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Viana do Castelo

Abastecimento de água para consumo humano em fábrica de Viana é “situação pontual”

Devido a “contaminações salinas”

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Foto: Divulgação / PSD Viana do Castelo

Uma “situação pontual” devido a “contaminações salinas na captação de água” da empresa. É assim que a Águas do Alto Minho (AdAM) justifica o abastecimento de água tratada a uma multinacional instalada em Viana do Castelo, caso denunciado pelo PSD.

Como O MINHO noticiou, a distrital de Viana do Castelo do PSD adiantou ter tido “conhecimento que várias corporações de bombeiros estiveram a retirar água das bocas de incêndio do parque industrial de Lanheses, para abastecer uma grande unidade industrial do concelho de Viana do Castelo”.

A situação foi registada durante o fim de semana e na manhã de segunda-feira.

“Essa água é tratada e, se assim for, se a AdAM tinha conhecimento da situação e por que razão se utilizou água tratada para consumo humano, num período de seca extrema, para uso industrial”, questionou o PSD, acrescentando que “pelo menos cinco autotanques foram vistos a abastecer nas bocas de incêndio, vindos de corporações de Freamunde, Santo Tirso, Paredes de Coura e Caminha”.

A ser verdade, adiantou o PSD, trata-se de “uma situação grave”, justificando que o país se encontra “num momento difícil de seca, em que a própria Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho está a tomar providências para fazer face à situação”.

Esta água “poderia ser utilizada, por exemplo, para abastecer freguesias que venham a sofrer de quebras de fornecimento. Não podemos desperdiçar este bem”, salienta o PSD.

“Também, alegadamente, não houve medição de metros cúbicos da água fornecida e, assim sendo, é preciso saber se a empresa a não a obteve gratuitamente. Obviamente que não estamos contra a empresa que tem de suprir as suas necessidades para manter a sua atividade. Achamos é que poderia ter sido utilizada água não tratada para esse abastecimento e não usar água para consumo humano, como o que parece que aconteceu”, salientou a distrital do PSD.

Na resposta, por escrito a um pedido de esclarecimento da agência Lusa, a empresa que gere as redes de abastecimento de água em baixa e de saneamento básico de sete dos 10 municípios do distrito de Viana do Castelo explicou ter-lhe sido “solicitado pela empresa DS Smith Paper Viana, S.A. para complementar o fornecimento de água à sua instalação, em face da ocorrência de contaminações salinas na sua captação de água para fins industriais”.

“Trata-se de uma situação pontual que se enquadra na missão da Águas do Alto Minho de contribuir para a criação de valor e para o desenvolvimento”, sustenta a Águas do Alto Minho.

A “falha de abastecimento” da multinacional britânica que produz papel e embalagens em cartão “deve-se ao menor caudal existente na captação própria e às marés vivas que fazem com que a salinidade no rio se faça sentir até à captação existente”.

“A Águas do Alto Minho fornece água a entidades públicas e privadas, entre elas consumidores domésticos e industriais em vários ramos de atividade. A água fornecida está a ser quantificada e será faturada nos termos e nas normais formalidades de cobrança e de acordo com o tarifário da Águas do Alto Minho”, refere a empresa.

A AdAM iniciou a atividade operacional em janeiro de 2020 e gere as redes de abastecimento de água em baixa e de saneamento nos municípios de Arcos de Valdevez (PSD), Caminha (PS), Paredes de Coura (PS), Ponte de Lima (CDS-PP), Valença (PS), Viana do Castelo (PS) e Vila Nova de Cerveira (PS).

Três concelhos do distrito – Ponte da Barca (PSD), Monção (PSD) e Melgaço (PS) – reprovaram a constituição daquela parceria.

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