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Primeiro-ministro rejeita acusação do Bloco de Esquerda e nega tratamento especial a Isabel dos Santos

Luanda Leaks

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Foto: DR

O primeiro-ministro rejeitou, esta quarta-feira, a acusação do Bloco de Esquerda de que deu um tratamento especial à empresária angolana Isabel dos Santos e salientou que foi o seu Governo quem desblindou os estatutos do BPI.

António Costa falava aos jornalistas após ter presidido à cerimónia de inauguração de novas instalações e de novos laboratórios da empresa multinacional portuguesa Hovione, em Loures, depois de confrontado com referências do Bloco de Esquerda ao facto de, alegadamente, enquanto primeiro-ministro, ter concedido um tratamento especial à empresária angolana Isabel dos Santos, que, inclusivamente, teria acesso ao seu gabinete.

“Não dei tratamento nem de especial, nem de favor, nem de desfavor. Temos de tratar as pessoas todas por igual”, reagiu o líder do executivo, antes de responder à acusação feita pela coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins.

“O Bloco de Esquerda deve seguramente desconhecer os factos, mas quando a doutora Catarina Martins conhecer algum facto sobre a atuação do Governo, designadamente sobre a minha atuação, tem sempre a oportunidade de me telefonar ou de me visitar. Eu terei todo o gosto em poder prestar-lhe esclarecimentos”, respondeu.

Como facto em sentido contrário em relação ao teor dessa crítica feita pelo Bloco de Esquerda, António Costa referiu-se, então, ao longo processo de desblindagem dos estatutos do BPI, que se prolongou até 2017 e que envolveu a empresária filha do ex-Presidente angolano José Eduardo dos Santos.

“Havia um conflito entre a engenheira Isabel dos Santos e outros acionistas, e havia um sistema de blindagem estatutária que garantia que Isabel dos Santos impedisse a alteração desse quadro estatutário, designadamente em relação a uma OPA (Oferta Pública de Aquisição) que estava para ser lançada por outro acionista. O Governo agiu como lhe competia, procurando, primeiro, contribuir ativamente para que os conflitos fossem ultrapassados”, disse.

Segundo o primeiro-ministro, como esse conflito não foi ultrapassado, “o Governo fez o que devia, alterou a lei, pôs fim à desblindagem, permitindo ao banco encontrar o seu caminho normalmente”.

António Costa recusou depois a perspetiva de que as investigações em torno de Isabel dos Santos possam criar um novo “irritante” nas relações diplomáticas entre Portugal e Angola, dizendo que, “pelo contrário, há um enorme alinhamento de pontos de visita”.

O primeiro-ministro também não quis comentar um encontro que em breve terá lugar entre os procuradores gerais da República de Portugal e de Angola.

“Não tenho informações sobre e isso, nem tenho de ter. O Ministério Público em Portugal goza de autonomia”, alegou.

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Governo propõe aumento de dez euros para salários mais baixos da função pública

Frente Comum mostra desagrado com a proposta

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Foto: DR

A coordenadora da Frente Comum anunciou, esta quarta-feira, que o Governo reforçou de sete para dez euros o aumento dos funcionários públicos cuja remuneração atual está entre os 635 e os 683 euros mensais, manifestando desagrado com esta proposta.

“A resposta do Governo foi manter em 0,3% a atualização salarial para os funcionários públicos e aumentou de sete para dez euros a atualização para os níveis 4 e 5 da Tabela Remuneratória Única”, referiu Ana Avoila, no final de uma reunião no Ministério da Modernização do Estado e Administração Pública, assinalando que, com esta resposta, o Governo não deixa alternativa aos trabalhadores que não seja avançar para novas formas de luta.

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Turismo deverá crescer este ano ou manter-se como em 2019

Instituto de Planeamento e Desenvolvimento do Turismo

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Foto: essential-business.pt / DR

O turismo em Portugal deverá crescer ou manter-se, este ano, nos níveis alcançados em 2019, sendo que, nos próximos seis meses, carga fiscal, investimento privado e emprego são os indicadores que devem registar melhor desempenho.

“Os resultados do turismo nacional em 2020 vão ser iguais ou melhores do que os de 2019”, revelou o Barómetro do Turismo, que foi divulgado, esta quarta-feira.

Do total de respostas obtidas, no âmbito deste estudo do Instituto de Planeamento e Desenvolvimento do Turismo (IPDT), 41% dos inquiridos esperam que o turismo nacional, este ano, tenha resultados globais “idênticos aos obtidos em 2019”.

Por sua vez, para 39%, o setor vai crescer, enquanto 20% dos inquiridos acreditam que o desempenho vai ser pior do que o registado em 2019.

Em fevereiro, o nível de confiança médio no desempenho do turismo atingiu 79,5 pontos, mais 1,6 pontos face ao último registo, datado de setembro de 2019.

Os resultados indicam ainda que, nos próximos seis meses, o número de pessoas empregadas, o investimento privado, a procura interna e a carga fiscal são os indicadores que deverão registar melhor desempenho.

Já no que se refere ao desempenho do turismo nacional em 2019, face ao investimento realizado na promoção interna, 73% dos inquiridos consideraram que “correspondeu às expectativas, tendo estas sido superadas na opinião de 11%”.

