Braga lança programa para dar “nova vida” a bairros sociais

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‘(Re)Escrever o Nosso Bairro’ é um projecto que vai trazer uma “nova vida” aos Bairros de Santa Tecla, Picoto e Enguardas, através de um conjunto de iniciativas e programas inovadores que visam a inclusão social das comunidades de etnia cigana. O projecto, com uma calendarização de três anos, apresenta-se como um complemento às obras de reabilitação física de todo o edificado já anunciadas pelo Município de Braga, assumindo um papel crucial na inclusão de toda a comunidade residente e potenciando a sua ligação à cidade.

Ricardo Rio. Foto: CM Braga

“Este projecto vai contar uma história diferente daquela que tem sido transmitida pelos bairros sociais à comunidade bracarense. Foram bairros que se foram degradando não apenas no plano físico, mas também do ponto de vista das condições sociais e humanas. Nesse sentido, este projecto vem conferir mais dignidade a quem ali reside, trazendo todas as condições que, infelizmente, não tiveram ao longo dos últimos anos”, referiu Ricardo Rio, presidente da Câmara Municipal de Braga, durante a apresentação do projecto que decorreu esta terça-feira, 27 de Junho, no edifício gnration.

A diversidade, o multiculturalismo e a integração, são elementos fundamentais que estão na base deste projecto desenvolvido em colaboração com diversas entidades e que complementa a visão que o Município tem para os bairros sociais do Concelho.

“Este projecto vem trazer uma dimensão crucial para consolidar todas as intervenções que forem efectuadas. A juntar à componente da reabilitação física, temos agora a dimensão de integração dos próprios bairros na comunidade, a valorização das populações residentes e a sua consciencialização para zelar pelo espaço”, explicou o Autarca, sublinhando a integração social, a componente de expressão artística e animação territorial, assim como a vertente pedagógica e de apoio ao empreendedorismo que este projecto apresenta.

Na implementação deste projecto, liderado pelo Município de Braga, está um conjunto de parceiros como a Bragahabit, a Associação Famílias, a Cruz Vermelha Portuguesa e a Fundação Bomfim que, em conjunto, vão trabalhar na execução das diversas actividades.

Ao longo de três anos, ‘(Re)Escrever o Nosso Bairro’ vai desenvolver oito propostas integradoras para umainclusão activa, como:

‘Transcrever’ – um conjunto de seis iniciativas artísticas que darão lugar a uma exposição colectiva, a um fórum de debates e à publicação de um livro; ‘Quem tem Medo?’ – a primeira parte desta acção assenta numa peça de teatro que terá lugar já amanhã, dia 28 de Junho, pelas 21h30 no Theatro Circo. Ao longo do próximo triénio serão desenvolvidas três oficinas contemplando a dança, a música e o teatro, elementos absolutamente estruturantes e identitários desta cultura; ‘Oficina Comunitária – irá criar um espaço para animação cultural, geradoras de dinâmicas sociais, nas Enguardas; ‘Coro e Ensemble Instrumental’ – composto por cerca de 30 elementos da população infantil e juvenil residente no bairro de Santa Tecla; ‘Capacitação de Lideranças Locais’ – visa dotar as comunidades de mediadores locais capacitar mediadores e líderes locais ao nível da dinamização de processos deinclusão inteligente; ‘Contos do Bairro’ – elaboração e ilustração de um livro infantil para ser distribuído pelas escolas do ensino básico do Concelho; ‘(+)Próximo: Percursos para a Empregabilidade’ – uma iniciativa que potencia a empregabilidade e a integração socioprofissional através da criação de um serviço de proximidade (posto de atendimento móvel) que sirva os três bairros sociais; ‘Grupo Activo de Jovens’ – irá levar à constituição de um grupo de jovens entre os 16 e os 30 anos de idade, de etnia cigana, que irão interagir com outros jovens de etnia cigana com experiência em projectos de intervenção e outras iniciativas semelhantes de outras cidades.

Segundo Cristina Palhares, responsável pelo projecto, “este é um trabalho que vai ao encontro das grandes preocupações sociais quando se fala de regeneração, nomeadamente, no edificado social, uma vez que propicia uma efectiva inclusão das comunidades residentes, através de acções que promovem o sentido de identidade e de pertença e permitem uma reconstrução com os residentes e não apenas para os residentes”, explicou.

Por seu turno, Vitor Esperança, administrador da BragaHabit, referiu que este projecto “vai ao encontro das pretensões da empresa municipal e complementa as intervenções já delineadas, juntando a vertente social à reabilitação física do edificado”.

 
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