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Braga

Adolfo Luxúria Canibal: “Não é descabido quando Putin fala de desnazificação da Ucrânia”

Vocalista dos Mão Morta e vereador do PS na Câmara de Braga

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Foto: DR / Arquivo

Adolfo Luxúria Canibal, vocalista dos lendários Mão Morta e vereador eleito pelo PS na Câmara de Braga, considera que a guerra na Ucrânia é um conflito “entre duas extremas-direitas”. Entrevistado no Posto Emissor, ‘podcast’ semanal da Blitz, a propósito do seu novo livro, a novela gráfica “O Crespos”, o músico e advogado considera que “não é descabido” quando Putin fala da “desnazificação” da Ucrânia e compara o Batalhão Azov às antigas SS da Alemanha nazi.

Instado pela jornalista Lia Pereira a comentar a guerra na Ucrânia, Adolfo Luxúria Canibal (nome artístico de Adolfo Macedo) começa por considerar que “o mais grave é que estamos entre duas forças política terríveis”. E desenvolve: “Por um lado, a Rússia autoritária e ditatorial de Putin com a intoxicação permanente da população feita pelos media completamente controlados pelo poder; e por outro uma sociedade que é tudo menos democrática, apesar das eleições”.

De seguida, o vocalista dos Mão Morta compara o Batalhão Azov, milícia ucrania de extrema-direita, com as SS, oganização paramilitar do partido Nazi alemão.

“A forma como ele [Batalhão Azov] é integrado no exército, a forma como ele é mandado para as zonas separatistas, a forma como eles atuaram antes da guerra – depois não podemos olhar as coisas da mesma forma – tudo fazia lembrar o tipo de comportamento pré-II Guerra Mundial que aconteceu na Alemanha, nomedamente com as SS, que também eram um batalhão paramilitar civil antes de ser integrado no Estado alemão”, reflete, acrescentando: “O tipo de atuação que faziam junto das populações era muito parecido com o que fazia o Batalhão Azov. Há aqui demasiados paralelismos”.

Por isso, o músico de 62 anos considera que, “independentemente do cariz ditatorial e aberrante de Putin e do seu sistema, não é descabido quando ele fala de uma espécie de desnazificação da Ucrânia”. “De facto, havia nazificação na Ucrânia. Não diretamente na forma como as eleições se desenrolaram, não na forma como as instituições funcionaram, mas nalguns movimentos paralelos que aconteciam no interior da Ucrânia antes da guerra”, nota o vereador eleito pelo PS nas últimas eleições autárquicas e que, em 2017, tinha sido mandatário da candidatura da CDU à Câmara de Braga.

E prossegue: “Mas tudo isto se torna ainda mais absurdo, porque somos obrigados, pelas circunstâncias, a tomar partido por alguém que, numa situação normal, nunca tomaríamos partido, porque o que lá se passava era aberrante, perfeitamente anti-democrático. E de repente estamos a armar, a dar dinheiro e a fortalecer um poder que é próximo dos valores que são os primeiros a acabar com as democracias, que é a extrema-direita”.

Adolfo Luxúria Canibal afirma que “a extrema direita está tanto na Rússia como na Ucrânia”, em ambas de “uma forma ligada ao poder” e que, por isso, esta “não é uma guerra tradicional no sentido de esquerda/direita, é uma guerra entre duas extremas-direitas”.

“E nós somos obrigados a tomar partido por uma extrema-direita, como os franceses nestas eleições foram obrigados a tomar partido por um liberal contra a extrema-direita. O mal menor”, defende.

E conclui: “Isto é que é arrepiante. Somos empurrados a solidarizar-nos com decisores políticos que estão nos antípodas do que defendemos, do que queremos e de quem depositaríamos o voto numa sociedade democrática”.

Pode ouvir a entrevista na íntegra aqui.

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