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Arcos de Valdevez regressa ao ano de 1141 para recordar “onde Portugal se fez”

Efeméride

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Foto: CM Arcos de Valdevez / Divulgação

O Município de Arcos de Valdevez assinala a data habitual da recriação histórica do “Recontro de Valdevez de 1141”, a qual tem sempre lugar no primeiro fim-de-semana de julho, com o evento “Reencontrar o Recontro”, apesar das limitações impostas pela covid-19, foi hoje anunciado.

Assim, durante este fim de semana, no Paço de Giela, local habitual desta recriação, é desenvolvido um programa de atividades ligado à Idade Média e ao Recontro de Valdevez, explica a autarquia, em comunicado de imprensa.

“No momento simbólico de abertura do evento, foi apresentada a escultura em poliestireno, integralmente revestida a fibra de vidro de alta resistência e em tamanho natural, realizada pelo artista arcuense, Nuno Mokuna que representa, a figura real do imperador Afonso VII de Leão e Castela, a qual se junta assim à de seu primo Afonso Henriques aí colocada no ano transato, ajudando a compor o futuro parque de figuras e elementos relacionados com o Recontro e com o século XII”, pode ler-se.

Foto: CM Arcos de Valdevez / Divulgação

Foram ainda apresentados dois jogos didáticos de montagem em papel sobre o Paço de Giela e sobre o rei, D. Afonso Henriques, bem como uma surpresa especial que será entregue a todos os visitantes.

Houve espaço para assistir a um momento com animação de época e foi realizada uma visita aos espaços e respetivas atividades disponíveis, as quais contarão sempre com a presença das personagens dos dois reis, Afonso VII de Leão e Castela e Afonso Henriques.

Ao longo do evento será possível, entre as 10:00 e as 19:00, participar e assistir a eventos como “(Re)encontrar os reis”, jogos de mesa medievais, treino de armas, oficina de fiação medieval e de escrita, recriação de episódios históricos com esgrima e rábulas, e muita música e dança. Todo o programa dos dois dias é de entrada gratuita.

Foto: CM Arcos de Valdevez / Divulgação

Já o concerto dos Albaluna teve de ser cancelado e será reagendado para data ainda a definir.

História do Recontro

O episódio teve lugar possivelmente no início de 1140, na chamada “Veiga da Matança”, às margens do rio Vez (tributário do rio Lima), em Arcos de Valdevez, quando D. Afonso Henriques, após a vitória na batalha de Ourique (1139), rompeu a paz de Tui (1137) e invadiu a Galiza. Em resposta, as forças de Afonso VII de Leão e Castela entraram em terras portuguesas, arrasando os castelos à sua passagem, descendo as montanhas do Soajo em direção a Valdevez.

Para evitar a batalha campal, foram selecionados os melhores cavaleiros de ambos os lados para lutarem entre si num torneio ou justa, conforme o uso na Idade Média. A sorte das armas pendeu para o lado português, tendo os cavaleiros leoneses ficado detidos, conforme o código da cavalaria medieval.

De acordo com o professor Torquato Sousa Soares, da Universidade de Coimbra, a escaramuça ou “bafordo” da Portela de Vez teve lugar em 1137 e contribuiu para a celebração da paz de Tui, em julho daquele ano.

Foto: CM Arcos de Valdevez / Divulgação

Outros autores consideram o episódio como o passo decisivo e a última etapa para o nascimento de Portugal, sendo o antecedente da celebração do Tratado de Zamora em 1143. Depois do Torneio de Valdevez, onde saem vencedores os cavaleiros de Afonso Henriques, este aproveita as boas graças da Igreja, e, por intermédio do Arcebispo de Braga, D. João Peculiar, faz que o Papa Inocêncio II aceite a sua vassalagem contra o pagamento de um censo (quantia que os reis pagavam ao Papa) de quatro onças (onça = 31 g) de ouro por ano.

O Arcebispo envia o Cardeal Guido de Vico junto de Afonso VII, obtendo deste, no tratado de Samora (Zamora), o título de rei, que D. Afonso Henriques passa a usar, graças ao Torneio de Valdevez, e no papel, de facto e de direito, em 1143.

Segundo a lenda, nesta batalha foi encontrada uma relíquia sagrada, denominada Santo Lenho, que segundo a fé cristã crê-se que seja um pedaço retirado da Cruz onde Cristo foi crucificado. Esta relíquia encontra-se na freguesia de Grade, na Igreja Matriz, num sacrário com duas portas fechado a sete chaves todas elas diferentes. O dia da sua veneração é sempre 40 dias depois da Páscoa, quinta-feira da Espiga. Na Aldeia é venerado como Padroeiro das guerras, e nesta freguesia nunca morreu um soldado na guerra.

Na Estação de São Bento, no Porto, encontra-se um painel de azulejos alusivo ao Torneio.

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