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Viana do Castelo

Alto Minho decide em abril fusão dos sistemas de águas e saneamento

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Foto: DR

O presidente da Comunidade Intermunicipal do Alto Minho disse esta quarta-feira que, em abril, os 10 concelhos do distrito de Viana do Castelo vão decidir sobre a criação de uma empresa de gestão das redes de água e saneamento.

“É muito importante que esta tomada de decisão final seja feita em tempo útil, até ao mês de abril, para que possamos ainda absorver os financiamentos comunitários a 85% para os investimentos que são necessários fazer a curto prazo”, afirmou à agência Lusa o líder da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho, José Maria Costa.

O socialista, que é também presidente da Câmara de Viana do Castelo, afirmou que a empresa irá chamar-se Águas do Alto Minho e terá capitais do Estado, através da Águas de Portugal e dos dez municípios da região.

José Maria Costa assegurou que o processo de agregação dos sistemas, em baixa, de abastecimento de água e saneamento básico “está a ser feito com muito cuidado, com muita atenção para não pôr em causa os recursos humanos nem os tarifários”.

“Não implica despedimentos, pelo contrário, vai até implicar mais recursos humanos qualificados visto que queremos uma gestão mais eficiente. As exigências de uma empresa de abastecimento de água são muito fortes, a entidade reguladora também tem novas exigências e isso obriga a que haja uma reconversão de alguns trabalhadores, no sentido de termos mais formação, mais capacitação para podermos resposta maior qualidade”, sustentou.

Relativamente aos tarifários a praticar pela nova empresa, José Maria Costa disse que estarão “sempre dependentes do volume de investimentos e de uma gestão mais eficiente” mas garantiu “um ajustamento suave”.

“O que nós queremos com esta agregação é ganhar escala e mais eficiência para baixar recursos mas se tivermos que fazer investimentos, nos próximos anos, como são necessários, o efeito da escala também vai baixar o tarifário que cada município teria que praticar se fizesse esse investimento por conta própria. Em conjunto, conseguiremos ter um ajustamento tarifário muito mais suave”, especificou, adiantando que cada concelho “terá um tarifário ajustado às condições socioeconómicas”.

O líder da CIM do Alto Minho explicou que da nova empresa surge na sequência de estudos iniciados há vários anos, com base na experiência dos Serviços Municipalizados de Viana do Castelo (SMSBVC) que, em 2018, completam 90 anos de existência.

“Fizemos agora a consolidação desses estudos e estamos em diálogo com a Águas de Portugal”, disse, revelando admitindo que a decisão “não é fácil” mas que “o ambiente e muito favorável” à esta agregação daqueles sistemas em baixa.

“Estamos a ultimar os estudos para a tomada da decisão final. Quer os estudos técnicos, quer os estudos do ponto de vista da conceção jurídica da própria empresa. Já há empresas do género no país e nós estamos a ver os vários modelos existentes para escolhermos aquele que mais se adequará aos interesses dos dez municípios do Alto Minho”, referiu, sublinhando que a “decisão final” será submetida a aprovação dos órgãos executivos e das assembleias municipais.

José Maria Costa defendeu que a futura empresa permitira ter “uma gestão de proximidade e empresarial” bem como, o aproveitamento de fundos comunitários para “alavancar um conjunto de investimentos de alargamento de redes e renovação de infraestruturas que os municípios por sim mesmo teriam muitas dificuldades em realizar”.

“Com uma empresa com estas características teríamos maior capacidade de investimento e de tração de empréstimos do Banco Europeu de Investimentos, com taxas de juro muito favoráveis, para podermos garantir, nos próximos anos, a melhoria e a qualificação das nossas infraestruturas”.

Sublinhou que outra “preocupação muito grande” prende-se com a eficiência, apontando a necessidade de “redução das perdas médias atuais na região, que rondam os 30 a 33% e para os 14 a 16%”.

“Seria um ganho do ponto de vista da eficiência mas também uma despesa menor uma vez que esta água é tratada e depois desperdiçada nos diversos sistemas”, frisou.

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Viana do Castelo

Acidente de viação na Bulgária mata jovem de Viana

Acidente terá envolvido um veículo ligeiro e um autocarro

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Foto: DR

Um português, oriundo de Viana do Castelo, morreu, esta segunda-feira, na Bulgária após um acidente de viação na província de Blagoevgrad.

Segundo o Jornal de Notícias, a vítima mortal é Nuno Barbosa, de 36 anos, residente em Meadela, naquele concelho do Alto Minho.

Com o português, viajavam mais duas pessoas que sofreram ferimentos. Uma fonte da secretária de Estado das Comunidades Portuguesas avançou que, apesar das mazelas, se encontram ambas “fora de perigo”.

Na noite de terça-feira, nas redes sociais, a onda de luto e os votos de condolência aos amigos e família do condutor português multiplicavam-se.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros prestou já as devidas condolências à família do vianense tendo disponibilizado todo o “apoio nos procedimentos inerentes à realização dos exames forenses e à trasladação do corpo para Portugal”.

