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Alto Minho

Aldeia de Ponte da Barca retoma fabrico artesanal de gaitas meio século depois

Em Bravães

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Fotos: Facebook de Gaiteiros de Bravães

Uma oficina de formação em fabrico artesanal de gaitas de Bravães recuperou um ofício “perdido” há meio século naquela aldeia de Ponte da Barca e quer agora devolver o instrumento ao lugar de referência cultural de outros tempos.

“Mais do que aprender construir as gaitas de Bravães, queremos aprender a tocar, queremos criar um grupo de gaitas e queremos fazer programação cultural associada ao instrumento”, atira Rafael Freitas.

O arquiteto de 29 anos, um dos 11 alunos do primeiro curso de construção de gaitas de foles iniciado em novembro na antiga escola primária de Bravães, entretanto desativada e transformada em sede de associações locais, explicou que o movimento cívico pela recuperação do ofício e promoção do instrumento “surgiu no seio da turma e está com muita força”.

Foto: Facebook de Gaiteiros de Bravães

Os 11 alunos “com idades a partir dos 20 e até aos 70 anos, de várias áreas profissionais, de ou com ligações a Bravães”, já formaram um grupo de gaiteiros, criaram uma página nas redes sociais e, em dezembro, apresentaram ao público a sonoridade das duas primeiras gaitas que produziram, orientados pelo arquiteto Jorge Lira, investigador e construtor de gaitas de foles da Maia.

A dinâmica criada em torno da oficina e do grupo “Gaiteiros da Bravães” vai resultar, a 11 de janeiro, num evento intitulado “Anda à Varanda 2020”, que reunirá diversos nomes da música tradicional portuguesa.

Para o movimento cívico, “está na hora de descongelar a tradição, de olhar para a tradição fora dos rótulos das federações de folclore, fora do contexto rigoroso do rancho folclórico e das recriações etnográficas”.

“Está na hora do folclore descer do palco e voltar ao terreiro. E está na hora das gaitas de foles se voltarem a fazer ouvir nos bailes”, defendem os “Gaiteiros de Bravães”.

Foto: Facebook de Gaiteiros de Bravães

A oficina foi criada pela Escola de Artes e Ofícios, um dos projetos vencedores, em 2018, da primeira edição do Orçamento Participativo que juntou os municípios vizinhos de Ponte da Barca e Arcos de Valdevez.

No caso de Ponte da Barca, a Epralima – Escola Profissional do Alto Lima e a Câmara decidiram apostar na recuperação de um ofício “perdido”.

“O objetivo desde primeiro curso é o de formar novos construtores de gaitas, retomando uma tradição de Bravães que tinha acabado lá por volta dos anos 80. Em 2004, ainda chegou a ser feita uma tentativa para a recuperar, mas não funcionou”, explicou Rafael Freitas.

Os dois primeiros instrumentos na oficina são réplicas de uma gaita produzida, em 1950, por um construtor da freguesia, Emílio de Araújo.

O instrumento original integra o espólio do Museu de Etnologia de Lisboa, e está documentado nas recolhas do etnólogo Ernesto Veiga de Oliveira, entre anos de 60 e 63.

Foto: Facebook de Gaiteiros de Bravães

“A gaita de Bravães não será caso isolado no fabrico artesanal do noroeste português que chegou à segunda metade do século XX, mas é a única oficina devidamente documentada, graças às recolhas de Ernesto Veiga de Oliveira”, refere o grupo.

Terra de gaitas de foles e gaiteiros, Bravães assiste, “com muito interesse” ao ressurgimento de uma tradição antiga.

“A minha avó nasceu em 1927, filha de um gaiteiro, e diz que desde pequena que se lembra do pai ir para as festas tocar gaita de foles”, destacou Rafael Freitas.

Os primeiros construtores de gaitas terminam a formação no final de janeiro, quando todos tiverem construído a sua própria gaita de Bravães, “diferente de todas as existentes em Portugal”.

“Têm uma afinação diferente. Normalmente, as gaitas são afinadas em Dó, mas as de Bravães são afinada em Si. Depois, foi concebida para tocar no meio de muitos grupos de bombos, típicos das romarias do Alto Minho. O cone acústico está desenvolvido de uma forma que lhe dá um timbre muito mais alto, resultando num som muito potente”, explicou.

Inicialmente, as gaitas “eram construídas em madeira de buxo, espécie entretanto declarada protegida”. Atualmente a madeira de oliveira passou a ser uma “alternativa ambientalmente sustentável e de muito mais fácil acesso”.

Já o fole das gaitas era “feito com pele de animais, normalmente o cabrito”, material substituído pelo Gore-Tex.

O aprendiz Rafael não tem dúvidas de que o movimento agora iniciado “não vai parar”. Na calha estão previstos mais cursos para dar resposta “há muita procura registada a nível nacional”, aquando da constituição da oficina de Bravães.

