Libertados todos os seis detidos no caso das “lanchas voadoras”

Os seis detidos na megaoperação Vodka, relacionada com o fabrico e a comercialização de “lanchas voadoras” para transportar droga e imigrantes africanos ilegais, que teve o seu epicentro na Galiza, mas se estendeu ao Alto Minho, na Zona Industrial de Valença, em articulação com a PJ/Braga, saíram todos em liberdade do Tribunal de Ourense, ao fim da tarde de sexta-feira.

As medidas de coação aplicadas aos seis galegos suspeitos foram as apresentações quinzenais junto das autoridades judiciais, de acordo com o despacho da juíza de instrução criminal do Juízo 2 Penal da Comarca de Ourense, conhecido depois de terem os seis arguidos sido interrogados ao longo de todo o dia, no Palácio da Justiça de Ourense, na capital daquela província galega.

Tal como O MINHO noticiou, a operação Vodka incidiu nas províncias de Ourense e de Pontevedra, na Galiza, com o apoio da Polícia Judiciária de Braga do lado português, com buscas em armazéns onde estavam guardadas “lanchas voadoras”, na Zona Industrial de Valença, em Gandra, onde não houve detenções, mas sim apreendidas embarcações e motores fora de borda. 

O comandante-chefe da Guarda Civil de Ourense, Rafael Bergillo, revelou ao final da manhã desta sexta-feira, que as “lanchas voadoras” eram usadas não só para o narcotráfico, como para transportar imigrantes africanos ilegais, no Estreito de Gibraltar.

Segundo aquele mesmo oficial superior da Guarda Civil, para além dos seis detidos (três na província de Ourense e três na província de Pontevedra) há mais cinco suspeitos, entre os quais três portugueses, prosseguindo com investigações criminais.

Na conferência de imprensa desta manhã participaram igualmente Jaime Gayá, chefe dos Serviços Alfandegários da Galiza, e Juan José López Castro, capitão da Unidade Orgânica da Polícia Judicial do Comando Provincial da Guardia Civil de Ourense.

A operação centralizou-se nas duas províncias galegas mais próximas do Minho, Ourense e Pontevedra, com a colaboração da Polícia Judiciária de Braga, sob a liderança operacional da Guardia Civil e da Agência Tributaria, com o apoio da PJ de Braga.

Do lado galego, as buscas policiais, coordenadas pelo Ministério do Interior do Reino de Espanha, decorreram, como sucedeu em Valença, quarta-feira, na Rua Celso Emílio Ferreiro (Ourense) e também na Urbanização de Monterrei (Pereiro de Aguiar, concelho vizinho de Ourense) e no concelho de Salnés, nas Rias Baixas, em Villagarcia de Arousa, na província de Pontevedra.

Nesta operação houve uma busca domiciliária em Valença, executada pela Polícia Judiciária de Braga, mais quatro em Ourense e duas em Pontevedra, tendo sido apreendidos ainda 30 mil euros em numerário, oito lanchas voadoras, 25 motores de grande cilindrada, material náutico, radares GPS, antenas, vária documentação, computadores e telemóveis relacionados com o grupo.

Três portugueses figuram entre os cinco suspeitos ainda não detidos, para além dos seis já presos na Galiza, durante a operação Vodka, que incidiu em vários concelhos das províncias interior de Ourense e litoral de Pontevedra (sobretudo nas Rias Baixas).

“Giriño” entre os seis detidos

O mais conhecido dos seis detidos presentes à juíza de instrução criminal de Ourense é José Luís, de alcunha “Giriño”, morador em Cambados, um município ribeirinho situado nas Rias Baixas, da província de Pontevedra, na Região Autonómica da Galiza.

“Giriño” é detentor de uma empresa de motores fora de bordo, utilizados para as chamadas “lanchas voadoras”, sendo que este empresário de Cambados era seguido pelas autoridades policiais espanholas, por suspeitas de envolvimento no tráfico de droga.

Segundo revelou a Guarda Civil, dos seis detidos, dois foram capturados na cidade de Ourense, enquanto os quatro restantes, quando apanhados, estavam já em O Carballiño (província de Ourense) e em Vigo, Tui e Ribadumia (província de Pontevedra).

“A origem da operação policial foi em Ourense, onde residiam os principais responsáveis pela associação criminosa”, revelou aos jornalistas o capitão Juan José López Castro, comandante da Polícia Judicial do Comando Provincial de Ourense da Guarda Civil, sendo que “as investigações começaram em final de 2022 e a operação estava aberta desde o primeiro trimestre de 2023”.

 
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