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Funerárias longe da capacidade máxima apesar de aumento de óbitos

Covid-19

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Foto: DR / Arquivo

As mortes por covid-19 estão a aumentar em Portugal, mas não se reflete no trabalho das funerárias, que dizem estar longe da sua capacidade máxima e sem qualquer problema porque se trata de cerimónias mais simples sem velórios.


Desde o início da pandemia já morreram em Portugal 3.762, metade das quais nos últimos dois meses. Apesar deste aumento, não se regista uma sobrelotação de cadáveres nos hospitais e as agências funerárias estão ainda longe de atingir uma capacidade de saturação.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Associação Nacional de Empresas Lutuosas (ANEL), Carlos Almeida, precisou que “não há saturação do setor funerário em termos de execução dos funerais”.

Carlos Almeida afirmou que o funeral de uma pessoa que morre com covid-19 é uma cerimónia “simplificada” e “não tem grande complexidade”, sendo apenas necessário que os agentes funerários tenham os cuidados adicionais relativamente a equipamentos e manuseamento do corpo.

“Estamos a falar de funerais simplificados, porque saem diretamente do local do óbito” para o cemitério. Uma funerária treinada pode fazer dois, três ou quatro funerais covid por dia”, sublinhou o presidente da ANEL, frisando que tal não acontece com as cerimónias fúnebres de uma pessoa que morre por outro motivo, que são muito mais demoradas uma vez que têm velório.

O mesmo responsável realçou que um funeral covid “é direto” do hospital ou do lar de terceira idade, onde ocorre a maior dos óbitos, para o cemitério, além dos cadáveres covid não serem preparados.

“Não há qualquer ação humana para vestir, pentear ou fazer a barba. O cadáver tem de estar envolvido num saco que depois o funerário vai colocar num segundo saco para sair sem qualquer contaminação e em segurança”, disse.

Também Eduardo Castela, da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), disse à Lusa que “não há uma sobrelotação” de cadáveres covid-19 nos hospitais, porque “os serviços foram preparados para isso”.

No entanto, frisou que “há mais morosidade em alguns casos para levantar o cadáver” devido ao receio que as famílias têm do risco de transmissão.

Eduardo Castela disse também que os procedimentos a adotar em caso de um óbito por covid-19 está regulamentado pela Direção-Geral da Saúde (DGS), sendo uma norma adotada nos planos de contingência e de reestruturação dos hospitais.

A norma da DGS sobre os procedimentos ‘post mortem’ a adotar perante um caso de SARS-CoV-2 refere que não se devem realizar velórios e, para o funeral, o caixão deve manter-se fechado, sendo recomendada a cremação.

Esta norma, que estabelece os procedimentos gerais a adotar quando existe um óbito de uma pessoa infetada, bem como a abordagem de acordo com o local onde ocorre o óbito (hospital, lar de idosos e domicílio), refere que o corpo deve ser acondicionado em duplo saco impermeável e encerrado adequadamente, devendo ser, sempre que possível, colocado logo em caixão para o transporte.

Segundo a DGS, os profissionais da agência funerária devem estar familiarizados com as práticas, que incluem treino em higiene das mãos e como colocar e remover equipamentos de proteção individual.

A DGS aconselha-se ainda as agências funerárias a uniformizarem a oferta de caixões, preferindo os modelos de mais fácil e rápida fabricação e obtenção no mercado, de preferência modelo único, que tanto possa ser enterrado como cremado, evitando a rotura de ‘stocks’, em eventual situação de aumento brusco do número de óbitos

O funeral de uma pessoa infetada com covid-19 deve realizar-se o mais breve espaço de tempo possível, mas nunca inferior a 12 horas depois da hora de verificação médica do óbito.

A Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares disse ainda que permanecem em alguns hospitais os contentores frigoríficos instalados em março.

No entanto, o presidente da ANEL defendeu que deviam existir em cada concelho um contentor frigorífico.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.360.914 mortos resultantes de mais de 56,8 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 3.762 pessoas dos 249.498 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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Moreirense falha Taça da Liga

I Liga

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Foto: Twitter / Moreirense

O Paços de Ferreira qualificou-se na terça-feira para os quartos de final da Taça da Liga, ao impor-se na deslocação ao Moreirense, por 1-0, num encontro em atraso da sétima jornada da I Liga de futebol.