Para além de reativar o fabrico, os gaiteiros de Bravães quer continuar “a sensibilizar e formar novos tocadores de gaita e outros instrumentos musicais tradicionais, como as percussões e os cordofones, contribuindo para a manutenção da diversidade das tradições musicais locais”.

“Pretendemos ser um grupo de investigação e de debate, mas também de festa, aberto a toda a comunidade de dentro e fora de Bravães”, sustentam os gaiteiros.

Reportagem de Andrea Cruz – Agência Lusa

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Viana do Castelo

Carlos Meira “em almoço” em Viana por acordo que vença João Almeida

Eleições no CDS

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Candidatos debateram, ontem, na RTP3. Foto: Imagens RTP

Carlos Meira, militante de Viana do Castelo e candidato à liderança do CDS-PP, manifestou-se disponível para, durante o 28º congresso nacional, chegar a acordo com Filipe Lobo d’Ávila e Francisco Rodrigues dos Santos para ganhar a João Almeida.

“Posso confirmar que almoçamos, em Viana do Castelo, com o Francisco Rodrigues dos Santos e o Filipe Lobo d’Ávila. Fiz uma tentativa de nos unirmos os três para ganharmos ao João Almeida. Posso confirmar que poderemos, no congresso, tentar essa união para conseguirmos ganhar e lutarmos contra o sistema”, afirmou o empresário dos setores florestal e construção civil de 34 anos.

Em entrevista à agência Lusa, Carlos Meira, natural de Viana do Castelo e militante do CDS-PP desde os 19 anos, defendeu que a sua candidatura é a “única fora do círculo de Lisboa que quer lutar contra o sistema e a elite do partido.

“O partido não é só para servir Lisboa e o centralismo de Lisboa”, atirou.

Carlos Meira disse ser “um crítico” da candidatura de João Almeida por ser “de continuidade”.

“Fez parte da direção de Assunção Cristas e, imagine-se, foi seu porta-voz. É a renovação na continuidade. Não vai dar certo”, sustentou o empresário.

Questionado sobre como financiará a sua campanha à liderança do partido, Carlos Meira assegurou que está a ser suportada com “meios próprios”.

“Vivo do meu trabalho e, por isso, é tudo pago com o meu ordenado. Não tenho apoios financeiros”, disse, adiantando que “só em viagens a Lisboa” já gastou “400 euros”.

O ex-presidente da concelhia do CDS-PP de Viana do Castelo defendeu que para “reerguer e reestruturar” o partido é necessário, “em primeiro lugar”, realizar uma “auditoria externa”.

“É um ponto fulcral. Saber como foi feita a sede do Porto e quem andou a receber avenças dentro do partido. Só depois podemos reestruturar o partido e que podemos pensar no futuro”, sustentou.

Meira apontou o “deslumbramento” com os resultados na Câmara Municipal de Lisboa, nas últimas eleições autárquicas, como um dos “principais erros” da anterior liderança do CDS.

“Assunção Cristas esqueceu-se completamente das bases do partido. Entrou no partido a mando de Paulo Portas e que não tinha conhecimento de como funcionava o partido. Esqueceu-se completamente das concelhias, das distritais e com deslumbramento de Lisboa perdeu-se completamente do que deveria ser a governação e a gestão do próprio partido. Julgava que isto era uma gestão à moda da Revista Caras ou da VIP”, referiu.

Carlos Meira, que nas eleições autárquicas de 2013 foi candidato à câmara da capital do Alto Minho, admitiu que “muitos não apreciam o estilo e linguagem” que utiliza, mas defendeu que, “por vezes, é a única forma de conseguir transmitir a mensagem”.

“As críticas que faço são naturalmente políticas e nunca pessoais e não é com base em pressões, ameaças, que irei alterar a minha forma de intervir. Gostava inclusivamente que surgissem outros Carlos Meira noutras forças políticas”, desafiou.

Questionado sobre se com o aparecimento do Chega o CDS poderá radicalizar o seu discurso ou se poderá enveredar por eventual entendimento num cenário de maioria parlamentar ou de um Governo de centro-direita, o candidato defendeu que o partido “deve fazer um caminho próprio, procurando como reafirmar a sua matriz e identidade”.

“O CDS deve fazer o seu próprio caminho, de forma autónoma, ativa, serena, recompondo-se e reerguendo-se. Respeitamos igualmente todos os partidos do arco parlamentar e não parlamentar não socialistas. O CDS não deve ter cordões sanitários com partidos não socialistas, mas também não deixará de se bater pelas suas causas. Tudo tem o seu tempo, tudo se verá a seu tempo. O CDS agora precisa é de olhar por si e para si. O nosso vizinho não é preocupação nossa”, observou.

