Brasileiros em Braga consternados com incêndios na Amazónia

Brasil chora pela Amazónia
Foto: DR

A região metropolitana de Manaus e no Sul do estado do Amazonas, no Brasil, está em situação de emergência face aos grandes fogos que têm dizimado hectares daquele que é conhecido como o “pulmão do mundo”.

Estes incêndios, que têm merecido atenção mediática em todo o mundo fruto de algumas polémicas que envolvem aquela mancha florestal e o Presidente da República brasileiro, estão a consternar a nação brasileira e os residentes em Braga não são exceção.

O MINHO falou com Alexandra Gomide, presidente da Associação UAI – União, Apoio e Integração, com sede em Braga, que manifesta consternação pelos incêndios, não acreditando que os mesmos se devam ao clima, mas sim a fogo posto por interesses estratégicos.

“O sentimento dos brasileiros em geral é de consternação mas todos concordam que a questão é extremamente complexa”, avança Alexandra, apontando os “muitos interesses na Amazónia que vão além de uma mera questão ambiental”.

“Há riquezas que interessam a laboratórios farmacêuticos, indústria mineira, madeireiras, indústrias energéticas, latifundiários, etc, e o que dificulta uma resolução definitiva para o problema é que muitos países que condenam as queimadas se omitem quando os interesses de suas indústrias que degradam a floresta são questionados”, aponta a responsável da UAI.

Gomide crê que estes fogos, embora “comuns na época seca em alguns estados brasileiros”, não deixam de impressionar pois são imagens “fortes”. “A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta, mas penso que a culpa não é do clima”, aponta.

 

 

“Investigadores já explicaram em várias fontes no Brasil, que o tempo em 2019 está mais seco do que no ano passado, o que propicia incêndios, mas garantem que grande parte deles não tem origem natural. Enfim… em geral o clima só cria as condições, alguém coloca o fogo”, diz.

Alexandra Gomide fala ainda do “impacto negativo do desmatamento ilegal e das queimadas não autorizadas”. “Já é consenso de que muitos focos de incêndio são criminosos, como por exemplo agricultores interessados em ganhar espaço para gado e agricultura. Enfim… muito próxima da realidade aqui em Portugal ou em outros lugares do mundo”, explica.

Sobre a comunidade internacional, e as críticas que se têm levantado para com o governo brasileiro, a representante do UAI refere como importante que a ajuda internacional seja baseada em apoio tecnológico e intelectual e principalmente respeito à soberania do povo da Amazónia.

 

 

“O problema não será resolvido através de ameaça, acusação, confrontação ou intimidação, isto só radicalizará a reação, o que não é desejável e pode, inclusive, levantar suspeitas quanto ao real interesse dos que estão denunciando de maneira alarmante a situação, criando um efeito contrário ao que se deseja e que se espera”, diz.

“A questão amazónica somente será resolvida quando houver coerência entre o discurso e as ações, isenção e transparência de todos no real interesse de preservar a riqueza da floresta, seja por parte do governo brasileiro, dos governos estrangeiros, das organizações não governamentais, da imprensa nacional e internacional e dos moradores da Amazónia. Talvez uma utopia, mas certamente uma necessidade”, finaliza Alexandra Gomide.

 
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