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Papa Francisco – Um passo gigante para o futuro da igualdade

Por Liliana Matos Pereira

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ARTIGO DE LILIANA MATOS PEREIRA

Presidente Concelhia das Mulheres Socialistas – Igualdade e Direitos de Braga. Vereadora na Câmara Municipal de Braga.

Um passo gigante para o futuro da igualdade! Foi assim que reagi quando li as mais recentes declarações do Papa Francisco.

Francisco – nascido Jorge Mário Bergoglio – foi desde a primeira hora um Papa humano, próximo e consciente dos desafios da Igreja.

A maioria de nós – arriscaria até a dizer todos nós – percebemos que a Igreja se afastou das pessoas. Afastou-se dos divorciados, das famílias monoparentais, dos homossexuais, … o que fez com que nos fôssemos revendo cada vez menos nesta Igreja.  Uma Igreja que ainda não aceita o sacerdócio feminino, nem aceita o casamento dos seus Padres e que continua a fazer tabu de temas como a contraceção, pedofilia, aborto, entre outros.

O Papa Francisco é uma lufada de ar fresco e em muito tem contribuído para uma mudança da imagem da Igreja. E tem sido fundamental na luta pela igualdade.

Sobre o aborto, mesmo defendendo tratar-se de um pecado grave, autorizou todos os sacerdotes a absolver mulheres que tenham praticado o aborto e incentivou, também, o perdão a quem confesse o uso de contraceção artificial. Francisco surpreendeu também a sua comunidade ao abrir a discussão sobre a possibilidade de comunhão por divorciados, defendendo que estes devem ser acolhidos e não excomungados.

A sua maior marca será talvez a sua posição sobre os abusos sexuais cometidos no seio da Igreja. Francisco afirmou sentir-se profundamente envergonhado com estes atos e terminou com o segredo pontifício sobre abusos cometidos por membros do clero e com a ocultação destes crimes. Um caminho gigante na proteção destes menores e destas crianças vulneráveis.

“Não existe mãe solteira, mãe não é estado civil!” disse, enquanto defendeu o batismo dos filhos de mães solteiras. Palavras simples, mas de uma bondade extrema.

Apesar de defender um papel mais interventivo das mulheres na Igreja, mesmo que ainda não defenda a abertura do sacerdócio ao sexo feminino enalteceu o papel do feminismo e das mulheres na sociedade pois estas “nos transmitem a capacidade de olhar além, de sentir as coisas com o coração mais criativo, mais paciente e mais tenro”.

E mais recentemente, por estes dias, o Papa Francisco deu mais um passo enorme no seu tempo. Se logo no primeiro meio ano de pontificado tinha surpreendido o mundo com as palavras “se um gay procura Deus, quem sou eu para julgar?”, ao defender que os homossexuais têm o direito de constituir família e que devem ser protegidos pelas leis de união civil, deu um sinal gigante ao mundo católico e enviou uma mensagem de tolerância ao mundo.

Francisco pode não mudar imediatamente o mundo católico, mas será essencial no processo de mudança de mentalidades e as suas ações são um prenúncio de uma mudança profunda na doutrina da Igreja e são marcantes na luta contra a discriminação e na luta pela igualdade.

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