O Tribunal Judicial de Guimarães adiou hoje, para o próximo dia 10, o julgamento de uma mulher e um homem acusados pelo Ministério Público de Famalicão do crime de tráfico de droga agravado.
O adiamento ficou a dever-se ao impedimento, por doença, de uma das juízas do Coletivo.
Conforme O MINHO noticiou, o Ministério Público do Tribunal de Famalicão acusou os dois, sendo que seria ela a principal fornecedora de estupefacientes nas zonas de Vizela e de Guimarães, mas atendendo clientes de Braga, Felgueiras e Barcelos. Ambos estão presos preventivamente.
A acusação aponta, ainda, outros quatro arguidos, que, supostamente ajudavam a traficante, e que estão indiciados pelo crime de tráfico de droga.
O MP considera que Carlos Alberto S., com 59 anos, de Lousado, fornecia heroína e cocaína a Verina C., de 44 anos, de Vizela, para esta a vender a toxicodependentes. Diz que, em 2023 e 2024, a arguida transacionava um quilo de cocaína por mês, comprando-lhe, no mínimo, cem gramas por semana.
E vendia apenas pacotes individuais de um (por 50 euros) ou de cinco gramas, para evitar a multiplicação de contactos com os consumidores.
Contactado por O MINHO, o advogado João Ferreira Araújo, de Braga, que defende Verina e dois familiares dela, disse que “a acusação padece de muitas imprecisões e inverdades que serão desconstruídas em sede de audiência de julgamento”.
Mãe, filho e filha de 13 anos ajudavam
Na atividade ilícita participavam, ainda, a sua mãe (Maria), o filho (Armando) e a companheira deste Eduarda). O pagamento era feito por MBway. Noutras situações, o comprador punha o dinheiro na caixa de correio e a droga era-lhe atirada da janela. O tráfico ter-lhe-á trazido avultados rendimentos monetários.
Em diversas ocasiões, anota a acusação, contou com a colaboração de uma amiga, Patrícia M., e de uma filha menor, atualmente com 13 anos, dizendo-lhe para ir buscar os pacotes de droga que tinha escondido e chegando a pôr a menor a entregá-los aos compradores.
O tráfico foi investigado pela GNR que elencou muitas dezenas de transações, após contactos telefónicos, entre a arguida, ou os seus colaboradores, e os consumidores.
A Guarda, em duas buscas domiciliárias apreendeu drogas, dinheiro, telemóveis e outros artefactos aos arguidos. Na investigação, procedeu a centenas de escutas telefónicas e a dezenas de registos fotográficos feitos durante ações de vigilância. A prova material inclui, ainda, extratos bancários com registos das transações monetárias.
O processo terá 102 testemunhas, entre as quais oito militares da GNR.