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Viana do Castelo

BE com “mau” resultado em Viana vai “tirar ilações” sobre estratégia

Eleições autárquicas

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Foto: DR

O candidato do BE à presidência da Câmara de Viana do Castelo classificou hoje como “mau” o resultado nas eleições autárquicas de domingo e disse ser necessário “tirar ilações” sobre a estratégia do partido no concelho.

“Foi um mau resultado, de acordo com as nossas expectativas e com o que vínhamos sentindo e observando durante a campanha eleitoral sobre o nosso desempenho”, afirmou hoje à agência Lusa Jorge Teixeira.

Segundo os resultados oficiais divulgados hoje pelo Ministério da Administração Interna, depois de apurados os resultados das 27 freguesias do concelho de Viana do Castelo, o PS foi o vencedor com 45,05% dos votos (cinco mandatos), seguido do PSD/CDS-PP (três mandatos), com 24,59%, e da CDU (PCP-PEV), com 10,04% (um mandato).

O BE obteve 4,54% dos votos (2.114 votos), o Aliança 3,84%, o Chega 3,45%, a Iniciativa Liberal 1,80% e Nós, Cidadãos! 1,01%.

Segundo Jorge Teixeira, o partido “pode tirar algumas ilações sobre a forma como passa a mensagem, ou porque não consegue chegar a um grande número de pessoas, sobretudo fora do centro urbano”.

“Provavelmente precisamos de enraizamento no território que ainda não temos. Há um balanço que temos de fazer sobre esta estratégia. De qualquer forma não fazemos um balanço errado sobre a nossa campanha. Talvez a estratégia não tenha sido a melhor, mas pelo menos trouxemos para o debate temas importantes, com soluções que tiveram muito boa aceitação por parte de muita gente, mas isso não chega. A verdade é essa”, afirmou.

O candidato do BE à presidência da Câmara da capital do Alto Minho acrescentou que “as eleições autárquicas são a festa da democracia e que ganhou o candidato que as pessoas entenderam que deveria ganhar”.

“Estamos de alguma maneira satisfeitos por essa circunstância, mas do ponto de vista do Bloco de Esquerda ficámos bastante aquém das nossas expectativas”, sustentou.

De acordo com o candidato do BE, são várias as razões que concorrem para o resultado alcançado pelo BE, tendo apontado “o crescimento de um conjunto de populismos, sobretudo na candidatura independente e na do Chega que sem grandes motivos teve o resultado que teve”.

“Isso significa que esses populismos estão aí para ficar”, alertou.

Sobre a candidatura do PS disse que partiu “numa situação de grande vantagem e, portanto, conseguiu manter a maioria na Câmara ainda que perdendo um grande número de votos”.

“Uma das coisas que falávamos durante a campanha que é a teia clientelar funciona e ajuda a manter as pessoas que estão na posição”, observou.

Já sobre o principal partido da oposição (PSD), que nas eleições de domingo concorreu em coligação com o CDS-PP, disse que “apesar de ter conseguido eleger mais um vereador” no executivo municipal, considerou que é um resultado “conjuntural” por não ter tido “mais votos do que o PSD e o CDS-PP, somados, nas últimas eleições autárquicas”.

“A ideia de uma alternância sem uma alternativa clara do ponto de vista das propostas não vingou. As barrigas de aluguer, que alguns partidos usam para projetos mais ou menos pessoais, também não funcionaram”, acrescentou.

Jorge Teixeira admitiu que “a CDU teve um bom resultado em termos de votos, ainda que perdendo alguns eleitos”.

O PS mantém-se à frente da Câmara de Viana do Castelo, depois de ter vencido as eleições autárquicas de domingo, mas mudou de presidente devido à lei de limitação de mandatos.

O socialista José Maria Costa, com 60 anos, não pode concorrer novamente à presidência por ter atingido o limite de mandatos (três consecutivos), tendo passado o testemunho para Luís Nobre, com 50 anos, que se torna assim o novo presidente da Câmara de Viana do Castelo.

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