamente nada
Há quem pense,sim.
Causas a defender são imensas:
Cada uma com o seu valor e lugar.
Mas há um vírus a debelar.
Uma pandemia,
que não é alucinação,
Nem fruto de conspiração.
É um microorganismo real.
E,se para a maioria,
Vai ser um inofensivo
Sindrome gripal,
Para muitos, será letal.
Aliás, já causou muitas mortes
Não são fantasia, pois não?
É como tudo na vida:
Questão de azar ou sorte
Posso sair de casa
um dia qualquer,
e ser atropelada
Ou uma doença súbita
me levar
Quando Deus quiser.
É verdade.
Mas isso não quer dizer
Que desista de gritar
no silêncio surreal
Das mentes adormecidas
Pelo calor estival.
A realidade do novo normal
Não significa voltar à normalidade
Do antigamente.
Aglomerados,
de qualquer natureza
Sao uma leviandade.
Podem ter a certeza.
Uma irresponsabilidade,
E uma falta de respeito,
Pelos profissionais de saúde
Que nos hospitais
Cuidam zelosamente
De quem puder
eventualmente
estar infetado
Pelo virus da pandemia
Qualquer tipo de evento,
De qualquer natureza,
Em qualquer lado,
Independentemente
– Do credo ou da ideologia
– Seja de culto ou cultural
Se forem desrespeitadas
As regras mais do que decoradas
( embora infelizmente ignoradas)
De uso de mascaras
ou do essencial
distanciamento social
É como um insulto
A quem está na linha da frente
A cuidar da saúde dos outros
e a arriscar a sua, e a dos seus.
É ridículo pensar
Que um grupo reunido
De muita gente
Nao é um perigo
Em fase de pandemia.
O virus é indiferente
Ao tipo de comemoração
E surge em surtos.
É matreiro.
Nao é um virus porreiro.
Festas?
De qualquer direção
(Esquerda, centro ou direita)
Devem ser canceladas,
Sem exceção.
Assim como a procissão
De homenagem a qualquer Santo.
Causa-me espanto
que tudo se esteja a ocorrer
Desregradamente
Idas a centros comerciais,
Em bandos de carneiros
Sao locais propícios
Para comício virais
De dimensões descomunais.
E as imensas festas
entre muitas pessoas amigas,
todas cuidadosas, logicamente?
(Todas as pessoas se acham cautelosas)
Eu sou muito festiva também.
E afetiva também.
Mas estou na linha da frente.
E sei bem como é provável
a seguir aos festejos terminados,
Vir a febre e a tosse e o pingo no nariz.
E a criança feliz
Vai enfrentar os doutores
mascarados
De bicho papão.
Se houver o azar de alguém
Após o agradável festejar
( onde toda a gente era saudável e cuidadosa)
Contatar com uma pessoa mais idosa
E a contaminar
As consequências poderão ser bem piores.
Nao sou fatalista, não…
Sou realista.
O verão, vai acabar.
A epoca viral, vai começar.
As escolas vão reiniciar:
Acho muito bem:
-Os meninos têm de aprender,
-A vida, de continuar.
Se todos estivéssemos agora
a remar para o mesmo lado
Ou seja a ter mais cuidado,
Iria ficar certamente tudo bem,
brevemente.
Assim, esperemos
que fique tudo bem,
também brevemente,
Se Deus quiser.
Estou cansada,
Mas não desisto.
Nem nunca vou desistir
Até chegar a minha hora.”
– E para finalizar:
Relembro que as outras doenças não deixaram de existir.
Ou seja:
– O desejável, era perder menos tempo a combater ocovid-19.
( e daí este meu desabafo no vento virtual).
Para que então, toda a atividade normal,
de prevenção, diagnóstico e tratamento atempado de qualquer outras patologia, pudesse ser uma realidade outra vez,
e não uma utopia.
E para não se voltar ao confinamento.

Vânia Mesquita Machado

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Opinião

Kamala Harris, a senhora que se segue

Opinião de Liliana Matos Pereira – PS/Braga

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ARTIGO DE LILIANA MATOS PEREIRA

Presidente Concelhia das Mulheres Socialistas – Igualdade e Direitos de Braga. Vereadora na Câmara Municipal de Braga.

Acaba de ser conhecida a escolha do democrata Joe Biden para a sua vice-presidência na Casa Branca.

A escolha – para alguns óbvia – recaiu sobre a advogada de 55 anos, Kamala Harris. A decisão sobre um nome feminino não é nova, apesar de ainda pouco frequente. Antes de Harris, apenas dois nomes se tinham apresentado a eleições para este cargo: a democrata Geraldine Ferraro, em 1984 e a republicana Sarah Palin em 2008. Nenhuma destas duas mulheres conseguiu, no entanto, ser eleita.

