Papa pede que responsabilidade supere o individualismo em tempos de pandemia

Religião
Papa pede que responsabilidade supere o individualismo em tempos de pandemia

O Papa Francisco exortou hoje as sociedades a agirem com responsabilidade perante um individualismo do “salve-se quem puder” para que a pandemia do novo coronavírus seja superada, durante a sua última homília do ano no Vaticano.

“Este tempo de pandemia aumentou o sentimento de perplexidade em todo o mundo. Depois de uma primeira fase de reação, em que nos sentimos solidários no mesmo barco, apareceu a tentação do ‘salve-se quem puder’. Mas graças a Deus, reagimos mais uma vez com sentido de responsabilidade”, disse Francisco, que não presidiu à missa realizada na Basílica de São Pedro do Vaticano, mas que assistiu sentado à cerimónia religiosa.

A cerimónia começou pouco antes das 17:00 locais (16:00 em Lisboa), quando o cardeal Giovanni Battista Re avançou em procissão até ao altar-mor, enquanto o Papa estava sentado numa cadeira, localizada na área à direita da basílica, onde permaneceu durante toda a celebração, exceto no momento da homília.

Na intervenção, Francisco pediu que o Natal não se limite a ser uma festa com “uma emoção superficial, ligada ao exterior da festa, ou pior ainda, ao frenesi consumista”.

“Se o Natal se resumir a isso, nada muda: amanhã será igual a ontem, o ano que vem será igual ao anterior e assim por diante”, sublinhou.

O novo autarca de Roma, Roberto Gualtieri, compareceu à missa e o Papa aproveitou para pedir que a capital italiana receba as pessoas e seja um lar para os frágeis e os vulneráveis.

“Em Roma, todos se sentem irmãos. Em certo sentido, todos se sentem em casa, porque esta cidade contém em si uma abertura universal. Vem da sua história, da sua cultura; vem principalmente do Evangelho de Cristo que aqui deixou profundas raízes fecundadas com o sangue dos mártires”, explicou Francisco.

Mas advertiu: “É preciso ter cuidado, uma cidade acolhedora e fraterna não se reconhece pela ‘fachada’, pelos belos discursos”.

É reconhecida, frisou Francisco, pelo cuidado que presta “àqueles que mais lutam, às famílias que mais sentem o peso da crise, às pessoas com deficiências graves e as suas famílias, àqueles que precisam de transporte público todos os dias para ir trabalhar, àqueles que vivem na periferia, àqueles que foram tocados por algum fracasso em suas vidas e precisam dos serviços sociais”.

Francisco reconheceu que “Roma é uma cidade maravilhosa, que nunca cessa de encantar”, mas que pode cansar quem a habita, porque, “às vezes, descarta”.

Em anos anteriores, o Papa costumava visitar a pé o Portal de Belém e a Árvore de Natal, localizados na Praça de São Pedro, sempre acompanhado por seguranças, mas, este ano, a visita, inicialmente agendada, foi cancelada para evitar multidões devido à pandemia de covid-19, explicou o Vaticano.

O Papa Francisco fará também uma homília na primeira missa de 2022, no dia em que a Igreja Católica comemora o Dia Mundial da Paz, efeméride que será dedicada ao diálogo entre as gerações, à educação e ao trabalho.

 
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