O desempenho face ao investimento em promoção externa, por seu turno, foi considerado por 76% dos inquiridos como “dentro das expectativas” e por 17% como “acima das expectativas”.

Neste barómetro foi ainda analisado o estágio de adoção de práticas de sustentabilidade por parte das empresas portuguesas do setor.

Para isso, o painel avaliou, numa escala de um a cinco, a adoção destas práticas.

Assim, verificou-se que a sustentabilidade económica está melhor cotada (3,2 pontos) do que a sustentabilidade social (2,6 pontos).

“O painel aponta a eficiência energética, a redução e reciclagem de desperdícios, a poupança de água e o consumo responsável como áreas de intervenção prioritárias”, sublinhou.

Paralelamente, foram sugeridos incentivos à implementação de “políticas de sustentabilidade e certificação ambiental, à aposta na qualidade da oferta e dos serviços prestados”, bem como à promoção dirigida a mercados envolvidos com políticas sustentáveis como “medidas concretas a adotar para consolidar Portugal como destino sustentável de sucesso”.

Para esta edição do barómetro foi definido um universo de 169 membros, tendo sido recebidas 71 respostas, entre 31 de janeiro e 12 de fevereiro.

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Sindicatos da função pública voltam, esta quarta-feira, a reunir-se com o Governo

Orçamento do Estado 2020

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Foto: Arquivo

O secretário de Estado da Administração Pública, José Couto, e as três estruturas sindicais da função pública voltam, esta quarta-feira, a reunir-se para nova ronda negocial sobre aumentos salariais, na sequência das contrapropostas apresentadas na segunda-feira pelos sindicatos.

Num comunicado emitido no final das reuniões de segunda-feira, o Ministério da Modernização do Estado e da Administração Pública mostrou-se disponível para, dentro da margem orçamental disponível, chegar a um acordo que permita a implementação faseada de algumas medidas.

“O Governo demonstrou abertura para analisar as contrapropostas apresentadas pelos sindicatos dentro da margem orçamental disponível, tanto para 2020 como para os anos seguintes, numa lógica de faseamento”, refere o Ministério tutelado por Alexandra Leitão que decidiu reabrir as negociações com os sindicatos depois da aprovação do Orçamento do Estado para 2020.

Esta reabertura do processo negocial começou com o Governo a propor um aumento reforçado de sete euros para todos os funcionários públicos cujo salário está situado entre os níveis 4 e 5 da Tabela Remuneratória Única, ou seja, entre 635,07 euros e 683,13 euros, respetivamente, mantendo a atualização de 0,3% para os restantes trabalhadores.

As reuniões desta quarta-feira iniciam-se pelas 09:00 com a Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública da CGTP, prosseguem às 10:30 com a Frente Sindical (UGT) e às 12:00 com a Federação dos Sindicatos da Administração Pública (FESAP), da UGT.

Na última reunião, as três estruturas sindicais da função pública manifestaram a sua discordância com aumentos diferenciados na função pública, rejeitando igualmente a atualização de 0,3% para os restantes trabalhadores, tendo apresentado contrapropostas em que defendem aumentos mais robustos, com a Fesap a apontar para 2,9%, a Frente Comum para um aumento mínimo de 90 euros mensais para todos os funcionários públicos e a Frente Sindical liderada pelo Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE) a defender uma atualização das remunerações e da Tabela Remuneratória Única em 2%.

Além disso, exigem a reposição dos 25 dias úteis de férias, retirados durante a troika, e um aumento do subsídio de refeição face aos 4,77 euros atuais. Também aqui as propostas divergem, com a Fesap a defender 6,00 euros, a Frente Comum a colocar a fasquia nos 6,50 euros e a Frente Sindical nos dez euros.

A questão das férias e do subsídio de refeição são matérias onde há a expectativa de que poderá registar-se algum avanço nas negociações.

Perante o desenrolar desta reabertura das negociações, os dirigentes sindicais consideram que “a bola está agora do lado do Governo”.

No referido comunicado, o Ministério da Modernização do Estado e da Administração Pública refere que “numa primeira análise, seja possível afirmar que (as contrapropostas dos sindicatos) são mais exigentes do ponto de vista orçamental”, mas mostra-se disponível para continuar a “aprofundar o diálogo” e para “chegar a um acordo de implementação faseada com as estruturas sindicais”.

O aumento de sete euros para os funcionários públicos das carreiras com remunerações mais baixas (assistente operacional e assistente técnico) irá abranger cerca de 150 mil pessoas.

De acordo com dados do Ministério da Administração Pública divulgados pelo Jornal de Negócios, daquele universo de 150 mil pessoas, há cerca de 105 mil que estão posicionadas no nível 4 da TRU (auferindo, por isso, atualmente uma remuneração de 635,07 euros), cerca de 13 mil no nível 5 (683,13 euros) e ainda cerca de 18 mil que se encontram entre estes dois níveis.

A proposta do Governo prevê uma cláusula de salvaguarda que assegura que os trabalhadores que se encontrem num valor ligeiramente acima dos 683,13 euros, terão também um acréscimo de sete euros caso a aplicação da atualização de 0,3% resultasse num valor inferior a 690,13 euros.

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