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Viana do Castelo

Viana com programa “único no país” para monitorizar qualidade do ar dentro das escolas

Ambiente

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Foto: Divulgação / LUCIOS Engenharia e Construção (portefólio)

Viana do Castelo é o “primeiro município do país” a desenvolver um programa de monitorização da qualidade do ar interior dos 53 edifícios do parque escolar do concelho, num investimento de 18 mil euros, anunciou hoje a câmara.

“Viana do Castelo é o primeiro município do país com uma estratégia para a monitorização das radiações ionizantes, sob a forma de programa, que está a ser concretizado e com resposta clara para este assunto”, afirmou hoje o vereador do Ambiente e Biodiversidade, Ciência, Inovação e Conhecimento, Ricardo Carvalhido.

O responsável, que falava durante a sessão de encerramento do projeto RnMonitor “Radão em Portugal: situação atual e perspetivas futuras” explicou que aquele programa “começou a ser implementado esta semana para avaliar a qualidade biotérmica e radiológica” do ar nas 53 escolas do concelho, sendo que, “no próximo mês, será iniciada a avaliação à qualidade microbiológica”.

“Vamos avaliar o ar de cerca de um terço das salas de aulas das nossas escolas. Dentro de dois meses, esperamos ter o primeiro perfil da qualidade do ar das nossas escolas. Nos edifícios que apresentarem dados fora dos valores considerados normais, será implementado um estudo mais pormenorizado com uma duração de, no mínimo, três meses”, especificou.

Ricardo Carvalhido adiantou que “a monitorização do gás radão e dos parâmetros de humidade, temperatura e dióxido de carbono estão a ser aferidos por sensores instalados nas 53 escolas do concelho, equipamentos que comunicam através de uma rede partilhada entre a câmara e pelo Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC), sendo possível receber, em tempo real, os dados de cada estabelecimento”.

“Estes dados estão a ser monitorizados na plataforma da Rede Municipal de Monitorização de Parâmetros Ambientais e de Proteção Civil, para, posteriormente, serem validados e analisados pelos parceiros do programa”, indicou.

O programa de monitorização da qualidade do ar interior de edifícios municipais tem como parceiros o IPVC e a Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM), que participarão “na elaboração de um manual de boas práticas para a qualidade do ar interior de cada edifício escolar”.

Aquele documento incluirá medidas que “poderão passar pela determinação de uma frequência e duração de arejamento, ou, em casos excecionais, a instalação de mecanismos de ventilação forçada do espaço”.

O vereador da câmara da capital do Alto Minho explicou que o programa teve início no parque escolar por ser “reconhecido, por um lado, que o conforto biotérmico dos alunos nas salas de aula, (aferido pelos dados de temperatura e humidade relativa) é um fator determinante no sucesso educativo e também porque a presença de agentes radiológicos (como é exemplo o gás radão, principalmente na região Norte e Centro de Portugal) e biológicos (como vírus, fungos e bactérias) podem comprometer de forma séria, a saúde dos alunos e dos profissionais de educação”.

A implementação daquele programa municipal resulta “da transferência de competências em matéria de educação, da administração central para a administração local”.

Ricardo Carvalhido adiantou que, em abril, no decurso do programa municipal, a autarquia lançará, no âmbito do Dia Nacional do Ar, a iniciativa “O Radão por Casa”.

O responsável explicou tratar-se de “um programa doméstico que disponibilizará aos munícipes uma sonda que lhes permitirá conhecer, durante uma semana, os valores de radão e os parâmetros de conforto bioclimático da sua habituação”.

Posteriormente, “os munícipes receberão uma avaliação diagnóstica com orientações para a mitigação dos parâmetros nos casos em que estes ultrapassem o valor legal de referência”.

“No caso dos moradores do centro histórico, estará disponível a sonda que permitirá o acesso em tempo real aos valores medidos, através da plataforma da rede municipal de monitorização de parâmetros ambientais e proteção civil”, referiu.

O projeto de investigação intitulado “RnMonitor: Infraestrutura de Monitorização Online e Estratégias de Mitigação Ativa do Gás Radão no Ar Interior em Edifícios Públicos da Região Norte de Portugal” foi realizado entre 2016 e 2019.

A investigação foi conduzida pelos docentes António Curado e Sérgio Lopes do IPVC e incidiu sobre 30 edifícios públicos selecionados pelas câmaras de Viana do Castelo e Barcelos.

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Viana do Castelo

Viana do Castelo: Ligação de Bernardo Santareno a navio Gil Eannes celebrada em peça de teatro

A apresentação da peça será a bordo do navio Gil Eannes

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Foto: https://www.fundacaogileannes.pt / DR

Quarenta atores amadores compõem o elenco da peça de “Gil Santareno Eannes” que se estreia, na próxima sexta-feira, a bordo do navio Gil Eannes, em Viana do Castelo, para “celebrar” a ligação do médico e dramaturgo português àquela embarcação.