Já sobre um eventual apoio à recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa às eleições presidenciais, Carlos Meira disse que o atual chefe de Estado “inovou e instaurou uma presidência inédita em Portugal”, num “registo que não agrada a gregos e a troianos” e defendeu que o CDS deve assumir um “papel e uma posição de responsabilidade”.

“O CDS deve apoiar a candidatura que, no espaço à direita do PS, se venha a apresentar em melhores condições de vencer. É fundamental a eleição de um Presidente da República onde o centro, o centro-direita e a direita democrática se possam rever, mormente num momento em que a esquerda está a governar”, referiu.

Além de Carlos Meira são candidatos à liderança do CDS-PP Abel Matos Santos, João Almeida, Filipe Lobo d’Ávila e Francisco Rodrigues dos Santos.

O 28.º congresso nacional do CDS-PP, marcado para 25 e 26 de janeiro em Aveiro, vai eleger o sucessor de Assunção Cristas na liderança dos centristas.

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Alto Minho

Descoberta necrópole medieval com 30 sepulturas em Valença

Junto à Fortaleza

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Foto: UAUM / Direitos Reservados

Cerca de 30 sepulturas do período medieval moderno foram descobertas em Valença, naquilo que aparenta ter sido uma necrópole da população residente no centro histórico daquela cidade raiana.

As sepulturas datam do período compreendido entre o século 13 (finais da idade média) e século 17 (inícios da idade moderna), disse a O MINHO Alexandrina Amorim, mestre em Antropologia Biológica e elemento da Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho (UAUM).

Desde 2004 que a equipa da UAUM tem assegurado a intervenção arqueológica na Fortaleza de Valença, no âmbito do Projeto de Requalificação Urbana do Centro Histórico de Valença.

A 3.ª e última fase de execução do projeto foi concluída entre novembro e dezembro, tendo-se realizado sondagens prévias e o acompanhamento arqueológico permanente da obra de restauro da Fortaleza, destacando-se os trabalhos de escavação de parte da necrópole associada à igreja de Santo Estêvão.

O espaço seria local de enterramento para a população local, segundo conta a responsável.

Foto: UAUM / Direitos Reservados

As escavações junto à igreja começaram em maio de 2018, prolongando-se em diferentes intervenções até dezembro de 2019, altura em que foram descobertas as sepulturas, ainda com as respetivas ossadas dos defuntos enterrados à maneira cristã.

Segundo Alexandrina Amorim, os ossos “estão mais ou menos preservados”. “Antigamente, o local era uma rua onde passavam carros, gerando um impacto negativo”, explica.

“A ideia, daqui para a frente, é fazer a limpeza das ossadas e realizar estudos para apurar vários aspectos”, avança.

Vai ser possível identificar a data cronológica concreta da morte, o género dos sepultados e a idade com que morreram.

Alexandrina revela ainda que não foram feitos mais achados no local. “Em 2009, encontrámos uma necrópole em Santa Maria dos Anjos, mas os estudos ainda não avançaram”, conta a antropóloga.

De acordo com o boletim de arqueologia da UAUM, a fortaleza de Valença do Minho, Monumento Nacional classificado desde 1928, é “um exemplo notável de arquitetura militar portuguesa de época moderna”.

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Alto Minho

Há cada vez mais peregrinos a passar em Caminha

Aumento de 38% em 2019

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Foto: Divulgação / CM Caminha

Os peregrinos do Caminho de Santiago passam cada vez em maior número em Caminha, com um aumento de mais de 38% em 2019, relativamente ao ano anterior, foi hoje anunciado.

Segundo dados fornecidos pela autarquia local, foram 8.176 os peregrinos registados nos postos de turismo de Caminha e Vila Praia de Âncora ao longo do último ano, um valor recorde quando comparado com 2018.

Miguel Alves, autarca de Caminha, salienta que “a notícia tem correspondência com o que vemos nas nossas ruas e nas nossas praças durante todos os meses do ano. Para além da projeção internacional que o Caminho de Santiago está a ter, nos últimos anos, a autarquia e diversas empresas e instituições da região, fizeram um investimento muito forte na divulgação, sinalética e valorização do Caminho Português da Costa numa aposta que está a dar os seus frutos”.

“O que impressiona é o crescimento anual, sempre na casa dos 20% ou 30%. Nos últimos quatro anos, o número de peregrinos registados no nosso concelho cresceu 153% e só estamos a falar daqueles que se deslocam aos nossos Postos de Turismo para carimbarem a sua credencial. O trabalho é para continuar e reforçar já em 2021, ano Xacobeo”, salienta.

Por entre as diferentes nacionalidades, a alemã é a que mais cresce, representando 32% de todos os peregrinos registados. Portugueses seguem em segundo, com 12,1%, enquanto espanhóis totalizam 9,5% dos que passaram pelos postos de turismo. Itália e Estados Unidos completam o top-5. Setembro, maio e agosto foram os meses com maior número de peregrinos.

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