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Região

Dez acusados de tráfico de armas por venderem pirotecnia a claques no Norte

Há arguidos de Barcelos, Famalicão e Fafe

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Foto: Ilustrativa / DR

A pena pode chegar a dez anos de prisão. Produzir ou vender artefactos pirotécnicos sem licença é um crime equiparado a tráfico de armas. É essa a acusação feita pelo Ministério Público de Braga a dez homens do setor, residentes na região norte, que produziam artefactos pirotécnicos, entre as quais petardos, fumos e tochas, que vendiam a vários clientes, entre eles, membros de claques de clubes de futebol e comissões de festas e romarias.

Para além dos dez acusados, o MP arquivou 20 inquéritos, por falta de provas, vários deles relacionados com vendas a claques: “não resultam indícios de que as ‘bombas’ rebentadas em vários estádios de futebol foram vendidas pelos arguidos”, diz, mas pondo a hipótese de reabertura dos inquéritos se surgirem novos elementos de prova.

O MP arquivou, por exemplo, um incidente ocorrido em janeiro de 2017 nas imediações do Estádio Municipal de Braga, após um jogo entre o SC Braga e o Vitória SC: um autocarro transportando ‘seguranças’ da empresa 2045 foi atingido por um disparo pirotécnico”.

Numa das escutas telefónicas, conclui-se que, em dezembro de 2016, o arguido José Barbosa ligou para António Ribeiro e encomendou duas a três caixas de petardos e de fumos para depois vender a uma claque: “eles querem fumo, pá, claque, percebes? E querem verde, daquilo tipo ‘very light’”, solicitava o primeiro. Dias depois telefonou a pedir mais “petardinhos pequeninos, rebuçadinhos” para o mesmo fim.

António Ribeiro, de Barcelos, Rui Araújo, de Paços de Ferreira, Raul Marques, de Famalicão, José Manuel Mendes, de Amarante, António Luís Castro, de Lamego, Paulo Agostinho da Costa, de Felgueiras, José Teixeira da Cunha, de Amarante, José Miguel Barbosa, de Barcelos, António Miguel Carvalho, da Lixa, e José Vieira de Castro, de Fafe, foram acusados dos crimes de tráfico e mediação de armas, posse de arma proibida (mechas, rastilhos e petardos).

A acusação, a que O MINHO teve acesso, salienta que os arguidos não estavam legalmente autorizados a fabricar, importar, armazenar e distribuir artigos de pirotecnia bem como explosivos e outras matérias perigosas.

O grupo, constituído por empresários ou ex-empresários e lançadores autorizados de fogo do ramo – foi desmantelado em 2017 pela PJ de Braga, na operação ‘Petardo’, na qual foram detidas oito pessoas e apreendidos centenas de artefactos, com destaque para as balonas – o nome dado a uma espécie de morteiro ou bazooka usado para lançar o fogo de artifício e que substituiu o tradicional e perigoso foguete de cana. Foi, ainda, apanhado, muito material explosivo, pólvora e outros produtos químicos.

Numa outra escuta, ouvia-se: “você vende rastilho? Se for chinês, tenho muita merda aí”.

A acusação tem 14 testemunhas, 13 das quais da PJ de Braga, centenas de escutas telefónicas, autos de busca e declarações dos arguidos.

Licenças caducadas

O magistrado enumera as buscas policiais, começando com a feita, em 2016, na Pirotecnia Barquense, em Oleiros, Ponte da Barca, que tinha as licenças caducadas.

Num armazém na Póvoa de Lanhoso, junto da antiga «Pirotecnia de Simães», havia 34 caixas com balonas, petardos, fio elétrico, cordão, foguetes de cana, tubos de alumínio, baterias de disparos, e 14 testemunhas, 13 das quais da PJ/Braga, centenas de escutas telefónicas, autos de busca e declarações dos arguidos.

Já António Ribeiro – assinala o MP – lançava ele mesmo o fogo em festas populares nomeadamente na Páscoa, os artefactos que guardava em casa e em contentores que tinha em São Miguel da Carreira, Barcelos, e num terreno em Famalicão.

Numa das buscas foram apreendidos 80 quilos de pólvora negra, 250 metros de rastilho, oito quilos de cores em caixa e dois quilos de cores em pedra (ambos usados no fabrico de balonas). Noutra foi apanhada pólvora, nitrato de potássio, dextrina, enxofre, perclorato, carvão, bem como rastilhos.

Fabricavam, de forma artesanal, a pirotecnia e foguetes em anexos de casa, “sem qualquer controlo técnico de qualidade”.

