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Braga

Cerca de 100 pessoas juntaram-se em Braga para “salvar a Confiança”

Manifestação cultural juntou oposição e sociedade.

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Foto: Facebook de Paula Nogueira

Um grupo de cerca de 100 pessoas juntou-se na terça-feira à noite, em Braga, para “salvar a Confiança”, a antiga fábrica de sabões cuja venda foi aprovada pela maioria PSD/CDS-PP/PPM no executivo camarário.

Reunidos em frente ao portão principal da antiga saboaria, onde se lia num pano gigante “Salvar a Confiança”, agentes políticos da cidade e cidadãos anónimos partilharam histórias e opiniões sobre o “último bastião da memória industrial da cidade”, num protesto que foi organizado pela oposição no município, PS, CDU e BE.

Foto: Divulgação

No dia 19 de setembro, a coligação PSD/CDS-PP/PPM, que lidera o executivo municipal, decidiu alienar o complexo da ‘Confiança’, adquirido pela autarquia em 2011, através de uma expropriação na qual gastou cerca de 3,5 milhões de euros, naquele que foi um dos poucos momentos de unanimidade do executivo de então, liderado por Mesquita Machado (PS).

A autarquia pretende agora vender a antiga fábrica, por cerca de quatro milhões de euros.

O presidente da Câmara de Braga, Ricardo Rio, argumenta com a falta de fundos próprios para requalificar o espaço, assim como de fundos comunitários para o efeito.

O presidente da Concelhia do PS, Artur Feio, defendeu, numa conferência de imprensa conjunta com a CDU e o BE, que serviu para lançar o mote para o protesto desta noite, que a “venda é lesiva dos interesses dos bracarenses e da região”, pelo que os bracarenses “se podem sentir defraudados”.

Oposição a uma só voz: “Venda da Confiança é lesiva dos interesses dos bracarenses e da região”

A CDU condenou igualmente a decisão de Ricardo Rio, salientando que a alienação da ‘Confiança’ “não se coaduna com o desejo de dotar o município de mais equipamentos culturais e até do objetivo de tornar Braga Capital Europeia da Cultura em 2027”.

“Não conseguimos compreender a argumentação da falta de financiamento para requalificar o edifício, já que desconhecemos as tentativas, desde a expropriação, de tentar encaixar verbas para o efeito. Achamos que, ao contrário do que argumenta a maioria no executivo, as hipóteses não estão esgotadas e nada impede que se espere pelo próximo quadro comunitário, por exemplo”, referiu a deputada municipal da CDU Bárbara Seco.

Sem lugar no executivo camarário (composto por sete vereadores PSD/CDS-PP/PPM, três PS e um CDU) mas com mandatos na Assembleia Municipal, o BE defendeu que não está em causa uma “questão partidária, da direita ou de esquerda, da oposição ou da maioria, de fação ou de grupo, mas uma causa da população, da cidade e da sociedade”.

“As lembranças que a ‘Confiança’ tem consigo, do cheiro, da centralidade que a fábrica teve na vida dos bracarenses significam memória, identidade, sentido de pertença, património. Tudo aquilo que faz com que os habitantes de Braga tenham referências identitárias diferentes dos habitantes de outras cidades”, explanou a deputada municipal do BE Alexandra Vieira.

Esta noite, as três forças políticas voltaram a apelar à suspensão do processo, que será apreciado na quinta-feira na Assembleia Municipal, que tem de aprovar o negócio para que a venda possa avançar, apelando a Ricardo Rio que “ouça a população”.

Do lado da população, contaram-se histórias sobre “o cheirinho que se sentia na rua” quando a fábrica laborava e sobre “a roda-viva que girava à volta” do complexo.

A Fábrica Confiança situa-se na freguesia de S. Vítor, a maior freguesia de Braga, e ouviu-se entre os habitantes da freguesia algumas sugestões para o espaço.

“Podia aqui funcionar um lar, uma creche, salas para as associações, para os velhotes estarem”, diziam uns.

“Isto vai acabar em mais um hotel ou uma dessas coisas”, lamentavam outras.

As três forças políticas voltaram ainda a apelar à população que “compareça em força” na Assembleia Municipal e que assinem a petição ‘online’, sendo que está também a ser feita uma recolha de assinaturas nas ruas da cidade.

“Ainda nada está perdido”, lembrou o Bloco de Esquerda.

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Braga

“Variações”, parcialmente rodado em Amares, é o mais nomeado nos prémios do cinema português

Prémios Sophia

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Foto: O MINHO (Arquivo)

O filme “Variações”, de João Maia, sobre o músico António Variações, parcialmente gravado na freguesia de Fiscal, em Amares, lidera os prémios do cinema português Sophia, com 17 nomeações, revelou hoje a Academia Portuguesa de Cinema.

