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Crianças e alunos do 1.º ciclo estão a aprender programação e robótica

Em Braga, Algarve, Setúbal, Aveiro, Viseu, e Bragança

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Foto: DR / Arquivo

Centenas de crianças de jardins-de-infância e escolas do 1.º ciclo estão a aprender a programar robots e a fazer filmes animados em tablets, através de um novo programa educativo que ensina programação e robótica.

Existem 30 escolas em Braga, Algarve, Setúbal, Aveiro, Viseu, e Bragança onde os tradicionais lápis de cor e livros de aventuras dividem o espaço e a atenção dos alunos com robots e tablets, tecnologias que as crianças rapidamente aprendem a manusear.

Apesar de muitos ainda não saberem ler nem escrever, nestas escolas aprendem-se as bases da programação e da robótica “sempre de forma lúdica”, contou à Lusa a professora universitária Maribel Miranda, coordenadora do projeto “Kids Media Lab”, que começou em 2015.

Na altura havia “crianças com três anos que hoje têm quase seis e já sabem programar”, recordou a investigadora da Universidade do Minho, que gostaria que o projeto passasse a fazer parte do currículo de todos os alunos.

Nas salas de aula, os professores e educadores começam por trabalhar o pensamento computacional e só depois passam para a programação e robótica. Para ajudar nesta missão, já chegaram às escolas 150 robots para serem usados pelas crianças.

“Há muitas atividades que se podem trabalhar no pré-escolar tais como a orientação espacial ou saber o que é a direita e a esquerda. Há também a parte de saber contar e fazer uma sequência. Esse trabalho permite-lhes aprender a programar”, contou.

Quando se faz um bolo, por exemplo, existe uma sequência de ações que é preciso seguir para o sucesso da receita. “É o mesmo que vão fazer com o robot”, exemplificou, lembrando que “programar é ordenar ou dar orientações numa sequência de ações que se quer que o robot execute”.

Para os mais novos existem, por exemplo, robots direcionais que as crianças conseguem programar para se dirigirem para o local desejado através de comandos simples como botões que significam andar para a frente ou para trás, para a direita ou para a esquerda.

A professora universitária lembra que o que se está a fazer agora em Portugal já se faz há três décadas em escolas norte-americanas.

E foi precisamente de uma universidade dos Estados Unidos – o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT na sigla em inglês) – que veio o programa “Scratch”. As crianças portuguesas estão também a usar gratuitamente nos seus tablets o “ScratchJr”.

Com uma linguagem de programação de iniciação, o “ScratchJr” permite inventar jogos interativos ou fazer um filme animado inspirado nas suas histórias. As crianças podem fazer as personagens andar, saltar, dançar e cantar, mas também podem adicionar as próprias vozes e sons e até inserir fotografias.

Na quinta-feira, a especialista estará presente na conferência sobre a utilização da robótica como ferramenta educativa que decorre no Pavilhão do Conhecimento.

O investigador italiano Stefano Cobello, autor do projeto “Robótica contra o Bullying” que em breve chegará às escolas portuguesas, também estará presente na conferência.

“Robótica contra o Bullying” já foi aplicado em mais de quatro mil escolas italianas e “nos próximos três anos, será gradualmente implementado em dez países, entre os quais Portugal”, contou em declarações à Lusa o especialista.

O investigador acredita que os robots podem aproximar as pessoas, lembrando que nas aulas de robótica, os alunos são obrigados a trabalhar em equipa e, por vezes, agressor e vítima têm de comunicar e de se ajudar mutuamente para o sucesso do projeto.

Stefano Cobello não tem dúvidas de que “a robótica é um instrumento inclusivo”, já que obriga a trabalhar em conjunto, independentemente de quaisquer preconceitos.

Nas aulas também se preparam tarefas com conteúdos voltados para enfatizar a gravidade do bullying e para a prevenção.

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