Ribeiro – assinala o MP – lançava ele mesmo o fogo em festas populares nomeadamente na Páscoa, os artefactos que guardava em casa e em contentores que tinha em São Miguel da Carreira, Barcelos, e num terreno em Famalicão.

O amadorismo reinava em alguns dos envolvidos: “Isto é preciso tirar o cordão?, perguntava, ao telefone, um ‘lançador de fogo’. “Não, é só chegar lume, ele faz tudo por ele!”, respondia o ‘vendedor’.

Viana do Castelo

PSP encerra vias pedonais e ecovias junto ao mar em Viana

Confinamento

Foto: PSP

Vários espaços públicos pedonais da zona ribeirinha de Viana do Castelo foram encerrados pela PSP no âmbito das medidas de contenção no novo coronavírus, após solicitação da Câmara Municipal.

Em nota publicada nas redes sociais, o comando distrital da PSP em Viana dá conta da implementação de medidas físicas efetivas de interdição de acessos com vista ao encerramento de vários espaços públicos pedonais na cidade.

Os espaços encerrados incidem na Praia Norte, na zona ribeirinha, que vai da Praça da Liberdade até ao Parque da Cidade, e ainda na ecovia de Cabedelo.

Estes locais foram encerrados por estarem “identificados como sendo suscetíveis de potenciar aglomerados de cidadãos, mormente para a prática de passeios higiénicos, exercício físico e convívio social”.

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Alto Minho

Autarca de Arcos de Valdevez vacinado contra a covid-19 porque havia “sobras”

Covid-19

Foto: DR

Francisco Araújo, presidente da Assembleia Municipal de Arcos de Valdevez, foi vacinado contra a covid-19 sem estar incluído no primeiro grupo prioritário do plano nacional de vacinação.

O autarca de 59 anos é também provedor da Santa Casa de Arcos de Valdevez e terá recebido a vacina, alegadamente, porque “sobraram” naquelas instalações.

A informação foi avançada pelo jornal Observador e confirmada pelo próprio Francisco Araújo, que afirma ter sido contactado pela enfermeira responsável pelo processo de vacinação de idosos e funcionários que decorria na Santa Casa.

“Estava no meu gabinete e a responsável telefonou-me a perguntar se queria ser vacinado porque havia sobras”, disse, salientando que este processo foi na Misericórdia e “não tem nada a ver com a Câmara”.

“A enfermeira sabe que eu tenho problemas cardiovasculares, fui operado às coronárias, e foi por isso que me perguntou se estava disponível para ser vacinado com uma das sobras”, disse, afirmando que é um processo normal: “Cada frasco dá para 5 ou 6 doses e, por isso, penso que é normal haver sobras, mas isso são coisas que me ultrapassam”.

O autarca provedor disse ainda que há mais “sobras” da vacina e que as mesmas foram administradas a funcionários do centro de saúde local.

Segundo Francisco Ramos, coordenador da task force do plano da vacinação, a regra é “não desperdiçar doses da vacina”, mas que o adequado será “procurar outros candidatos dentro do primeiro grupo prioritário”.

“Nesta fase não deverá ser muito difícil encontrar pessoas prioritárias” para vacinar, disse o responsável.

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Alto Minho

Infeção em três funcionários cancela vacinação de utentes de lar em Valença

Covid-19

Foto: DR

O processo de vacinação dos utentes e funcionários do lar da Misericórdia de Valença, que deveria iniciar-se no sábado foi cancelado após a confirmação de infeção pelo vírus SARS-Cov-2 em três funcionários, disse hoje o vice-provedor.

Em declarações à agência Lusa, Hermenegildo Alves adiantou que o primeiro caso de infeção de um funcionário surgiu, na terça-feira, sendo que na quinta-feira foram testados os 64 utentes da Estrutura Residencial para Idosos (ERPI) e os cerca de 40 funcionários, sendo surgido mais dois casos entre os trabalhadores”.

“Os testes feitos aos idosos tiveram todos resultado negativo, mas as três infeções nos funcionários, sendo que apenas um teve contacto direto com os utentes, levou ao cancelamento do processo de vacinação que deveria iniciar amanhã [sábado]”, explicou o vice-provedor.

Segundo Hermenegildo Alves, na próxima semana as autoridades de saúde procederão à realização de novos testes.

“Continuamos com um plano de contingência muito rigoroso. Desde março do ano passado que a Misericórdia tem tentado manter os utentes protegidos desta pandemia. Até agora temos conseguido. Tem sido um custo imenso, em termos financeiros e humanos. Pensamos não morrer na praia”, referiu.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.092.736 mortos resultantes de mais de 97,4 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 9.920 pessoas dos 609.136 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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