“Variações”, o filme português mais visto em 2019, com quase 280 mil espectadores, está indicado para os Sophia de, entre outros, melhor filme, realização, argumento original, fotografia e elenco principal, encabeçado por Sérgio Praia no papel de António Variações.

Com 15 nomeações surge “A Herdade”, de Tiago Guedes, seguindo-se “Vitalina Varela”, de Pedro Costa, e “Diamantino”, de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, com seis nomeações cada, e “Snu”, de Patrícia Sequeira, com cinco.

Os Prémios Sophia são uma iniciativa da Academia Portuguesa de Cinema e repartem-se em 23 categorias.

Para o Sophia de melhor filme estão indicados “Variações”, “A Herdade”, “Diamantino” e “Vitalina Varela”, estando os respetivos cineastas nomeados para melhor realização.

Na representação em papéis principais estão nomeados Albano Jerónimo (“A Herdade”), Carloto Cotta (“Diamantino”), Igor Regalla (“Gabriel”), Sérgio Praia (“Variações”), Inês Castel-Branco (“Snu”), Margarida Vila-Nova (“Hotel Império”), Sandra Faleiro (“A Herdade”) e Vitalina Varela (“Vitalina Varela”).

Para melhor documentário concorrem “Até que o porno nos separe”, de Jorge Pelicano, “Chuva é cantoria na aldeia dos mortos”, de Renée Nasser Medora e João Salaviza, “Lupo”, de Pedro Lino, e “Terra Franca”, de Leonor Teles.

O Sophia de melhor série ou telefilme será disputado entre “Luz Vermelha”, de André Santos e Marco Leão, “O Nosso Cônsul em Havana”, de Francisco Manso, “Sul”, de Ivo M. Ferreira, e “Teorias da Conspiração”, de Manuel Pureza, todas exibidas na RTP.

“A Fábrica”, de Diogo Barbosa, “A Herança”, de Paulo A. M. Oliveira, “Arriaga”, de Welket Bungué, e “Invisível Herói”, de Cristèle Alves Meira, estão nomeados para melhor curta-metragem de ficção.

Na categoria de curta documental foram selecionados “Estas Mãos São Minhas”, de André Miguel Ferreira, “Kalani – Gift from Heaven”, de Nuno Dias, “Lá Fora as Laranjas Estão a Nascer”, de Nevena Desivojevic, e “Raposa”, de Leonor Noivo.

Para o Sophia de melhor curta de animação estão indicados “Assim Mas Sem Ser Assim”, de Pedro Brito, “Equinox”, de Bruno Carnide, “Maré”, de Joana Rosa Bragança, e “Tio Tomás, A Contabilidade dos Dias”, de Regina Pessoa.

Destaque ainda para a nomeação, a título póstumo, do músico e compositor José Mário Branco, para o Sophia de melhor banda sonora original pela música para o filme “A Portuguesa”, de Rita Azevedo Gomes.

Nesta categoria estão também nomeados Armando Teixeira (“Variações”), Manuel Cruz (“Tristeza e Alegria na Vida das Girafas”) e The Legendary Tigerman (“Caminhos Magnétykos”).

A música “Coro Menor”, de José Mário Branco, para um poema de Charles D’Orléans, interpretada por Ingrid Caven para aquele filme de Rita Azevedo Gomes, também está nomeada para os Sophia na categoria de melhor canção.

Este ano, o prémio de carreira será entregue aos realizadores Alfredo Tropa, António-Pedro Vasconcelos e Fernando Matos Silva.

Hoje, na revelação dos nomeados dos Sophia, a Academia Portuguesa de Cinema anunciou já outros três prémios ligados ao cinema: O livro “Leitão de Barros: A Biografia Roubada”, de Joana Leitão Barros e Ana Mantero, venceu o prémio Arte & Técnica, Pedro Ribeiro venceu o prémio de melhor ‘trailer’ para o filme “Variações”, e Catarina Sampaio, o de melhor cartaz para o filme “A Herdade”.

A cerimónia dos prémios Sophia decorrerá no dia 22 de março no Casino do Estoril, Cascais.

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Braga

“Mulheres de Braga” quer espaço físico para apoiar “24h/dia” vítimas de violência doméstica

Associação Mulheres de Braga (AMBRAGA)

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Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Um grupo de mulheres de Braga que nasceu em 2019 para combater a violência doméstica constituiu-se formalmente em associação e procura agora espaço para uma sede, onde possa estar disponível diariamente para acudir a uma qualquer emergência.

A presidente da Associação Mulheres de Braga (AMBRAGA), Emília Santos, disse, esta quarta-feira, à Lusa que já há um grupo de 25 pessoas disponíveis para colaborar, entre advogados, sociólogos e assistentes sociais, entre outros, para que o espaço possa estar disponível 24 horas por dia.