Em Moreira de Cónegos, o golo solitário de Douglas Tanque (10 minutos) ofereceu o terceiro triunfo consecutivo dos ‘castores’ no campeonato e ditou um embate com o FC Porto na prova mais jovem do futebol profissional, a disputar de 15 a 17 de dezembro.

O Paços de Ferreira subiu ao quinto lugar, com 14 pontos, enquanto o Moreirense, cujo surto de covid-19 levou ao adiamento desta partida, originalmente marcada para 07 de novembro, desceu ao 13.º posto, com oito pontos, um acima da zona de despromoção.

Com processos mais consolidados, a formação de Pepa repetiu os titulares da vitória sobre o Famalicão (2-0) e denotou uma entrada autoritária e eficaz, focada em assumir a iniciativa do jogo, tendo agitado o marcador logo na primeira oportunidade do encontro.

Aos 10 minutos, Luther Singh deu continuidade à subida em profundidade pela esquerda de Oleg, que cruzou para o cabeceamento de Douglas Tanque, dedicado pelo avançado brasileiro ao ex-treinador pacense Vítor Oliveira, que morreu no sábado, aos 67 anos.

O revés madrugador instabilizou o conjunto de César Peixoto, que trocou Steven Vitória por Ferraresi no jogo de estreia em Moreira de Cónegos, sem desfazer uma linha defensiva de cinco unidades adotada na derrota frente ao líder Sporting (2-1).

À procura de entrosamento coletivo, os minhotos demoraram a calibrar a definição no último terço, como expressou a receção imperfeita de André Luís aos 32 minutos, desmarcado na área por Gonçalo Franco, e apenas geraram perigo antes do intervalo.

Num raro momento de superação do Moreirense face ao bloco pressionante do Paços de Ferreira, Afonso Figueiredo ganhou espaço na esquerda aos 44 minutos e cruzou na direção de André Luís, que desviou para uma defesa apertada de Jordi junto ao poste.

Ato contínuo, o lateral esquerdo cobrou um pontapé livre descaído para a direita e Lazar Rosic dominou a bola ao segundo poste, mas errou o alvo, num duplo susto sem consequências para o bloco compacto, organizado e pressionante dos ‘castores’.

Os ‘cónegos’ tentaram incutir maior consistência entre setores no reatamento para alcançar outro poder de desequilíbrio ofensivo, mas sentiram dificuldades de progressão, à exceção de investidas inofensivas de André Luís (53 minutos) e Walterson (72).

César Peixoto envolveu mais gente no ataque, mas Pepa foi encontrando o antídoto para neutralizar a crença vimaranense, recuperando algum atrevimento em remates seguidos de Bruno Costa e Oleg, aos 63 minutos, ambos defendidos por Mateus Pasinato.

Apesar de a entrada na Taça da Liga estar à distância de três golos, o Moreirense subiu linhas nos minutos finais em busca de um ponto, mas a reação encheu-se de timidez e viabilizou o regresso do Paços de Ferreira às vitórias no seu estádio sete anos depois.

Ficha de Jogo

Jogo no Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas, em Moreira de Cónegos.

Moreirense – Paços de Ferreira, 0-1.

Ao intervalo: 0-1.

Marcador:

0-1, Douglas Tanque, 10 minutos.

Equipas:

– Moreirense: Mateus Pasinato, Anthony D’Alberto, Lazar Rosic, Fábio Pacheco (Ibrahima Camará, 81), Nahuel Ferraresi, Afonso Figueiredo, Gonçalo Franco (David Tavares, 81), Alex Soares (Filipe Soares, 56), Felipe Pires (Derik Lacerda, 64), André Luís e Walterson (Galego, 82).

(Suplentes: Miguel Oliveira, David Tavares, Ibrahima Camará, Steven Vitória, Filipe Soares, Reynaldo, Galego e Derik Lacerda).

