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Viana do Castelo

Antigo autarca de Viana do Castelo lança livro com críticas aos partidos políticos

“O meu (des)encontro com a partidocracia” é o título da obra

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Defensor Moura foi candidato à Presidência da República em 2011. Foto: Facebook

O antigo presidente da Câmara de Viana do Castelo Defensor Moura (PS) considera que os “partidos políticos portugueses com vocação de poder” são “as piores escolas de educação cívica” que conheceu em 16 de governação autárquica.

No âmbito do lançamento, em fevereiro, do seu livro “O meu (des)encontro com a partidocracia”, contactado pela Lusa, Defensor Moura remeteu as razões desta edição de autor para o prefácio da obra, onde refere que não podia “dar por concluída” a “missão” que lhe foi conferida por quem o elegeu durante quatro mandatos, entre 1993 e 2009, dos quais três com maioria absoluta, sem apresentar um “relatório” que pretende ser “simultaneamente um grito de alerta e um muito parcial manual de instruções para os vindouros”.

A demolição do prédio Coutinho, anunciada em 2001, ano de eleições autárquicas e em que alcançou a “maior votação de sempre”, a proibição de touradas, que transformou Viana do Castelo na primeira cidade antitouradas do país, e a não adesão do município à Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho são “marcas” da carreira política autárquica de Defensor Moura.

Atualmente com 74 anos, o médico especialista em medicina interna, já reformado, apontou como “práticas habituais” dos partidos, “toleradas a todos os níveis, incluindo pelos respetivos órgãos de jurisdição”, a “mentira, a traição, a difamação, o caciquismo, a arregimentação de militantes passivos para compor cadernos eleitorais, a manipulação das eleições dos dirigentes, a distorção da informação interna, o empenho, a troca de favores e o clientelismo”.

Defensor Moura, que foi ainda candidato independente, em 2011, à Presidência da República, critica os “múltiplos passos de um caminho tentador para quem não tem valores nem princípios” e que vão “do favor do bilhete para o futebol, ao empenho para safar a multa, da corruptela de vão de escada à grande corrupção de Estado”.

Foto: DR

O também antigo deputado da Assembleia da República adianta existirem “razões acrescidas” para uma “preocupação com o futuro”, designadamente por “ver os jovens, nas organizações partidárias da juventude, a terem o mesmo tipo de comportamento entre si” e a “considerarem o partido uma agência de bons empregos e um meio de rápido enriquecimento”.

“A incompetência, o laxismo, o compadrio e a desmedida ambição dos ‘boys’, com frequente utilização dos cargos públicos em proveito próprio, descredibilizam as lideranças e contagiam toda a hierarquia dos respetivos serviços, com crescente complacência com o erro e a irresponsabilidade”, afirma no prefácio da obra.

Para o atual presidente da Liga dos Amigos do Hospital de Viana do Castelo, a “crescente complacência com o erro e a irresponsabilidade” são as razões que sustentam as “falhas” do Estado.

“Caem pontes, falham as comunicações nas catástrofes, crescem as listas de espera nos hospitais, arrastam-se processos nos tribunais, desmoronam-se estradas, divulgam-se segredos de justiça, aumentam os mortos nas estradas, há atrasos nos socorros, desperdiçam-se dinheiros públicos em assessorias e ruinosas parcerias público privadas e, depois de se acusarem uns e outros sem consequências que se vejam, ainda há quem se admire porque o Estado falhou”, escreve.

Moura diz que o Estado “vai continuar a falhar, porque em quatro décadas de democracia a complexa máquina do Estado foi sendo ocupada por sucessivas vagas de protegidos incompetentes, sem qualquer mérito profissional nem a mínima aptidão para o serviço público, irresponsavelmente nomeados pelos partidos que têm governado o país e as autarquias locais”.

Admite não ter “formação”, nem ter refletido “o suficiente” para se “atrever a apresentar soluções”, reforçando não ser esse o objetivo do livro, que pretende ser um “despretensioso relato” da sua experiência na administração da autarquia da “terra natal”.

Reconhece que “se conhecesse antecipadamente” o que o esperava na “dupla experiência partidária e autárquica”, tinha “preferido continuar a exercer medicina”.

“Acredito convictamente na democracia representativa (…). Os aparelhos não podem continuar a ser os donos dos partidos, nem estes os donos da democracia”, sublinha.

O livro “O meu (des)encontro com a partidocracia”, o primeiro de uma coleção de três que pretende lançar, vai ser apresentado, no dia 01 de fevereiro, às 17:30, na biblioteca municipal de Viana do Castelo.

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