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Guimarães

Grupo de Braga constrói hotel em Guimarães, com seis pisos, em 10 meses

A construção assenta num sistema inovador em que uma grande parte dos componentes são previamente fabricados

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Foto: Rui Dias / O MINHO

Junto ao campus da Universidade do Minho, em Guimarães, está a nascer o primeiro edifício de construção híbrida da Península Ibérica. Este tipo de construção é mais rápido, precisa de menos mão-de-obra e corta 40% na utilização de betão. Este projeto, com a assinatura do arquiteto Mário Fernandes, corresponde a um investimento de 11 milhões de euros. Trata-se de um edifício ecológico, porque incorpora mais madeira, um material renovável que sequestra carbono.

A construção arrancou em fevereiro passado e destina-se a receber um Hotel B&B, com 95 quartos, 44 estúdios (T0) e 1.000 m2 de área comercial, para várias lojas. André Costa, o diretor de obra, esclarece que a terminologia “construção híbrida” surge da combinação da madeira com o betão.

Foto: Rui Dias / O MINHO

O projeto foi desenvolvido com base na tecnologia BIM (Building Information Modeling), uma metodologia de colaboração e partilha de informação, entre todos os atores do setor da construção, desde o promotor do projeto, passando pelos diversos técnicos, até aos responsáveis pela manutenção e, em fim de vida, pela demolição.

“O recurso ao BIM é absolutamente fundamental num projeto deste tipo, porque há muitas peças que são feitas industrialmente e quando chegam aqui têm que encaixar perfeitamente”, sublinha André Costa, “além disso, depois de começarmos a montagem a obra fica fechada, ou seja, tudo o que for de grandes dimensões tem que entrar antes”, acrescenta.

Um piso a cada dois dias

O sistema usado pela Casais nesta construção, permite acrescentar um piso a cada dois dias. “Neste caso, construímos dois pisos da forma tradicional, em alvenaria. Esses dois pisos levaram mais tempo a fazer do que os quatro seguintes”, assinala o diretor de obra.

Foto: Rui Dias / O MINHO

O sistema de construção CREE, de que o Grupo Casais é representante em Portugal, é indicado para o desenvolvimento de edifícios de grande volume, apoiando-se numa matéria-prima natural renovável – a madeira. A sua principal característica é o pré-fabrico padronizado de componentes individuais como painéis de teto, painéis de fachada, pilares e estruturas. Estes módulos são posteriormente montados no local da obra.

A Casais aponta como vantagens a redução das emissões de carbono, do ruído e das poeiras e permitindo economizar tempo, recursos e dinheiro.

Atrair mulheres para o setor da construção

André Costa vê aqui uma solução de futuro para a falta de mão-de-obra no setor da construção: “Com este sistema, não só precisamos de menos trabalhadores, como podemos atrair outro tipo de pessoas para a construção, como as mulheres. Trabalhar numa unidade industrial, onde são feitos os painéis, é completamente diferente de trabalhar em chão de obra”.

Foto: DR

“Mesmo no local de construção, o trabalho torna-se diferente, porque passa a ser uma obra ‘seca’, ao contrário das construções em alvenaria”, conclui, apontando em volta para um dos quatro pisos montados em apenas uma semana. Este sistema construtivo implica um aumento da qualificação profissional e reduz o riscos e acidentes, salienta a Casais.

Foto: DR

No chão dos pisos acabados de montar, estão já as casas de banho e os racks com todas as infraestruturas (Ar condicionado, água, sistema de segurança contra incêndios, esteiras para a eletricidade). As casas de banho têm paredes articuladas, de tal forma que, antes de montadas, não ocupam mais espaço do que uma cabine telefónica. As componentes industrializadas aplicadas neste projeto, estão a ser fabricadas na Blufab, uma unidade de construção off-site do Grupo Casais que abastece as obras com elementos fabricados.

“Prevemos terminar a construção até ao final do ano, ou seja, cerca de 10 meses no total.

Foto: DR

Num sistema de construção tradicional levaríamos entre 14 a 16 meses no mínimo”, assegura André Costa. Sendo uma construção que incorpora muito mais materiais renováveis, se um dia se equacionar a sua demolição, será sempre mais sustentável.

“Sendo uma construção por painéis, no limite, se fosse essa a intenção, seria possível levar todo o edifício para outro local”, conclui o diretor de obra.

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