O que traz então de novo o nome de Kamala Harris e o que poderá fazer dela a primeira mulher eleita vice-presidente nos Estados Unidos?

Kamala Harris tem já o seu nome associado à igualdade de oportunidades. Foi a primeira promotora da justiça mulher de São Francisco, a primeira mulher negra a ser eleita senadora pela Califórnia e a primeira mulher com ascendência indiana em todo o Senado.

Por outro lado, a escolha de uma mulher negra vem reforçar a luta pela justiça racial, num momento em que o fim do racismo está a ser alvo de discussão por todo o mundo e, em especial nos EUA. Com a crise criada pela morte de George Floyd, foi uma das autoras de um projeto de lei que proíbe o uso de técnicas de estrangulamento por parte das forças policiais.

Harris apresenta-se como a primeira mulher negra e de ascendência afro e sul-asiática candidata à vice-presidência dos Estados Unidos e como um trunfo para tirar Donald Trump do poder. Terá sido talvez por isso que rapidamente Trump veio apelidar Harris de “mesquinha”, “horrível” e “insolente” ou, em março último, quando Biden se comprometeu a escolher uma mulher para seu número dois, o atual presidente veio apelidar tal decisão como “insulto a alguns homens”.

Mas Harris é muito mais que uma candidata negra e descendente de africanos e sul asiáticos. Kamala foi vítima de segregação racial ainda em criança e sabe, por isso, os enormes desafios que esta luta tem pela frente. A sua carreira tem sido marcada por diversas bandeiras, mais ou menos progressistas, marcadamente de esquerda. Mostrou ser destemida ainda enquanto promotora da justiça, defendendo o fim da pena capital no estado da Califórnia. Ainda no exercício destas funções, defendeu a comunidade LGBT, criando uma unidade de luta contra os crimes de ódio. Foi também responsável pela criação da plataforma online Open Justice, uma base de dados pública sobre o sistema de justiça que visa responsabilizar as forças policiais por mortes e feridos sob custódia. Foi responsável por uma reforma, que dava oportunidade aos condenados em primeiro crime por tráfico de droga, de substituírem o cumprimento da pena de prisão pela conclusão dos estudos e procura de emprego. Muitas outras lutas marcam a sua carreira.

Atualmente, em termos de educação, defende o aumento salarial para os professores e defende uma reforma no Ensino Superior, propondo um valor máximo anual para as propinas de 125 mil dólares por ano. Propõe que a licença de maternidade seja universal e paga até aos seis meses. Sobre a tão polémica questão da posse de armas, é clara na defesa de leis mais restritivas e de um maior controlo nas licenças de porte de armas de fogo.

Não admira, por tudo isto, que Kamala Harris tenha sido escolhida perante uma tão grande e qualificada lista de mulheres que, com ela, disputavam o lugar de candidata a vice-presidente. Desde a senadora e pré-candidata a presidente Elizabeth Warren, à antiga assessora de Segurança Nacional da Casa Branca e ex-embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas Susan Rice ou à latina Michelle Lujan Grisham, entre outras.

Joe Biden escolheu a “destemida lutadora”, que desafiou grandes bancos, lutou pelos direitos dos trabalhadores, protegeu crianças vítimas de maus tratos e que lutou pela igualdade de género e pelos direitos das minorias. Joe Biden fez uma escolha que representa muito mais que uma escolha por uma mulher, escolheu uma mulher de cor que representa a luta de muitas gerações de mulheres negras, asiáticas, indígenas e latinas nos Estados Unidos. Uma escolha que representa uma verdadeira igualdade de oportunidades.

Com 77 anos e como auto-denominado candidato de transição, Kamala Harris pode vir a ser a primeira mulher eleita presidente dos Estados Unidos. Mas isso é futurologia… agora o que importa é que a dupla Biden-Harris consiga vencer a eleição do próximo dia 3 de novembro e retirar da Casa Branca o desastroso Trump.

Liliana Matos Pereira
Presidente Concelhia das Mulheres Socialistas – Igualdade e Direitos de Braga
Vereadora na Câmara Municipal de Braga

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Opinião

Carta aberta ao PM: Porta fechada à “Casa Eficiente 2020”?

Luís Manuel Mateus. Este texto esteve na base de uma carta aberta ao primeiro-ministro finalizada no dia 06 de Agosto e enviada no dia 09, quando lhe foi facultado o endereço de email pelo gabinete de António Costa.

em

CARTA ABERTA DE LUÍS MANUEL MATEUS

Arquiteto. Ex-vereador da Câmara de Braga

A 13 de Abril de 2018, em Lisboa, no auditório da sede da Ordem dos Engenheiros, com a pompa e circunstância que sempre convém a quem governa, o Ministro do Ambiente e da Transição Climática, João Pedro Matos Fernandes, juntamente com o Ministro do Planeamento e das Infraestruturas, na ocasião Pedro Marques [NDR: entretanto, foi eleito Eurodeputado; Pedro Nuno Santos é o actual responsável pela pasta], presidiram a uma cerimónia de apresentação do Programa «Casa Eficiente 2020».