Treinador: César Peixoto.

– Paços de Ferreira: Jordi, Fernando Fonseca, Marcelo, Marco Baixinho, Oleg, Stephen Eustáquio, Luiz Carlos (Mohamed Diaby, 63), Bruno Costa, Hélder Ferreira (Zé Uilton, 64), Douglas Tanque (João Pedro, 80) e Luther Singh (João Amaral, 74).

(Suplentes: Michael, Abbas Ibrahim, Zé Uilton, Matchoi Djaló, Adriano Castanheira, Mohamed Diaby, Maracás, João Pedro e João Amaral).

Treinador: Pepa.

Árbitro: Hélder Malheiro (AF Lisboa).

Ação disciplinar: Cartão amarelo para o treinador do Paços de Ferreira, Pepa (36), e para Gonçalo Franco (51).

Assistência: Jogo realizado à porta fechada devido à pandemia de covid-19.

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Freguesia açoriana de Rabo de Peixe sujeita a cerca sanitária

Covid-19

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Foto: JF Rabo de Peixe

A freguesia de Rabo de Peixe, na ilha de São Miguel, vai ficar sob cerca sanitária a partir das 00:00 e até 08 de dezembro, e a população vai ser testada, anunciou hoje o Governo dos Açores.

Segundo uma nota do gabinete de imprensa do executivo açoriano, ficam interditas as deslocações, por via terrestre e marítima, entre Rabo de Peixe, no concelho da Ribeira Grande, e as restantes freguesias, sendo que as autoridades de saúde vão proceder à realização de “testes rápidos à população”.

Por freguesias, a vila piscatória de Rabo de Peixe, com cerca de dez mil habitantes, é a que regista mais casos (61) nos Açores.

De acordo com deliberação, fica proibida a circulação e permanência de pessoas na via pública, são encerradas todas as escolas e fixa-se a limitação da lotação máxima de um terço da respetiva capacidade na restauração, bares e outros estabelecimentos de bebidas, com ou sem espetáculo e com ou sem serviço de esplanada.

O Governo dos Açores determina ainda que, a partir das 20:00, “são encerrados os restaurantes, bares e outros estabelecimentos de bebidas, com ou sem espetáculo e com ou sem serviço de esplanada, sendo cancelados todos os eventos de natureza cultural ou de convívio social alargado”.

Estão previstas exceções para deslocações necessárias e urgentes, para acesso a cuidados de saúde, assistência, cuidado e acompanhamento de idosos, menores, dependentes e pessoas especialmente vulneráveis, incluindo o recebimento de prestações sociais, bem como de profissionais de saúde e de medicina veterinária, entre outros.

A cerca sanitária vigorará a partir das 00:00 de quarta-feira até às 23:59 de 08 de dezembro de 2020, podendo as medidas previstas “ser revertidas ou revogadas a qualquer momento, tendo em conta a evolução da pandemia na região”.

Os Açores registaram mais 18 casos de infeção por covid-19 nas últimas 24 horas.

Segundo o comunicado de hoje da Autoridade Regional de Saúde, há oito novos casos em São Miguel e dez na ilha Terceira, na sequência de 1.463 análises realizadas na região.

Foram registadas quatro recuperações e há na região 37 cadeias de transmissão ativas, sendo 26 em São Miguel, oito na Terceira, uma partilhada entre São Miguel e São Jorge, uma no Pico e outra em São Jorge.

Nos Açores, foram detetados até hoje 1.044 casos de infeção pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, que provoca a doença covid-19, e registados 17 óbitos. Há 523 casos recuperados e mantêm-se 421 casos positivos ativos.

Estão internadas 14 pessoas, seis no Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada, sete no Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira e um no Hospital da Horta.

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“Ninguém tem legitimidade para questionar posição de Portugal sobre valores da UE”

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António Costa e Charles Michel. Foto: Twitter / António Costa

O primeiro-ministro, António Costa, disse hoje, em Bruxelas, que “ninguém tem legitimidade” para questionar o compromisso “inequívoco” de Portugal com os valores da União Europeia, quando confrontado com uma alegada oposição a um mecanismo sobre o Estado de Direito.