“O ponto de partida deste espetáculo comunitário foi a ligação de Bernardo Santareno ao navio-hospital. É um património único, uma pérola que não existe em mais lado nenhum do país. Bernardo Santareno foi médico em três navios de apoio à frota bacalhoeira portuguesa e só existe o Gil Eannes, fantasticamente recuperado”, afirmou, esta segunda-feira, à agência Lusa o diretor artístico do Teatro do Noroeste – CDV, Ricardo Simões.

Bernardo Santareno foi um dos médicos das longas campanhas, realizadas no final dos anos de 1950, integrado na equipa do navio hospital Gil Eannes – mas viajando também em arrastões como Senhora do Mar e David Melgueiro –, onde testemunhou as precárias condições de higiene, de salubridade e as jornadas de trabalho, muitas vezes ininterruptas, de dezenas de horas, a que os pescadores, parcamente pagos, eram sujeitos.

Ricardo Simões, que reparte a encenação com Ana Perfeito, adiantou que, com a estreia do espetáculo comunitário, na próxima sexta-feira, pelas 21:30, “vão ser reabertas ao público algumas áreas do navio que até aqui ainda não estavam disponíveis, nomeadamente, os espaços onde Bernardo Santareno trabalhou e habitou, na campanha que iniciou em 1958”.

A peça é interpretada por mais de 40 atores amadores, com idades entre os 12 e os 88 anos, que estiveram integrados nas três oficinas do Teatro do Noroeste-CDV- ATIVAsénior, ATIVAjúnior e Enquanto Navegávamos (formada por antigos trabalhadores dos extintos Estaleiros Navais de Viana do Castelo-ENVC).

“O trabalho que propusemos às oficinas foi o de resgatar essas memórias. A partir de pesquisas que os elementos de cada uma fizeram foram criadas cenas ficcionadas, inspiradas na passagem de Santareno pelo Gil Eannes, numa espécie de viagem pelo navio”, explicou Ricardo Simões.

O espetáculo “irá desenvolver-se pelos diferentes espaços do navio”, sendo os espetadores “desafiados a acompanhar a representação”.

“Esse será o maior desafio deste espetáculo. Levar 80 pessoas a circular, simultaneamente, dentro do navio, ao mesmo tempo que acontece o espetáculo”, referiu, explicando que cada representação está limitada a 80 pessoas.

A peça assinala ainda o vigésimo segundo aniversário do regresso do navio a Viana do Castelo. Foi resgatado da sucata em 1998 e transformado em museu, tendo desde então sido visitado por mais de um milhão de pessoas.

“Um museu carrega memórias. Um museu que outrora funcionou como navio-hospital tem uma carga ainda maior. É uma memória viva da assistência à pesca do bacalhau. Bernardo Santareno, o maior dramaturgo português do século XX, era também o médico Martinho do Rosário que deu assistência, cuidados e força a centenas de pescadores do Gil Eannes”, reforçou.

Os espetáculos, integrados nas comemorações nacionais do centenário de Bernardo Santareno, estão marcados para a próxima sexta-feira e sábado, às 21:30, e, para domingo, às 19:00.

A entrada é gratuita, mediante levantamento de bilhete, disponibilizado nos dias do espetáculo.

O antigo navio hospital foi construído em 1955, nos extintos ENVC, para apoiar a frota bacalhoeira portuguesa nos mares da Terra Nova e Gronelândia.

Também foi navio capitania, navio correio, navio rebocador, garantindo abastecimento de mantimentos, redes, isco e combustível aos navios da pesca do bacalhau.

As comemorações do centenário de Bernardo Santareno começaram no dia 18, em Lisboa, com um encontro na Fundação Calouste Gulbenkian dedicado à sua obra e ao seu percurso.

Nascido em Santarém, em 19 de novembro de 1920, António Martinho do Rosário formou-se em Medicina e especializou-se em psiquiatria, mas foi com o pseudónimo literário Bernardo Santareno que se tornou conhecido fora dos consultórios onde trabalhou. Morreu no dia 29 de agosto de 1980, aos 59 anos.

“A Promessa”, adaptada ao cinema por António de Macedo (longa-metragem selecionada para o Festival de Cannes), “O Lugre”, “O Crime da Aldeia Velha”, “António Marinheiro ou o Édipo de Alfama”, “O Pecado de João Agonia”, “O Judeu”, “A Traição do Padre Martinho” e “Português, Escritor, 45 Anos de Idade” são algumas das peças de Bernardo Santareno, que se destacaram nos palcos.

O autor também escreveu poesia (“A Morte na Raiz”, “Romances do Mar”, “Os Olhos da Víbora”) e relatos de viagens, nomeadamente em “Nos Mares do Fim do Mundo”, onde testemunha a saga dos pescadores da antiga frota bacalhoeira portuguesa, contrariando a visão pacífica, oficial, divulgada pela ditadura, das condições de trabalho e da pesca.

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