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Guimarães

Guimarães quer ser Portal de Entrada para o litoral do país e linha de alta velocidade

Afirma o presidente da Câmara

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Foto: Divulgação / CM Guimarães

O presidente da Câmara de Guimarães quer que a cidade venha a ser um “Portal de Entrada para o litoral do país e para a linha de alta velocidade”. A afirmação de Domingos Braga foi feita, esta segunda-feira, no final da Reunião de Câmara, dando conta dos objetivos da agenda de mobilidade para aquele concelho.

Em comunicado, a autarquia refere que, a propósito de questões levantadas pela oposição, ainda no período antes da ordem do dia, sobre uma possível não inscrição da ligação por Tramway entre Guimarães e Braga no Plano de Recuperação e Resiliência do Governo, que se encontra em fase de discussão pública, o presidente da Câmara respondeu que os objetivos de mobilidade no concelho podem inserir-se em programas de apoio comunitário.

A ligação entre Guimarães e Braga (à linha de alta velocidade) ocupou uma grande parte da reunião do executivo. O tema foi invocado por intervenções concertadas, no período antes da ordem do dia, pelos vereadores do PSD, André Coelho Lima e Bruno Fernandes.

André Coelho Lima centrou a sua intervenção na marginalização de Guimarães face aos projetos nacionais ao nível da ferrovia. O vereador, que também é deputado na Assembleia da República, trouxe ao debate a recente notícia do interesse do Grupo Barraqueiro na ligação ferroviária Faro-Lisboa-Porto-Braga, para sublinhar que Guimarães esta esquecido.

O deputado do PSD relaciona a falta de interesse do investidor privado com o facto de a ligação de Alfa Pendular para Guimarães estar suspensa, em função da pandemia, “apesar de não acontecer o mesmo na cidade vizinha que mantém ligações de Alfa. A linha de caminho de ferro, no Porto, bifurca-se em duas, uma segue até Braga e termina aí, a outra vem para Guimarães e termina aqui. O privado tem interesse numa e não tem na outra, por alguma razão”, constata André Coelho Lima.

Bruno Fernandes sublinhou a ausência da ligação entre Guimarães e Braga do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que se encontra em fase de consulta pública. O vereador do PSD invocou a memória da geração que, no final do século XIX, fez com que Guimarães desse um salto, “que sentimos ainda hoje”. Bruno Fernandes lembrou o ano de 1884, em que chegou a Guimarães o caminho de ferro, o ano da Exposição Industrial e da abertura da Escola Industrial, para acusar a atual liderança da Câmara vimaranense de “falta de ousadia”.

O líder dos sociais-democratas de Guimarães destaca que a ligação entre Guimarães e Braga por metrobus constava do Plano Nacional de Investimento (PNI) – apresentado pelo Governo, em Braga, em outubro de 2020 – e que, agora, a única obra “da bazuca” para Guimarães é a via do Ave Parque. “A via do Avepark é uma obra do Portugal 2020 e, portanto, não há nada de novo para Guimarães”, afirma Bruno Fernandes.

O presidente da Câmara, Domingos Bragança, recordou que apresentou um plano ambicioso de mobilidade no âmbito de uma reunião do Quadrilátero Urbano, ocorrida em 2017, “que não mereceu à data o comprometimento de todos”. Domingos Bragança refere que, ainda assim, não desistiu de acreditar na revolução dos transportes no concelho de Guimarães e na ligação aos concelhos vizinhos. “Foi essa perseverança que fez com que, junto do atual Governo, eu tenha insistido na importância de ser estabelecida uma ligação por tramway, em trilho ferroviário dedicado, entre Guimarães e Braga, projeto que viria a ter a anuência do meu colega Ricardo Rio, Presidente da Câmara de Braga”, disse Domingos Bragança.

“A Universidade do Minho apresentou já um estudo preliminar que é preciso aprofundar, aprofundamento esse que carece da existência de um estudo completo para cada um dos sistemas urbanos das duas cidades, que permitirá a sua posterior ligação”, adiantou o autarca.

Ficou a saber-se que Guimarães vai entregar o estudo técnico da restruturação do seu sistema de mobilidade ao Professor Álvaro Costa. “Este estudo de mobilidade integrada terá que prever todos os cenários, desde as respostas que permitam definir quais os eixos principais a implementar, as novas vias a construir e as vias dedicadas que serão necessárias”, explicou o presidente da Câmara.

Domingos Bragança fala da necessidade de debate público, depois de haver resultados deste estudo, para aquilo que classifica como “uma revolução física no território”.

Domingos Bragança quer metrobus no concelho e metro na ligação a Braga

O metrobus foi apontado como a solução para a ligação de Guimarães a Braga, quando da apresentação do PNI 2030, embora Domingos Bragança continue a defender que o tramway (ou metro ligeiro) é a melhor solução. O vereador social-democrata, Bruno Fernandes, não perdeu a oportunidade para lembrar que o ministro do ambiente já veio afirmar que a ligação ferroviária entre as duas cidades não faz sentido.

Domingos Bragança advoga a utilização de um sistema de metrobus (autocarros em vias dedicadas) para ligar todo o concelho e de um sistema de metro ligeiro para fazer a ligação entre Guimarães e Braga. Este metro entre as duas cidades poderá alternar entre a circulação à superfície e túneis, nas zonas mais densamente povoadas, explicou Domingos Bragança. Relativamente ao metrobus, nas ligações intraconcelhias, Bragança defende que deve circular principalmente em vias dedicadas, mas admite que pode, em alguns locais, ter de circular apenas em vias com prioridade, através de semáforos.

Para o autarca de Guimarães, o importante é ligar Guimarães à futura estação da linha de alta velocidade, que deverá ficar algures entre Famalicão, Barcelos e Braga. Recorde-se que esta linha irá ligar Portugal a Espanha por um novo eixo, sem passar por Viana do Castelo.

Apesar do PNI contemplar apenas 200 milhões de euros para “desenvolvimento de sistemas de transportes coletivos em cidades de média dimensão”, Domingos Bragança não considera esse valor uma limitação, uma vez que há outros “fundos transversais aos quais podemos concorrer”.

“Estimamos que só para a parte que diz respeito a Guimarães serão necessários cerca de 300 milhões de euros, o que representará um esforço de cerca de 60 milhões da contrapartida nacional que temos condições de repartir por cerca de 10 anos, num esforço anual que corresponderá a cerca de 6 milhões de euros”, vaticina Domingos Bragança.

O presidente da Câmara afirma que “Guimarães não é interior nem é litoral”. Domingos Bragança vê Guimarães como um “portal de entrada para o litoral e para a linha de alta velocidade”, para as populações dos territórios mais interiores.

“Este é um assunto que não deve ser misturado com lutas partidárias, pois ele é demasiado importante para o futuro de Guimarães e de toda esta região. Esta obra, que poderá vir a estar concluída em 2030, já não será inaugurada por mim, mas terá todo o meu empenho”, afirma Domingos Bragança. O presidente voltou a exortar os deputados, “com identidade de Guimarães” a ajudarem nesta causa, batendo-se na Assembleia da República.

André Coelho Lima manifestou a sua disponibilidade para ajudar nesta causa, afirmando, que nunca foi abordado nesse sentido “formal ou informalmente” pelo presidente da Câmara.

Notícia atualizada às 21h35 com mais informação.

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