Falando numa conferência de imprensa conjunta com o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, depois de uma reunião consagrada à presidência semestral portuguesa do Conselho da UE, que arranca dentro de um mês, Costa reiterou que, para Portugal, “os valores da UE não são só condição de acesso aos fundos, são muito mais do que isso”, e defendeu que a questão do mecanismo de condicionalidade no acesso aos fundos ao respeito pelo Estado de Direito nem deve ser reaberto, pois já foi acordado.

A seu lado, Charles Michel também foi taxativo, ao afirmar que “não há sombra de dúvida sobre o compromisso de Portugal e do primeiro-ministro com os valores” da UE.

“Posso dizer-vos que, à volta da mesa do Conselho Europeu, conhecemos todos a sinceridade e a força do compromisso de António Costa, que sistematicamente participa de maneira ativa sobre todos os temas, incluindo os difíceis”, apontou.

Defendendo que “ninguém tem legitimidade para ter qualquer dúvida sobre a posição de Portugal sobre esta matéria, que foi sempre muitíssimo clara”, o primeiro-ministro português recordou que “Portugal apoiou o acordo que aqui foi concluído em julho passado [sobre o orçamento da UE para 2021-2027 e o Fundo de Recuperação, que incluía já o mecanismo de condicionalidade ao respeito pelo Estado de direito] e Portugal apoia a presidência alemã no acordo que obteve com o Parlamento Europeu”.

“E, como temos dito, os valores da UE não são só condição de acesso aos fundos, são muito mais do que isso. Os valores da UE são condições de adesão à UE, de permanência na UE. Quem não respeita estes valores não pode fazer parte da UE”, disse.

Costa evocou então o antigo primeiro-ministro Mário Soares, recordando que, “quando, em 1977, Portugal pediu a adesão à então Comunidade Económica Europeia [CEE], não pediu adesão a uma moeda única, que não existia, nem sequer a um mercado interno, que ainda não existia, aquilo que Portugal pediu [adesão] foi a uma união de valores, para consolidar a democracia e a liberdade que tínhamos acabado de reconquistar”, apontando que “essa foi a grande visão de Mário Soares em 1977”.

“E, como tenho dito e repetido, a União Europeia, antes de uma união aduaneira, antes de uma moeda única, antes de um mercado interno, é uma união de valores. Isso é que é fundamental, e essa é a posição inequívoca que Portugal mantém sobre esta matéria”, declarou.

Ambos os responsáveis sublinharam a importância de o bloqueio de Hungria e Polónia a todo o plano de relançamento da Europa ser ultrapassado já no Conselho Europeu de 10 e 11 de dezembro, tendo Costa advertido “todos aqueles que estão envolvidos num braço de ferro” que “não há espaço para um plano B”, porque “esta matéria tem de ser resolvida até às 24:00 horas do dia 31 de dezembro e não podem passar para as 00:00 de dia 01 de janeiro”, já que a UE entraria num bloqueio orçamental.

A aprovação do orçamento plurianual da UE para 2021-2027 (1,08 biliões de euros) e do Fundo de Recuperação pós-pandemia que lhe está associado (750 mil milhões) encontra-se bloqueada pela Polónia e pela Hungria, que discordam da condicionalidade no acesso aos fundos comunitários ao respeito pelo Estado de Direito, devendo esta questão dominar a próxima cimeira de chefes de Estado e de Governo da UE, em 10 e 11 de dezembro.

A reunião de hoje entre Costa e Charles Michel teve lugar no quadro dos encontros preparatórios da presidência portuguesa da União Europeia, que arranca precisamente daqui a um mês, em 01 de janeiro, tendo sido antecedida de um encontro do primeiro-ministro com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

António Costa regressará ainda hoje a Lisboa, onde participará, na quarta-feira, na “Conferência de Presidentes” virtual com os líderes políticos do Parlamento Europeu, também consagrada às prioridades da presidência portuguesa do Conselho da UE no primeiro semestre de 2021.

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