Dinamizado pela Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI) e financiado pelo Banco Europeu de Investimento (BEI) e pelos bancos comerciais aderentes (CGD – Caixa Geral de Depósitos), BCP – Banco Comercial Português) e NB – Novo Banco), o Programa “Casa Eficiente 2020” previa investir 200 milhões de euros até final do ano 2021.

Em Janeiro 2019, emitidas que foram 400 declarações (candidaturas?), só tinham sido atribuídos 300 mil euros de empréstimos…!!!

Actualmente, depois de alguns acertos nos juros (contenção da sofreguidão bancária) praticados pela CGD visando incentivar o aparecimento de candidaturas, constata-se que estamos bem pior, pois o programa permanece aparentemente activo (ver: https://casaeficiente2020.pt/) mas absolutamente inoperante.

Efectivamente, sem qualquer esclarecimento nem justificação, no segundo passo do simulador disponibilizado no portal do programa visando o cálculo prévio dos benefícios expectavelmente gerados por cada investimento pretendido, tropeça-se na seguinte barragem informática impossível de ultrapassar: “De momento não foi possível calcular os valores de poupança”.

Desse modo bizarro, o programa «Casa Eficiente 2020» passa à anormal situação de existir sem … existir.

Que está a acontecer, afinal?! Será «cativação» ao jeito de Centeno de uma qualquer componente nacional do financiamento disponibilizado pelo BEI (Banco Europeu de Investimento)?

Este procedimento é tão mais despropositado quando, no grave quadro de retracção económica motivada pela pandemia de Convid-19 ainda em curso e sem termo previsível, o programa «Casa Eficiente 2020», a par de intervenções de maior ambição, poderia estar a animar iniciativas mais modestas de potenciais beneficiários privados e a suscitar as correspondentes respostas, quer de pequenos industriais de construção civil, quer de comerciantes de materiais e equipamentos apropriados para melhorar a eficiência energética do nosso parque habitacional, tudo aspectos obviamente positivos para o bem-estar colectivo da nossa sociedade.

De lamentar, pois, que o Poder Político continue a olhar preferencialmente para as grandes obras de discutível oportunidade e alcance – problemática, por arriscada, solução de construção do aeroporto do Montijo; apressado e desenfreado licenciamento de mineração a céu aberto com grave risco de destruição dos níveis freáticos de alimentação das principais bacias hidrográficas nacionais e dos sistemas de economia tradicional local; licenciamento de explorações agrícolas intensivas e extensivas em zonas de iminente e grave desertificação, &etc. – e se ignore que será o nosso tecido económico de pequena escala que poderá efectiva e decisivamente contribuir para sustentar o país, amortecendo difíceis tempos de colapso económico e social que previsivelmente iremos viver num muito próximo futuro.

Estarei a analisar mal a situação, Sr. Dr. António Costa, Primeiro Ministro do XXII.º Governo da República Portuguesa?

Enfim… Para além das denúncias e lamúrias que aqui me permiti deixar à superior consideração do primeiro responsável pelo Governo de Portugal, em termos estritamente práticos e objectivos, muito eu gostaria de ver corrigida a estranha situação para que se deixou descambar o programa «Casa Eficiente 2020» a tempo de ainda poder avançar com o pequeno investimento que tinha programado realizar este verão visando o isolamento da Cobertura da minha casa de Braga e a instalação de um painel solar para aquecimento de águas sanitárias domésticas.

Esperando que esta minha missiva mereça o melhor acolhimento da parte do Sr. Primeiro Ministro, Dr. António Costa,

aqui deixo as minhas melhores
saudações republicanas

Luís Manuel Mateus
[NDR: assinatura e documento reconhecidos digitalmente]

Luís Manuel Mateus nasceu em Lisboa (1949), onde se licenciou em arquitectura e conseguiu a licença de museólogo prático, tendo trabalhado com com o arquitecto Frederico George.
Reside em Braga desde 1977, onde exerceu as seguintes actividades:
. direcção técnica do Museu Nogueira da Silva (1977-1985):
. colaboração com o P.N.Peneda-Gerês (1978-1980);
. vereador (pelouro Ambiente e Cultura) na C.M. de Braga (1985-1989);
. docência no Curso de Engenharia Civil da UM (1986-96);
. colaboração com IEC (Inst. Estudos da Criança) da UM num projecto de museologia escolar;
. fundação (em 2001) da Associação República e Laicidade) a que presidiu (2001-06)

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