“Só nos falta mesmo um espaço, mas já estamos a trabalhar para o encontrar”, referiu.

Sublinhou que a ideia da associação é ter sempre “dois ou três quartos” disponíveis para acudir “na hora” a um qualquer caso de violência doméstica.

“Nestas situações, qualquer minuto a mais pode ser fatal”, afirmou Emília Santos.

Criada a 14 de fevereiro, data simbolicamente escolhida por ser Dia dos Namorados, a AMBRAGA pretende apoiar pessoas vítimas de violência doméstica, prestando-lhes serviços gratuitos e confidenciais, promover medidas de combate/prevenção da violência doméstica e contribuir para o aperfeiçoamento das políticas públicas e sociais focadas no estatuto da vítima.

A ideia é disponibilizar apoio, social, jurídico e psicológico às vítimas de violência doméstica, no decorrer dos processos judiciais, após o seu término ou sempre que necessário.

Promover atividades que visam contribuir para o aumento da autoestima e independência emocional das vítimas e auxiliá-las na integração do mercado de trabalho, de forma a contribuir para a sua autonomia económico-financeira, são outros objetivos.

A AMBRAGA propõe-se ainda colaborar com estruturas representativas da justiça, das polícias, da saúde, da segurança social e ainda com as autarquias locais e outras entidades públicas ou particulares.

Pretende igualmente promover e participar em programas, projetos e ações de sensibilização e formação na área da violência doméstica, bem como contribuir para a adoção de medidas legislativas, regulamentares e administrativas, facilitadoras da defesa, proteção e apoio à vítima de violência doméstica, com vista à prevenção dos riscos.

Em novembro de 2019, as “Mulheres de Braga” entregaram na Assembleia da República uma petição com cerca de oito mil assinaturas, que pede medidas prioritárias de proteção das vítimas de violência doméstica.

Na sequência dessa petição, Emília Santos vai ser recebida, de 26 a 28 de fevereiro, por todos os partidos com assento na Assembleia da República.

Intitulada “Basta de nos matarem”, a petição exige a criação de gabinetes especializados para o atendimento às vítimas nas esquadras policiais em todo o país, garantindo a presença de agentes especializados para este atendimento 24 horas.

Pede ainda o reforço da formação dos agentes judiciários e dos serviços sociais de apoio aos tribunais e criação de tribunais mistos (criminal e família e menores) especializados para julgar todas as questões relacionadas com a prática daquele crime num processo único.

A criação de mecanismos de “efetiva” aplicação da Convenção de Istambul, designadamente quanto à proteção da vítima após a denúncia, criando planos de segurança e seu acompanhamento ao longo do processo, é outra das reivindicações.

A petição apela também à promoção de medidas legislativas que assegurem a segurança da vítima e seus filhos durante o processo, designadamente mediante aplicação de medidas de coação eficazes que protejam as vítimas do agressor e lhes permitam manterem-se na sua residência.

Quer igualmente a proteção das crianças vítimas diretas ou indiretas de violência e abuso sexual, suspendendo-se os contactos com o agressor até ao fim do processo-crime e, em caso de condenação, restrição das responsabilidades parentais em conformidade com o crime.

O movimento Mulheres de Braga foi criado, em setembro de 2019, depois da morte de uma mulher, degolada em frente ao Tribunal de Braga pelo antigo companheiro.

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Braga

“Sentimento de insegurança” em freguesia de Braga. Autarca responsabiliza EDP

Falta de iluminação pública

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Foto: O MINHO

Uma alegada acumulação de avarias na iluminação pública de várias ruas da União de Freguesias de Crespos e Pousada, no concelho de Braga, está a preocupar José João Correia, presidente daquela autarquia situada a cinco quilómetros a noroeste da cidade.

As falhas são registadas em, pelo menos, seis ruas (Devesa, Berredo, Padrão, Chousas, Portas e Moutorro), vias frequentadas por crianças e idosos que não se sentem seguros, face aos relatos de furtos que vão existindo um pouco por todos os concelhos do distrito de Braga.

“As ruas em questão são frequentadas por várias crianças e idosos e as falhas na iluminação causam um sentimento de insegurança entre a população”, aponta

“A falta de iluminação potencia o sentimento de insegurança entre a população, principalmente em zonas mais rurais e mais isoladas”, disse o autarca, agastado com uma alegada indiferença dos responsáveis pela substituição das luminárias.

“Já identificamos e reportamos todas as situações [à EDP] onde há falhas de iluminação em várias ruas de Crespos e Pousada e em causa estão ruas frequentadas por muitos seniores e crianças”, sublinha.

O MINHO tentou contactar os serviços administrativos da EDP, mas não obteve resposta para esta questão.

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