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Viana do Castelo

Câmara ativa garantia de obra para reparar troço de ecovia em Viana do Castelo

Após denúncia do blogue Olhar Viana do Castelo

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Foto: Olhar Viana do Castelo

A Câmara de Viana do Castelo pediu a ativação da garantia da construção da Ecovia do Litoral Norte para a recuperação de um troço do percurso no concelho danificado pela “elevada pluviosidade”, disse hoje o vereador do Ambiente.

Em declarações à agência Lusa, Ricardo Carvalhido explicou ter tido “conhecimento da situação há cerca de 10 dias, tendo solicitado a intervenção da sociedade Polis Litoral Norte, dona da obra, para ativação do contrato de garantia”.

“O troço afetado liga as praias de Paçô, na freguesia de Carreço, e da Arda, em Afife, numa extensão aproximada de 400 metros, sendo que a intervenção mais aprofundada abrange uma extensão de cerca de cem metros”, disse, quando confrontado pelas imagens divulgadas, na segunda-feira, pelo ‘blogue’ Olhar Viana do Castelo e a que a Lusa teve hoje acesso.

Ricardo Carvalhido alertou que “a ecovia está interdita à circulação por força do estado de emergência que decorrerá até pelo menos 16 de março, mas a autarquia a envidar esforços junto da Polis Litoral Norte para que a situação seja reponha até essa data”.

Além da “pluviosidade anormalmente elevada” registada este ano, o responsável apontou ainda “as condições geológicas” do local para justificar o mau estado do pavimento daquele troço do corredor ecológico entre Carreço e Afife, com uma extensão de 1,5 quilómetros e que representou um investimento global de 257.187 euros.

“Em Viana do Castelo e a norte do Rio Lima, a Ecovia do Litoral Norte está construída na ‘interface’ entre a praia e a planície aluvionar da costa. São as chamadas veigas, que são precisamente uma fina camada de solo instalado sobre terrenos de uma lagoa ali existente há cerca de 18 a 11 mil anos”, especificou.

Segundo o vereador do Ambiente, “essa camada de sedimentos muito finos, limo-argilosa, é impermeável e com inclinação, embora fraca, em direção ao oceano”.

“É exatamente por isso que temos inúmeros ribeiros a desaguar nas nossas praias e vindos do subsolo, alguns com importância histórica, como é o caso, nas fraldas de Montedor, da Bica do Forte de Paçô, da Fonte de Fornelos, da Fonte de Sucampos ou da Fonte do Mar, usados para alimentar lavadouros ou para demolhar o linho que depois se ia curtir”, apontou.

Em situações de “forte pluviosidade” como as registadas neste inverno, “essas emergências subterrâneas engrossam e tornam-se mais superficiais, e por isso capazes de remover alguns materiais mais finos de pavimento que não estejam tão bem compactados”.

“Sabemos que estas situações poderão ocorrer enquanto que as infraestruturas não são submetidas às intempéries. Temos de manter a vigilância e atuar sempre que necessário, e para isso são importantes os olhos de quem passa e o consequente exercício de cidadania”, referiu.

A Ecovia do Litoral Norte é um percurso pedonal com 73 quilómetros de extensão, entre Caminha, no distrito de Viana do Castelo e Esposende, no distrito de Braga.

Em Viana do Castelo, a sociedade Polis Litoral Norte deu com concluído o troço entre Carreço e Afife em maio de 2017, sendo que do custo total da obra, 218.608 euros foram financiados pelo programa Norte 2020.

Criada em 2009, a sociedade Polis Litoral Norte prevê obras de reabilitação numa faixa costeira de 50 quilómetros, integrando ainda as zonas estuarinas dos rios Minho, Coura, Âncora, Lima, Neiva e Cávado, numa extensão de, aproximadamente, 30 quilómetros. A área de intervenção totaliza cerca de cinco mil hectares e integra o Parque Natural do Litoral Norte.

A sociedade foi constituída entre o Estado e os municípios de Caminha, Viana do Castelo e Esposende.

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